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Eleição 2026: o empate atravessa a semana da crise na PF
O texto de sábado da série lê a semana inteira dentro do processo: a crise da Polícia Federal avocada pela presidência do Supremo, seis pesquisas nacionais registradas, a candidatura de Marçal barrada por unanimidade, o giro do presidente pelo Sul e o silêncio de Washington. Cinco medições cabem na faixa do empate, e a primeira rodada colhida inteiramente depois da crise sai na segunda-feira, véspera do plenário que decide quem comanda a PF.
Leituras
- A semana de crise aberta dentro do Supremo não moveu um ponto nas pesquisas colhidas até quinta: cinco medições seguem na faixa do empate, e a Gerp permanece isolada fora dela.
- Fachin transformou a crise em calendário: ao avocar os processos e marcar o plenário para terça, tirou a disputa das decisões individuais e a devolveu ao colegiado, quatro dias antes do primeiro debate.
- É fato que o presidente anunciou encontro com Trump na ONU no dia 23; é leitura possível, não fato, que o silêncio de Washington dure só até essa conversa acontecer ou fracassar.
Atualização, 19h25. O comício de Curitiba aconteceu na manhã deste sábado na Boca Maldita, o calçadão central da cidade. O Plural, site de jornalismo de Curitiba, contou cerca de 15 mil pessoas; a organização falou em 20 mil, no registro do Bandab, site de notícias de Curitiba. O discurso mirou o eleitorado feminino: o presidente listou medidas para mulheres e disse que elas não podem ficar subordinadas a homens de comportamento grosseiro, segundo o Diário do Grande ABC, o jornal do ABC paulista.
Na cúpula do BRICS, o grupo dos grandes países emergentes, o chanceler Mauro Vieira representou o presidente, e os líderes aprovaram por unanimidade a Declaração de Nova Délhi, que rejeita sanções unilaterais sem citar os Estados Unidos. Para a série, o fato novo é o preço de agenda que a campanha aceitou pagar: o documento sobre o tema que atravessa a hipótese Brasil foi assinado sem o presidente na foto. Se a ausência custa ou rende voto, nenhuma pesquisa mediu ainda. O que está medido não mudou: o empate segue, e as primeiras rodadas inteiramente colhidas depois da crise do Supremo saem na segunda-feira.
Atualização, 02h55. O primeiro debate presidencial não acontece nesta segunda-feira, e este texto errou ao mantê-lo na agenda. O consórcio Momento da Decisão, formado por onze veículos, entre eles CNN Brasil, o SBT, a emissora paulista, a RedeTV!, o Terra e a Veja, cancelou o debate em 8 de setembro. O cancelamento veio depois que Lula e Flávio Bolsonaro não confirmaram presença no prazo, encerrado no dia 7. O registro é do Metrópoles, o site de notícias de Brasília. A campanha do presidente optou por não participar; o senador condicionou a ida à presença do adversário. O item foi corrigido no “O que observar”, e os debates da Record, no dia 27, e da Globo, em 1º de outubro, seguem marcados, sem confirmação dos dois.
Atualização, 02h55. Para a série, o que segue de pé nesta segunda são as pesquisas Genial/Quaest e BTG/Nexus, as primeiras colhidas inteiramente depois da crise na Polícia Federal, que o COMPASSO acompanha desde 8 de setembro. Na terça, às 10h, o plenário do Supremo decide quem comanda a PF. Sem debate marcado até o dia 27, cada campanha controla o que o eleitor vê do adversário, e o eleitor perde a comparação direta: um grau de liberdade a menos na decisão de outubro.
Este é o texto de sábado da série Eleição 2026, que lê as movimentações da corrida, internas e externas, como um processo único e acumulado. O texto de ontem fechou com o presidente trocando a reunião do BRICS, o grupo dos grandes países emergentes, por comícios no Sul, como o COMPASSO registrou na sexta-feira. A semana que termina foi a mais densa da campanha até aqui. Teve crise aberta dentro do Supremo, seis pesquisas nacionais, uma candidatura barrada e a economia entrando no discurso com prazo de validade. Nenhum desses movimentos, até agora, tirou a corrida do lugar em que a série a lê desde o dia 9: um empate.
