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Arquitetura de segurança · Análise

Eleição 2026: a rodada pende a Flávio e a corte fica sem data

Três pesquisas nacionais divulgadas nesta quinta deram vantagem numérica a Flávio Bolsonaro no segundo turno: PoderData, 46% a 44%, AtlasIntel, 47,2% a 46,8%, e Futura, 48,1% a 43,7%, a única fora da margem. No mesmo dia, Edson Fachin cancelou a sessão que julgaria o caso Mendonça no dia 23, e a crise do Supremo ficou inteira sem calendário. Em Washington, documentos revelados mostram que as exigências americanas para aliviar o tarifaço incluíam a eleição de 2026. O Datafolha com campo até esta quinta sai à noite.

Por COMPASSO17 de setembro de 2026atualizado às 19h2512 min de leituraTabuleiro: Arquitetura de segurança

Leituras

  1. As três pesquisas do dia deram vantagem numérica ao senador no segundo turno, e o movimento aparece dentro dos próprios institutos: a série pós-crise, que estava empatada, passa a pender para um lado.
  2. Com o cancelamento da sessão do dia 23, os dois casos da crise ficam sem data a 17 dias do voto: a corte parou de andar, e a eleição corre sem desfecho judicial à vista.
  3. Os documentos revelados mostram que a oferta americana de alívio do tarifaço incluía condições sobre a própria eleição: a pressão externa que a série vigia estava escrita, e o governo a rejeitou.

Atualização, 19h25. Saiu o Datafolha, o teste da rodada, e ele não confirmou a inclinação ao senador. No segundo turno, Lula tem 46% e Flávio Bolsonaro, 44%, o mesmo resultado das duas rodadas anteriores do instituto, segundo a CNN Brasil (o segundo turno no Datafolha). Em votos válidos, dá 51,1% a 48,9% para o presidente. No primeiro turno, Lula marca 39%, Flávio, 36%, e Augusto Cury, 6%; na rodada anterior eram 39% e 35% (o primeiro turno no Datafolha). O campo foi de 15 a 17 de setembro, com 2.002 eleitores, margem de 2 pontos e registro BR-04029/2026 no TSE.

Também entrou na conta do dia a GERP, instituto que não estava na rodada desta manhã. Ela mediu 50% a 43% para o senador no segundo turno, fora da margem de erro, ou 53,8% a 46,2% em votos válidos, segundo a revista de negócios Exame (a rodada da GERP). No primeiro turno, o senador aparece com 40% contra 37% do presidente, empate técnico. Foram 2.400 eleitores ouvidos de 14 a 16 de setembro, margem de 2 pontos e registro BR-00535/2026. A série pós-crise vai a nove medições de segundo turno: seis com vantagem numérica do senador, três com o presidente. A estimativa do texto se mantém: segundo turno 50 a 50, e a dispersão entre institutos volta a ser a marca da corrida.

Em Washington, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo disseram ter se reunido com autoridades da Casa Branca e do Departamento de Estado, sem citar nomes. Eduardo afirmou que o Supremo pode não reconhecer uma vitória do irmão e que, nesse cenário, os Estados Unidos podem, nas palavras dele, “não reconhecer a eleição brasileira e sancionar individualmente esses ministros”. O registro é do Metrópoles, o site de notícias de Brasília (a fala de Eduardo). Flávio negou negociação da eleição com os americanos: “quem resolve a eleição é a gente aqui”. A hipótese de não reconhecimento do resultado, que a série vigiava como risco externo, entrou no discurso público da campanha. O corpo do texto também foi corrigido com o fechamento da bolsa. Ela virou para alta de 0,24% no fim do dia, no que a Exame chamou de trade eleitoral, a compra de ativos na aposta de troca de governo (o fechamento desta quinta). Pesou no outro sentido, pela manhã, o reajuste de 15,04% do Bolsa Família anunciado pelo governo, que reacendeu o temor fiscal, segundo a mesma reportagem.

