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Arquitetura de segurança · Análise

Eleição 2026: a semana pende a Flávio e termina empatada

Nove medições de segundo turno em uma semana: seis vantagens numéricas do senador, três do presidente, quase todas dentro da margem. O Datafolha manteve 46% a 44%, a Gerp abriu 7 pontos para Flávio, e a estimativa da série segue em 50 a 50. A crise da corte virou o eixo da campanha pelos dois lados, a lei Graham deu prazo à pressão externa, e a campanha passa o sábado em Santa Catarina.

Por COMPASSO19 de setembro de 20268 min de leituraTabuleiro: Arquitetura de segurança

Leituras

  1. Nove medições de segundo turno em uma semana deram seis vantagens numéricas ao senador e três ao presidente, quase todas dentro da margem: a corrida pende sem sair do empate técnico.
  2. A crise da corte virou o eixo da campanha pelos dois lados: o senador promete indicar cinco ministros, e o presidente passou a apontar cinco ministros ligados ao caso Master.
  3. A pressão externa ganhou texto e prazo na mesma semana: a exigência sobre a eleição estava escrita na oferta do tarifaço, e a lei Graham deu 30 dias para os decretos de tarifa.

Este é o texto de sábado da série Eleição 2026, que lê as movimentações da corrida, internas e externas, como um processo único e acumulado. O balanço do sábado passado fechou com o empate atravessando a semana da crise na Polícia Federal. Esta semana produziu nove medições de segundo turno, uma ofensiva do presidente contra a corte, uma lei americana com prazo de 30 dias e a primeira semana negativa da bolsa depois de quatro de alta. O resultado líquido: a corrida pendeu ao senador sem sair do empate técnico, e a crise institucional virou o eixo declarado da campanha dos dois lados.

Os movimentos da semana, de dentro e de fora

As pesquisas abriram e fecharam a semana. Na segunda, a Quaest deu 42% a 40% a Flávio Bolsonaro no segundo turno, a primeira vantagem numérica do senador na série do instituto, dentro da margem, como o COMPASSO registrou no texto de segunda. Na terça, a rodada seguinte devolveu 43% a 42% ao presidente, e o Supremo passou a manhã dividido em público, como registra o texto de terça. Na quarta, veio o quarto empate seguido, 45% a 44% para o senador. Foi o dia em que Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo levaram ao Departamento de Estado americano o pedido de sanções contra os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, ainda sem resposta, como mostra o texto de quarta.

Na quinta, três pesquisas do mesmo dia penderam ao senador, entre elas a do instituto AtlasIntel para a agência Bloomberg, com 47,2% a 46,8%, e a da Gerp, com 50% a 43%, a única fora da faixa do empate. No mesmo dia, os documentos da negociação do tarifaço revelaram que a oferta americana de alívio incluía condições sobre a própria eleição, e o governo a rejeitou, como registra o texto de quinta. À noite, o Datafolha segurou o teste da rodada: manteve 46% a 44% para o presidente, os mesmos números das duas rodadas anteriores. O instituto ouviu 2.002 eleitores de 15 a 17 de setembro, com margem de 2 pontos e registro BR-04029/2026 no Tribunal Superior Eleitoral.

A sexta mudou o objeto da disputa. Lula afirmou que há 5 ministros do Supremo ligados direta ou indiretamente ao caso Master, a investigação sobre o Banco Master, o banco liquidado cujo dono, Daniel Vorcaro, está preso desde março. Citou Moraes e Dias Toffoli, e acusou André Mendonça, o relator do caso, de segurar informações. No mesmo dia, Mendonça rejeitou por fundamento processual a ação do PL, o partido do senador, contra o reajuste do Bolsa Família, e Lula lançou no Rio um plano integrado de segurança com estado e prefeitura. Flávio respondeu chamando o presidente de gagá e prometeu classificar como terroristas o PCC (o Primeiro Comando da Capital), o Comando Vermelho e as milícias. Está tudo no texto de sexta. De fora, Donald Trump assinou às 19h01 a lei Graham, que dá 30 dias para decretos de tarifa de até 100% sobre os grandes compradores de energia russa.

Neste sábado, a campanha se encontra em Santa Catarina, em atos separados. Lula faz comício na Praça Tancredo Neves, em Florianópolis, pela manhã. Flávio cumpre agenda em Joinville às 10h22 e em Chapecó às 16h22. Renan Santos, também candidato à Presidência, leva a própria caravana a Florianópolis e Criciúma. O registro é do site A Crítica. É a disputa direta por um estado onde o bolsonarismo venceu com folga em 2022.

