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Eleição 2026: a terceira pesquisa empata e o Supremo se divide
A terceira pesquisa colhida inteiramente depois da crise da Polícia Federal saiu nesta terça: a Indexa mediu 43% a 42% para Lula no segundo turno, dentro da margem, devolvendo o sinal que a Quaest havia invertido. No mesmo dia, o plenário do Supremo passou a manhã discutindo o caso Moraes sem proferir um voto: dois ministros se declararam fora do julgamento, os demais trocaram acusações em público, e a decisão de mérito tende a ficar para o dia 23. Washington segue em silêncio oficial, com sanções em conversa de bastidor.
Leituras
- A terceira pesquisa pós-crise deu 43% a 42% para o presidente: duas das três rodadas devolveram o sinal anterior, e a virada da Quaest fica registrada, por ora, como oscilação dentro da margem.
- O plenário do Supremo passou a manhã dividido em público e sem voto: dois ministros se declararam fora do julgamento, e o mérito, incluindo o comando da PF, tende a ficar para o dia 23.
- Washington manteve o silêncio oficial, mas a imprensa registra que sanções contra Moraes voltaram à conversa em bastidores, à espera do desfecho: é apuração de bastidor, não ato de governo.
Atualização, 19h16. O plenário do Supremo retomou a sessão às 15h30 e terminou a tarde sem decidir nada sobre o mérito. Os ministros votaram a questão de ordem de Gilmar Mendes, a proposta de reunir num só processo as apurações sobre Alexandre de Moraes e André Mendonça. A votação terminou empatada em 4 a 4, segundo a cobertura ao vivo do Congresso em Foco, o site de notícias que acompanha o Congresso e o Judiciário. Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e o próprio Moraes votaram pela unificação. Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram contra.
Flávio Dino pediu vista, o pedido que suspende o julgamento para exame mais demorado do caso, depois de uma troca de acusações entre Gilmar Mendes e André Mendonça em plenário. Cármen Lúcia pediu desculpas "ao povo brasileiro" pela crise. Com o empate e a vista, a relatoria da petição segue com a presidência da corte, e as duas apurações convergem para a sessão do dia 23. É a data que a lista de observação abaixo já trazia. O registro do pedido de Dino pela análise conjunta está também no O Tempo, o jornal de Belo Horizonte.
O que muda na leitura: nada se decidiu, e é isso que pesa. É leitura possível, não fato, que mais uma semana de crise aberta mantenha a agenda da eleição no terreno da corte, o cenário que o texto abaixo descreve como preferido pelo campo do senador. A hipótese alternativa, um desfecho por maioria clara, ficou adiada para o dia 23, a onze dias do primeiro turno.
Este é o texto do dia da série Eleição 2026, que lê as movimentações da corrida, internas e externas, como um processo único e acumulado. O texto de segunda fechou com dois compromissos para esta terça: a sessão plenária do Supremo Tribunal Federal, marcada para as 10h, e a espera pelas próximas pesquisas. Os dois compromissos se cumpriram, cada um do seu jeito. A sessão aconteceu e atravessou a manhã sem um único voto. E a terceira pesquisa colhida inteiramente depois da crise da Polícia Federal chegou com mais um empate.
Os movimentos desde segunda
A pesquisa é da Indexa, contratada pela Agência Estado, com registro no TSE de número BR-03482/2026. Ouviu 2.000 eleitores entre 10 e 13 de setembro, com margem de 2,2 pontos. Na simulação de segundo turno, Lula marcou 43% e Flávio Bolsonaro, 42%. No primeiro turno estimulado, o presidente tem 38%, o senador tem 34%, Augusto Cury marca 6%, Ronaldo Caiado 4%, Renan Santos 3% e Romeu Zema 1%. Os números estão na Tribuna do Paraná, que reproduziu o levantamento da agência. É a terceira rodada com campo inteiramente posterior à crise da PF. As duas primeiras foram registradas no texto de segunda: a Quaest deu 42% a 40% para o senador, e a Nexus, do banco BTG Pactual, deu 47% a 46% para o presidente.