Os movimentos da semana, de dentro e de fora
A crise institucional dominou. Na terça, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, alegando monitoramento ilegal, como o COMPASSO registrou no dia 8. Na quinta, o ministro Flávio Dino o reintegrou por decisão individual. O presidente da corte, Edson Fachin, cassou as duas decisões, chamou os processos para a presidência e manteve Rodrigues no cargo, como o COMPASSO registrou na quinta-feira. Na sexta, dentro do prazo, Rodrigues negou monitoramento ilegal. Os relatórios seriam análises regulares de inteligência, enviadas ao Supremo por ordem judicial do ministro Alexandre de Moraes. A resposta está no ND Mais, o portal catarinense de notícias. O plenário decide em sessão extraordinária na terça-feira, dia 15, às 10h. No mesmo período, Mendonça retirou o sigilo de 15 procedimentos do caso Master, a investigação sobre o Banco Master, o banco liquidado em 2025 cujas mensagens alcançam o ministro Moraes. Moraes apontou exclusão de 180 documentos no levantamento, e Mendonça rebateu, segundo o site jurídico Migalhas.
O TSE mexeu na cédula. Na sexta, por unanimidade, o tribunal barrou o registro de Pablo Marçal, inelegível até 2032 e filiado fora do prazo, segundo a revista Oeste, que cobre a direita. Seis chapas presidenciais já estão deferidas, entre elas as de Lula e de Flávio Bolsonaro. O registro de Renan Santos, do partido Missão, saiu de pauta por diligências. Nas ruas, o presidente abriu o giro pelo Sul. Foram cerca de 28 mil pessoas em Porto Alegre na sexta, pela conta da organização, e comício em Curitiba na manhã deste sábado. Florianópolis foi adiada para o dia 19, mesma data do ato de Flávio Bolsonaro em Santa Catarina, segundo a Gazeta do Povo. O senador passa o sábado no interior fluminense. Em Porto Alegre, Lula fez o primeiro discurso direto sobre a pressão externa. "Nenhum presidente de outro país vai meter o bedelho nas nossas eleições", disse, segundo o Brasil de Fato, site lido à esquerda. E anunciou que pretende se encontrar com Donald Trump no dia 23, na Assembleia Geral da ONU. A Casa Branca não confirmou o encontro. Washington atravessou mais uma semana sem citar a eleição. A OFAC, o escritório do Tesouro americano que aplica sanções, seguiu agindo sobre outros alvos sem mencionar o Brasil, no padrão que a série acompanha desde o especial Depois de Caracas: a hipótese Brasil.
Seis pesquisas, um número
A semana empilhou medições registradas no TSE. A Genial/Quaest (registro BR-01720/2026) abriu com 41% a 41% no eventual segundo turno. A BTG/Nexus, do banco BTG Pactual com o instituto Nexus, pôs o senador à frente por 46% a 45%, dentro da margem. A AtlasIntel (BR-01452/2026) mediu 46,4% a 46,2%, empate com margem de um ponto. A Palver (BR-05420/2026) deu 46% a 44% para o senador, também na margem. O Datafolha de sexta (registro BR-01833/2026, 2.002 entrevistas de 8 a 10 de setembro) devolveu 46% a 44% para o presidente. São os mesmos números da rodada anterior. A exceção segue sendo a Gerp, com vantagem de 7 pontos para o senador, fora da margem e isolada, como o COMPASSO registrou na quinta-feira. A imprensa vizinha registrou o quadro com a distância de fora. "A menos de um mês das eleições, uma nova pesquisa mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados", resumiu o site argentino Infobae, em espanhol, sobre a rodada da AtlasIntel.
