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Arquitetura de segurança · Análise

Eleição 2026: Fachin assume a crise e a gasolina espera o voto

Em vinte e quatro horas, o presidente do Supremo cassou as decisões dos dois lados da crise, manteve Andrei Rodrigues no comando da Polícia Federal e marcou o plenário para terça-feira. A Gerp trouxe a primeira pesquisa com vitória fora da margem para Flávio Bolsonaro, isolada ante o empate dos demais institutos. E um decreto congelou o preço da gasolina até um dia depois do primeiro turno, com o barril de guerra acima de 105 dólares.

Por COMPASSO10 de setembro de 2026atualizado em 11 de setembro às 2h5612 min de leituraTabuleiro: Arquitetura de segurança

Leituras

  1. Ao cassar as duas decisões e chamar a crise para a presidência, o presidente do Supremo manteve o chefe da Polícia Federal no cargo e marcou para terça-feira 15 a palavra do colegiado.
  2. A Gerp é a primeira pesquisa com vitória fora da margem para o senador, mas está isolada: as demais medições seguem em empate técnico, e a leitura da casa continua em 50 a 50.
  3. O decreto que corta imposto da gasolina até um dia depois do primeiro turno transfere a conta do barril de guerra do eleitor para o Tesouro, e o custo fiscal chega depois do voto.

Atualização, 19h20. A AtlasIntel publicou no fim da tarde, em parceria com a agência financeira Bloomberg, os números nacionais que o texto esperava. No eventual segundo turno, Flávio Bolsonaro aparece com 46,4% e Lula com 46,2%, empate técnico com margem de um ponto. Em votos válidos, a conta que exclui brancos, nulos e indecisos, o resultado é 50,1% a 49,9% para o senador. No primeiro turno, Lula tem 43%, o senador tem 37,4%, o escritor Augusto Cury tem 6,6% e Renan Santos, do partido Missão, tem 6,5%. O registro no TSE é o BR-01452/2026, o mesmo já citado no texto. Os números são os publicados pelo site Brasil de Fato e pela revista Oeste.

O movimento contra a rodada anterior é o dado novo. Em 31 de agosto, o mesmo instituto media vitória de Lula por 47,1% a 42,6% no segundo turno; a vantagem de 4,5 pontos virou empate em dez dias. A leitura acumulada do texto muda num ponto. A AtlasIntel deixa de ser o extremo favorável a Lula e passa a medir o mesmo empate dos institutos Quaest e Ideia, detalhados abaixo. A rodada do instituto Gerp, com o senador 7 pontos à frente, fica sozinha no outro extremo. O número honesto segue sendo 50 a 50, agora com mais uma medição na faixa do empate.

A quinta-feira terminou com dois fatos ligados ao texto. O ministro Flávio Dino proibiu o deputado Mario Frias de deixar o país e mandou recolher o passaporte dele, um desdobramento da Operação Make Up descrita abaixo; o deputado nega irregularidades, segundo a rádio e site Jovem Pan. E o pregão fechou em alta de 1,42%, aos 188.268 pontos. O dólar caiu 0,18%, a R$ 5,10. Operadores citaram a pesquisa nova e o petróleo, segundo o site financeiro InfoMoney.

Atualização, 02h56. O registro que faltava à pesquisa Palver foi localizado. A rodada divulgada pela CNN Brasil consta do TSE sob o número BR-05420/2026, com 5.000 entrevistas pela internet de 4 a 8 de setembro e margem de 2,5 pontos, segundo o site jurídico JOTA. Em votos válidos, a conta que exclui brancos, nulos e indecisos, os 46% a 44% do senador viram 51,1% a 48,9%. A diferença segue dentro da margem. Com o registro confirmado, a série passa a computar a rodada, e o trecho abaixo que a deixava de fora foi corrigido. A leitura acumulada se mantém: quatro medições na faixa do empate (Quaest, Meio/Ideia, AtlasIntel e Palver) e a Gerp sozinha com vantagem fora da margem.

O texto de ontem desta série fechou com o referendo do afastamento suspenso por um pedido de vista, como o COMPASSO registrou na quarta-feira. A crise não esperou a vista. Em vinte e quatro horas, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, cassou as decisões dos dois lados. Chamou o caso para a presidência e manteve Andrei Rodrigues no comando da Polícia Federal. No mesmo período, chegou a primeira pesquisa com vitória fora da margem para o senador Flávio Bolsonaro. A Polícia Federal fez buscas contra um deputado aliado do senador. E um decreto congelou o preço da gasolina até um dia depois do primeiro turno.