O segundo movimento foi a sessão do Supremo, e ela mudou de natureza antes de começar. O texto de segunda esperava para hoje a decisão sobre o comando da Polícia Federal. A pauta real da manhã foi outra. O plenário discutiu o caso Moraes: a petição com o relatório da PF sobre as 52 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, o ex-dono do Banco Master, ao ministro Alexandre de Moraes. O caso do afastamento de Andrei Rodrigues, o diretor-geral da PF, foi remarcado para o dia 23, e ele segue no cargo por decisão da presidência da corte, como o COMPASSO registrou no sábado.
Edson Fachin, o presidente do Supremo, abriu a sessão dizendo que a corte julga "fatos, não pessoas". Ele leu por cerca de 40 minutos o relatório do caso, segundo a Agência Brasil, a agência estatal de notícias. Dois ministros saíram do julgamento logo no início: Kassio Nunes Marques se declarou impedido, e Dias Toffoli se declarou suspeito. Os que ficaram discutiram em público. Gilmar Mendes pediu que se "separe o Supremo das eleições" e acusou condução político-eleitoral do caso. André Mendonça, autor da decisão que afastou o chefe da PF, respondeu: "não aponte o dedo para mim". Moraes perguntou "quem tem medo da Polícia Federal?". Luiz Fux falou em uma "PF paralela" para monitorar ministros. Flávio Dino alertou para uma "avenida de autoritarismo" e sugeriu julgar tudo junto no dia 23. Os registros são do Migalhas, o site jurídico. Perto das 13h, a sessão foi interrompida sem deliberação, para retomada à tarde. Ficou pendente uma questão de ordem de Fachin com cinco pontos: suspender os processos em curso, reunir as duas petições do caso, certificar impedimentos, redistribuir a relatoria e marcar o mérito para o dia 23.
Duas posições jurídicas emolduraram a manhã. A Procuradoria-Geral da República sustenta que o relatório da PF é nulo, porque foi produzido sem autorização prévia do Supremo para investigar autoridade com foro, segundo o Metrópoles, o site de notícias de Brasília. A defesa de Moraes, em manifestação de 44 páginas, afirma que "não há nenhuma, absolutamente nenhuma mensagem de autoria do ministro" indicando consultoria ao banqueiro, segundo a Brasil de Fato, site lido à esquerda. Do outro lado do espectro, o editorial da Gazeta do Povo, jornal lido à direita, escreveu que "o único desfecho aceitável é a abertura da investigação e o afastamento de Moraes". A crise vista de fora ganhou registro da agência AP, em espanhol: uma corte que decide, pela primeira vez, se investiga um dos próprios ministros.
A campanha se moveu em volta da sessão. Flávio Bolsonaro disse na segunda, em Belém, que torce pelo afastamento de Moraes e que a terça seria "vital" para o Brasil "voltar a respirar". Disse ainda que "quem vota no Lula está vendo que está votando em Alexandre de Moraes". Os registros são do Poder360, o site de notícias de Brasília. À noite, ele comanda ato de campanha em Fortaleza. Lula não fez evento de rua. A agenda oficial desta terça trouxe a sanção do regime especial de tributação para data centers e reunião com o ministro da comunicação. Os aliados receberam orientação de não comentar o julgamento antes do resultado. Romeu Zema, candidato do Novo, fez ato pela manhã em frente ao Supremo. E Washington, pelo padrão que a série acompanha desde o especial Depois de Caracas, seguiu sem declaração oficial. No UOL, o portal de notícias, a coluna diplomática registrou que autoridades americanas avaliam retomar sanções contra Moraes a depender do desfecho da sessão, e que Eduardo Bolsonaro e o comentarista Paulo Figueiredo viajam amanhã a Washington. É apuração de bastidor, sem ato nem declaração de governo até o fechamento.
O que a rodada muda na leitura
Primeiro, a conta. Votos válidos são a conta que exclui brancos, nulos e indecisos, a mesma que o TSE usa na apuração. Nela, o 43% a 42% da Indexa vira 50,6% a 49,4% para o presidente. As três rodadas pós-crise ficam assim, todas dentro das próprias margens: Quaest, 51,2% a 48,8% para o senador; Nexus, 50,5% a 49,5% para o presidente; Indexa, 50,6% a 49,4% para o presidente. O teste que o texto de segunda deixou armado se resolveu: duas das três rodadas devolveram o sinal anterior, e a virada da Quaest fica registrada, por ora, como oscilação amostral. O empate que a série lê desde 9 de setembro continua de pé, como registrado na estreia da série. No primeiro turno, a vantagem do presidente na Indexa, 4 pontos, fica no piso da faixa de 4 a 7 que os institutos vêm mostrando em válidos.