O que a semana muda na leitura

A série pós-crise chegou a nove medições de segundo turno: seis com vantagem numérica do senador, três com o presidente, quase todas dentro da margem de erro. A estimativa da série não se move: segundo turno em 50 a 50, primeiro turno com o presidente numericamente à frente e vantagem encolhida. Convertido a votos válidos, a conta que exclui brancos, nulos e indecisos, o Datafolha mais recente dá 51,1% a 48,9% ao presidente. A marca da corrida segue sendo a dispersão entre institutos: da vantagem de 2 pontos de Lula no Datafolha aos 7 de Flávio na Gerp. Vale a hipótese explícita registrada na quinta: se a inclinação a Flávio se repetir na próxima rodada dos mesmos institutos que a mostraram, ela deixa de ser oscilação e vira movimento. Até lá, é fato que a semana pendeu ao senador, e é leitura possível, não fato, que o voto tenha começado a se mover.

O que mudou de natureza foi a relação dos candidatos com a corte. Até a semana passada, os ministros brigavam entre si e os candidatos exploravam a briga de fora. Agora os dois disputam a recomposição do tribunal. O senador promete indicar cinco ministros, contando um eventual impedimento de Moraes. O presidente promete expor cinco ministros e julgar tudo junto. Com a vista de Flávio Dino e o cancelamento da sessão do dia 23, os casos Moraes e Mendonça estão sem data a 15 dias do voto. A eleição corre sem desfecho judicial à vista, e cada campo usa o vácuo a seu modo. De fora, o La Nación, o jornal de Buenos Aires, em espanhol, resume a corrida como indefinida a três semanas do voto.

Os interesses por trás dos movimentos

Lido pela renda, o quadro da semana tem três camadas. Na base, o trabalho: o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, validado no tribunal eleitoral por decisão do ministro do campo adversário, leva o piso a 691 reais e chega em 19 de outubro, entre os dois turnos. É renda direta a milhões de famílias, no calendário mais sensível possível. No meio, o capital financeiro. A aposta na troca de governo, o chamado trade eleitoral, ficou mais cara na semana em que o mundo rico subiu o juro, como mostra o balanço de Finanças deste sábado. O Banco Central vendeu 1 bilhão de dólares para dar liquidez ao câmbio. E o Ibovespa teve a primeira semana negativa depois de quatro de alta. No topo, o Estado: a disputa é sobre quem decide, da composição da corte à classificação das facções. A pressão externa cobra pelo mesmo canal, com a exigência de eleição justa e livre escrita na negociação do tarifaço, na linha que a série acompanha desde o especial Depois de Caracas.

O que observar até 4 de outubro

Neste fim de semana: o tamanho e o tom dos atos de Santa Catarina, e a reação dos ministros citados por Lula. Terça, dia 22: a ata do Copom, com o futuro do ciclo de cortes. Quarta, dia 23: a abertura do debate de líderes da Assembleia Geral da ONU, onde o presidente diz que pretende encontrar Trump, ainda sem confirmação americana. Quinta, dia 24: Xi Jinping em Washington. Domingo, dia 27: o debate da Record e do Estadão. Dia 30: a reunião ministerial do tarifaço em Milwaukee. Primeiro de outubro: o debate da Globo. Dia 4: o primeiro turno. No quadro externo, os decretos que a lei Graham exige em 30 dias e qualquer resposta ao pedido de sanções contra ministros. Sanção efetivada contra ministro ou instituição brasileira seguiria sendo o marco de escalada que a série vigia.

Fontes

Tribunal Superior Eleitoral (o registro das pesquisas, documento primário) · Poder360 (a fala dos 5 ministros) · O Povo (os nomes citados pelo presidente) · Gazeta do Povo, lida à direita (a pesquisa Gerp) · Fórum, lida à esquerda (o plano de segurança do Rio) · La Nación, em espanhol (a corrida vista de Buenos Aires e a pesquisa AtlasIntel) · A Crítica (as agendas de sábado em Santa Catarina) · Diário Carioca (a resposta de Flávio Bolsonaro) · CBS News (a assinatura da lei Graham) · CNN Brasil (a rodada estadual do Real Time Big Data no Ceará) Os outros textos do dia: A semana em que a guerra travou e a decisão foi para Nova York · A semana em que o petróleo voltou a andar, mas só com escolta · A semana em que o mundo rico subiu o juro e o Brasil cortou · A semana em que o ritmo da IA ganhou três lados em público · Clima: ar, oceano, gelo e safra fecham a semana no mesmo sinal.

O eventual segundo turno em votos válidos, pela rodada mais recente

  • Lula51%
  • Flávio Bolsonaro48%

Datafolha, 15 a 17 de setembro, registro TSE BR-04029/2026, convertido a votos válidos

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