A presidência do Supremo chama a crise para si

A sequência foi rápida. Na tarde de quarta-feira, o ministro Flávio Dino decidiu sozinho, em decisão monocrática, a que um ministro toma sem o colegiado. Ele reintegrou Andrei Rodrigues, o diretor-geral da Polícia Federal afastado na semana passada pelo ministro André Mendonça, como o COMPASSO registrou na terça-feira. Eram duas decisões opostas de dois ministros em menos de um dia. No fim da tarde, Fachin suspendeu as duas e avocou os procedimentos, ou seja, chamou o caso para a presidência da corte. Fachin deu 48 horas para Andrei prestar informações. Pediu manifestações de Mendonça, de Alexandre de Moraes, do procurador-geral Paulo Gonet e do próprio Andrei em cinco dias úteis. E marcou sessão do plenário para terça-feira, 15. O fundamento declarado: decisões divergentes em sequência criavam risco de grave dano à ordem pública, segundo o site Brasil 247 e o diário argentino Infobae. O resultado prático é que Andrei segue no cargo. Antes disso, onze diretores da Polícia Federal tinham posto os cargos à disposição em apoio a Andrei, conforme a Agência Brasil, a agência estatal de notícias. E a Advocacia-Geral da União tinha recorrido argumentando que nomear e exonerar o diretor-geral é prerrogativa do presidente da República, segundo o site Poder360, de Brasília.

Na mesma noite, Fachin retirou de Moraes a relatoria do inquérito das fake news, segundo o jornal Estado de Minas. O inquérito foi aberto em 2019 para investigar ataques ao próprio tribunal e estava com Moraes desde então. Os atos anteriores foram preservados. A investigação que Moraes havia incluído nesse inquérito contra o colega Mendonça foi remetida à presidência. Toda a crise nasce do caso Master, a investigação sobre o Banco Master, liquidado em 2025. Ela alcançou mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e a Moraes, como o texto de terça-feira detalha. Com a avocação, os dois trilhos da crise, o comando da Polícia Federal e as mensagens, convergem para a presidência da corte e para a sessão de terça.

Na manhã desta quinta-feira, a Polícia Federal sob esse comando disputado fez uma operação com endereço político. A Operação Make Up cumpriu 49 mandados de busca contra o deputado Mario Frias, do PL, o partido do ex-presidente, por São Paulo. Frias foi secretário de Cultura do governo Bolsonaro. O outro alvo é a produtora de um filme sobre o ex-presidente. A suspeita é de desvio de emendas parlamentares, as verbas que os congressistas destinam no Orçamento. R$ 2 milhões teriam ido a um instituto ligado à produtora, segundo o site financeiro InfoMoney. A autorização veio de Flávio Dino, o mesmo ministro da reintegração cassada na véspera. É fato que a operação foi autorizada no Supremo; é leitura possível, e não fato, que o momento escolhido tenha alvo eleitoral.

Quatro rodadas em dois dias e a primeira vitória fora da margem

A rodada do instituto Gerp, divulgada na quarta-feira, é a primeira da corrida com um vencedor fora da margem de erro. No eventual segundo turno, Flávio Bolsonaro aparece com 47% contra 40% de Lula, sete pontos de diferença. Em votos válidos, a conta que exclui brancos, nulos e indecisos e que o TSE usa na apuração, dá 54% a 46%. No primeiro turno, o senador aparece numericamente à frente: 36,6% contra 34,4%, com o escritor Augusto Cury em 6%. A pesquisa tem registro no TSE (número BR-00251/2026), campo de 3 a 8 de setembro, 2.400 entrevistas por telefone e margem de dois pontos. Os números são os publicados pela revista Exame e pelo site Poder360.

O problema é que a Gerp está sozinha. A pesquisa Meio/Ideia, do instituto Ideia para a newsletter Meio, mediu empate técnico no primeiro turno: Lula com 38,4%, o senador com 37,3%, segundo o jornal Estado de Minas. O registro é o BR-07935/26 (campo de 4 a 7 de setembro, 1.500 entrevistas, margem de 2,5 pontos). A estreante Palver divulgou pela CNN Brasil um segundo turno de 46% a 44% para o senador, também empate técnico. O registro no TSE é o BR-05420/2026, com 5.000 entrevistas pela internet de 4 a 8 de setembro e margem de 2,5 pontos; em votos válidos, dá 51,1% a 48,9%, empate técnico. A AtlasIntel pôs em campo a maior rodada da semana (registro BR-01452/2026, 5.000 entrevistas de 4 a 9 de setembro, margem de um ponto). Os números nacionais não tinham sido publicados até o começo desta tarde. Na rodada anterior do mesmo instituto, de 31 de agosto, Lula vencia o segundo turno por 47,1% a 42,6%.

O que isso muda na leitura acumulada: menos do que parece. A fotografia central continua sendo o empate da Quaest, 41% a 41%, detalhado no texto de ontem, agora acompanhado por Meio/Ideia e Palver na mesma faixa. A Gerp entra como o novo extremo de um problema que a casa já tinha fixado quando dois institutos divergiram sobre o mesmo eleitorado, em 4 de setembro. Entre a Gerp, com o senador à frente por 7 pontos, e a AtlasIntel de agosto, com Lula à frente por 4,5, a distância passa de 11 pontos. É mais do que a soma das margens. Divergência desse tamanho é efeito de casa, de método e ponderação, e não movimento do eleitorado. As outras camadas seguem como ontem. O precedente de 2022 autoriza cerca de 1 ponto a favor do senador no segundo turno. A transferência dos eliminados vale de 1,5 a 3 pontos na mesma direção. O número honesto continua 50 a 50, com incerteza maior. O dado que decidiria, o destino do eleitor de Augusto Cury no segundo turno, segue sem medição por nenhum instituto.