Segundo, o Supremo. É fato que a corte passou a manhã dividida em público, com dois ministros fora do julgamento e o resultado em aberto. É leitura possível, não fato, que cada semana de crise institucional no noticiário desloque a agenda da eleição do bolso para a corte, o terreno em que o campo do senador prefere jogar. A leitura alternativa, igualmente compatível: um desfecho que abra a investigação por maioria clara esvaziaria o argumento de corte blindada, e devolveria o tema à Justiça, fora do horário eleitoral. Os dados de pesquisa, por enquanto, não separam as duas hipóteses: três rodadas pós-crise, três empates. A variável que decide a eleição na leitura da série continua sendo o destino do eleitor de Augusto Cury no segundo turno, e esse cruzamento seguia sem publicação nesta terça. A estimativa acumulada não muda: primeiro turno com o presidente à frente, segundo turno 50 a 50.
Os interesses por trás dos movimentos
Lido pela renda, o dia repete o desenho da semana. O caso Master segue pressionando os dois campos no mesmo processo: as mensagens que citam o ministro e o inquérito do filme Dark Horse, que mira o senador, como o COMPASSO registrou na segunda. O capital financeiro segue comprando o empate como cenário: a bolsa tratou o equilíbrio como notícia boa desde a primeira rodada empatada, como o COMPASSO registrou no dia 8, com aposta de ajuste fiscal seja qual for o vencedor. O trabalho tem o dia decisivo amanhã: o Copom, o comitê de juros do Banco Central, decide horas antes do Federal Reserve, com o petróleo de guerra no frete e a gasolina segurada pelo Tesouro até depois do primeiro turno. E o campo do senador mantém a crise da corte como combustível de mobilização, com o impeachment de Moraes como pauta declarada desde o Sete de Setembro, como o COMPASSO registrou no feriado.
O que observar até 4 de outubro
- Nesta terça à tarde: a votação da questão de ordem de Fachin, que define suspensão dos processos, relatoria e a data do mérito.
- Quarta, dia 16: decisão do Copom e do Federal Reserve no mesmo dia; Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo em Washington, segundo a coluna do UOL.
- Nos próximos dias: o próximo Datafolha, a rodada da Real Time Big Data e o cruzamento que diga para onde vai o eleitor de Augusto Cury.
- Sábado, dia 19: os dois candidatos em Santa Catarina, em atos separados.
- Quarta, dia 23: o mérito do caso Moraes e o caso do comando da PF no plenário; no mesmo dia, a Assembleia Geral da ONU abre o debate de líderes.
- Dia 24: Xi Jinping em Washington, com a eleição brasileira fora da pauta declarada.
- Dia 27: debate da Record e do Estadão; dia 30: reunião ministerial do tarifaço entre Brasil e Estados Unidos, em Milwaukee; 1º de outubro: debate da Globo; dia 4: o primeiro turno.
Fontes
Tribuna do Paraná (a rodada da Indexa, registro TSE BR-03482/2026) · TSE (o quadro das 12 candidaturas, documento primário) · Agência Brasil, a agência estatal de notícias (a abertura da sessão) · Agência Brasil (a interrupção sem deliberação) · Migalhas, o site jurídico (a questão de ordem e a retomada) · Migalhas (as falas de Gilmar, Mendonça, Moraes e Fux) · Metrópoles, o site de notícias de Brasília (o rito e a posição da PGR) · Brasil de Fato, site lido à esquerda (a defesa de Moraes) · Gazeta do Povo, jornal lido à direita (o editorial sobre a sessão) · AP, em espanhol (a crise vista de fora) · Poder360, o site de notícias de Brasília (as falas de Flávio em Belém) · Poder360 (a orientação de silêncio na campanha do presidente) · O Tempo (as agendas dos candidatos nesta terça) · Brasil 247, site lido à esquerda (os bastidores das sanções, via a coluna diplomática do UOL)
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