Votos válidos são a conta que exclui brancos, nulos e indecisos, a mesma que o TSE usa na apuração. Nessa conta, as cinco medições da faixa central cabem entre 51% a 49% para um lado e 51% a 49% para o outro. A leitura acumulada da série não muda: empate. No primeiro turno, o presidente segue à frente por 4 a 7 pontos nos institutos de maior histórico. O que a semana acrescentou foi um teste. A crise do Supremo, o afastamento do chefe da PF e a operação contra um deputado aliado do senador não moveram, até o campo de quinta, um ponto sequer. As rodadas de segunda da Quaest (campo de 10 a 13) e da Nexus (11 a 13) serão as primeiras inteiramente colhidas depois da crise e da trava na gasolina. É nelas que qualquer efeito aparece primeiro.
Os interesses por trás dos movimentos
Lido pela renda, o quadro da semana é coerente. O capital financeiro comprou o empate como cenário. O Bank of America elevou a recomendação para ações brasileiras apostando em ajuste fiscal a partir de 2027, seja qual for o vencedor, como o COMPASSO registrou na quarta-feira. O governo usa o Tesouro para segurar o preço mais visível da guerra. O corte de tributos da gasolina custa cerca de 2 bilhões de reais por mês e vence um dia depois do primeiro turno, como o COMPASSO registrou na sexta-feira. O trabalho vê a inflação ceder agora, com deflação de 0,32% em agosto. E paga depois, porque a trava sai da conta junto com o voto. O campo do senador converteu a crise da corte em combustível de mobilização. O impeachment de Moraes é pauta declarada desde o Sete de Setembro, como o COMPASSO registrou no feriado. E a ausência do presidente na reunião do BRICS em Nova Délhi, o grupo dos grandes países emergentes, diz onde a campanha vê mais votos em disputa: na região Sul, onde o adversário venceu em 2022 com folga.
O que observar até 4 de outubro
Segunda, dia 14: saem as pesquisas Quaest e Nexus pós-crise. O debate do consórcio Momento da Decisão, antes previsto para esta data, foi cancelado em 8 de setembro sem a confirmação de Lula e Flávio Bolsonaro, segundo o Metrópoles, o site de notícias de Brasília. Terça, dia 15: sessão extraordinária do Supremo sobre a crise da Polícia Federal e o caso Master, às 10h. Começa a reunião do Copom, o comitê de juros do Banco Central. Quarta, dia 16: decisão da Selic e decisão do Federal Reserve, o banco central americano, no mesmo dia, com o diesel americano em recorde. Sábado, dia 19: os dois candidatos em Santa Catarina, no mesmo dia, em atos separados. Dia 23: a Assembleia Geral da ONU, onde o presidente diz que pretende encontrar Trump. Dia 27: debate da Record e do Estadão. Dia 30: a reunião ministerial do tarifaço em Milwaukee, à margem do encontro de comércio do G20. Dia 1º de outubro: debate da Globo. Dia 4: o primeiro turno. A variável que segue sem medição é o destino do eleitor de Augusto Cury, entre 6% e 8% nas rodadas da semana. Nenhum instituto publicou ainda o cruzamento do segundo turno por voto de primeiro turno.
Fontes
STF, nota à imprensa (a avocação dos processos e o plenário de terça, documento primário) · Gazeta do Povo (o Datafolha de sexta, registro TSE BR-01833/2026) · Diário do Grande ABC (a decisão unânime do TSE sobre Marçal) · Revista Oeste (a mesma decisão, lida à direita) · Brasil de Fato (o comício de Porto Alegre, lido à esquerda) · ND Mais (a resposta de Andrei Rodrigues a Fachin) · Migalhas (a disputa sobre o sigilo do caso Master) · Gazeta do Povo (o adiamento de Florianópolis para o dia 19) · Infobae, em espanhol (a corrida vista da Argentina) · Washington Post (a crise da corte vista dos Estados Unidos) · Bloomberg (a leitura do mercado sobre a semana) · OFAC (as ações recentes do escritório de sanções, documento primário) · Itamaraty (a nota oficial sobre a cúpula do BRICS, documento primário) · Band (o calendário dos debates do primeiro turno)
O eventual segundo turno em votos válidos, pela rodada mais recente
- Lula51%
- Flávio Bolsonaro48%
Datafolha, 8 a 10 de setembro, registro TSE BR-01833/2026, convertido a votos válidos
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