A gasolina congelada e os interesses em movimento

A conta do barril chegou primeiro ao governo. Depois que o petróleo passou dos 100 dólares, como o COMPASSO registrou na quarta-feira, a Petrobras anunciou reajuste de R$ 0,19 por litro na gasolina vendida às distribuidoras. Na sequência, Lula assinou decreto cortando R$ 0,63 por litro dos tributos federais (PIS/Cofins) sobre a gasolina e zerando o do etanol, segundo a revista Exame. A vigência vai de 10 de setembro a 5 de outubro, um dia depois do primeiro turno. O resultado líquido é o preço parado na bomba. O diesel segue com subvenção renovada até 26 de setembro.

Pela regra de ganhos e perdas da casa, a conta se distribui assim. O consumidor de combustível ganha agora. O Tesouro perde agora e depois, em arrecadação que deixa de existir justamente com o barril no maior nível do ano. O capital da Petrobras fica protegido da defasagem por uma decisão datada, e a data é eleitoral. O comércio de combustível passa a depender de decreto, não de regra. No financiamento de campanha, o movimento da semana tem nome e fator de produção. Erasmo Battistella, empresário do biodiesel, doou R$ 500 mil para cada um dos dois principais candidatos, segundo a coluna Esplanada, da Gazeta do Povo. É o capital da energia comprando acesso aos dois desfechos ao mesmo tempo. No agregado das prestações de contas ao TSE, Flávio Bolsonaro lidera a arrecadação com R$ 44,3 milhões. Lula soma R$ 35,9 milhões, 97% vindos do fundo eleitoral repassado pelo PT, o partido do presidente.

O mercado seguiu comprando a corrida apertada. Na metade do pregão desta quinta-feira, a bolsa subia quase 1%, na máxima intradiária de 188 mil pontos. O dólar caía a R$ 5,09, com o noticiário eleitoral citado pelos operadores, segundo o site financeiro InfoMoney. De Washington, silêncio pelo segundo dia: nenhuma sanção, declaração ou gesto sobre a crise do Supremo. A atenção americana está na guerra e na inflação ao produtor de agosto, de 5,4% em doze meses. A leitura de que esse silêncio é escolha, e não distração, segue sendo inferência da casa, ancorada no especial que originou a série. A vizinhança tratou o dia como assunto de eleição: o diário argentino Infobae descreveu, em espanhol, um presidente de tribunal que freou o enfrentamento entre juízes a um mês do voto.

O que observar até 4 de outubro

Sexta-feira, 11: o IPCA de agosto sai às 9h, com deflação em torno de 0,3% no consenso. No mesmo dia vence o prazo original das manifestações no caso das mensagens. A avocação de Fachin pode ter absorvido esse prazo, e a dúvida deve se resolver nos próximos dias. Sábado e domingo, 12 e 13: a cúpula do BRICS, o grupo dos emergentes, em Nova Délhi, com o Brasil entre os membros e Xi Jinping presente. Segunda, 14: fim do prazo do TSE para os registros de candidatura; a pendência viva é o registro de Renan Santos, do Missão. Terça, 15: o plenário do Supremo encara a crise em sessão marcada por Fachin. Terça e quarta, 15 e 16: Copom e Federal Reserve decidem juros. A inflação ao produtor americana fez o mercado ver chance de alta, e juro americano mais alto pressiona o câmbio daqui. Dia 24: Xi em Washington. Dia 30: a reunião ministerial do tarifaço em Milwaukee, com os ministros brasileiros. E 4 de outubro: o primeiro turno. Até lá, o preço na bomba fica travado por decreto. O custo da trava, com o Brent acima de 105 dólares, aparece primeiro na arrecadação e só depois nos índices de preço.

Fontes

TSE (o sistema oficial de registro de pesquisas, documento primário) · TSE, DivulgaCandContas (as prestações de contas de campanha, documento primário) · Poder360 (o segundo turno da Gerp, com o registro) · Exame (o primeiro turno da Gerp) · Estado de Minas (a Meio/Ideia e a retirada da relatoria) · Brasil 247 (a decisão de Fachin, lida à esquerda) · Gazeta do Povo (as doações duplas, lida à direita) · Agência Brasil, a agência estatal de notícias (os diretores da Polícia Federal) · InfoMoney (a Operação Make Up e o pregão) · Poder360 (o recurso da Advocacia-Geral da União) · Infobae, em espanhol (a crise do Supremo vista da vizinhança)

Os outros textos do dia: Um pesquisador deixa a Anthropic e fala em risco de extinção · O combustível vira arma em três continentes no dia 195 · Clima: a chance de um El Niño histórico sobe a 75%.

O eventual segundo turno na rodada nova da Gerp, o extremo isolado da semana

  • Flávio Bolsonaro47%
  • Lula40%

Pesquisa Gerp, 2.400 entrevistas de 3 a 8 de setembro, margem de 2 pontos, registro TSE BR-00251/2026; é a única rodada com vantagem fora da margem, ante o empate técnico de Quaest, Meio/Ideia e Palver

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