Este é o texto do dia da série Eleição 2026, que lê as movimentações da corrida, internas e externas, como um processo único e acumulado. O texto de quarta fechou com quatro pesquisas pós-crise empatadas em duas para cada lado. E com o caso Moraes sem data, suspenso pelo pedido de vista de Flávio Dino, o pedido que interrompe um julgamento para exame mais demorado. Nesta quinta, as duas pontas se moveram de novo, e na mesma direção. Três pesquisas novas deram vantagem numérica a Flávio Bolsonaro no segundo turno. Edson Fachin, o presidente do Supremo Tribunal Federal, cancelou a única sessão da crise que ainda tinha data, a do caso Mendonça, marcada para o dia 23. E vieram a público documentos em que o governo americano condicionava o alívio do tarifaço à condução da própria eleição.

Os movimentos desde quarta

Primeiro, as pesquisas. O PoderData, o instituto ligado ao site Poder360, ouviu 3.000 eleitores por telefone de 13 a 16 de setembro. O registro no TSE é o BR-00360/2026. No segundo turno, Flávio Bolsonaro marcou 46% e Lula, 44%. No primeiro turno estimulado, o presidente tem 37% e o senador, 36%, com Augusto Cury em 8%. É a primeira vantagem numérica do senador na série do instituto, que na rodada anterior media 45% a 44%. A AtlasIntel, que colhe por formulário eletrônico, ouviu 5.018 pessoas de 11 a 16 de setembro, com margem de 1 ponto. O registro é o BR-06221/2026. O resultado: 47,2% a 46,8% para o senador no segundo turno. No primeiro, Lula tem 44,1% contra 41,7%, distância de 2,4 pontos. Na rodada anterior do próprio instituto, a distância era de 5,6. A Futura Inteligência ouviu 2.000 eleitores de 11 a 15 de setembro, com margem de 2,2 pontos e registro BR-00749/2026. Mediu 48,1% a 43,7% para o senador, o único resultado do dia fora da margem de erro. O Datafolha registrou pesquisa com campo de 15 a 17 de setembro, registro BR-04029/2026. A divulgação está prevista para esta noite.

Segundo, a corte. Fachin cancelou nesta quinta a sessão extraordinária do dia 23. Ela julgaria o caso Mendonça, a petição que inclui o afastamento de Andrei Rodrigues, o diretor-geral da Polícia Federal afastado por André Mendonça e mantido pela presidência da corte. O COMPASSO registrou o afastamento no sábado. No despacho, o presidente da corte escreveu que os pontos suspensos pela vista de Dino têm “direta relação” com o processo de Mendonça. E que envolvem “questionamento sobre a regularidade da própria relatoria”. Na prática, o caso Mendonça agora espera a devolução da vista, que não tem prazo mínimo e pode durar até 90 dias. O Supremo também cancelou a sessão desta quinta. São quatro sessões canceladas em setembro, três delas sem justificativa pública, segundo O Tempo, o jornal de Belo Horizonte. O jornal registra ainda o grau da troca de agressões entre ministros. Gilmar Mendes chamou Mendonça de “boneco de campanha”; Mendonça acusou Gilmar de “truculência”. Os dois casos da crise, o de Moraes e o de Mendonça, estão sem data a 17 dias do primeiro turno.

Terceiro, Washington. A reunião de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo no Departamento de Estado aconteceu na quarta. Os dois pediram sanções contra Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes, como o texto de quarta registrou em atualização. As audiências previstas na Casa Branca para esta quinta seguiam sem confirmação pública até o fechamento. A informação da agenda é de coluna de bastidor do Metrópoles, o site de notícias de Brasília. Nenhum veículo publicou resultado do encontro, e não houve resposta do governo americano ao pedido. O que houve foram dois documentos. O memorando anual antidrogas de Donald Trump ao Congresso diz que o governo brasileiro “falhou” contra o PCC (o Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho. O texto fala em “centro de distribuição global de cocaína”, mas mantém o Brasil fora da lista formal de países punidos. E reportagens baseadas em documentos obtidos pelo Estadão detalharam as 21 exigências americanas para aliviar o tarifaço de 50%. Entre elas: garantir eleição “justa e livre”, impedir “restrições à participação de dissidentes políticos”, acesso a minerais críticos e comércio digital sem restrições. O governo brasileiro rejeitou o pacote. A negociação ministerial recomeça no dia 30, em Milwaukee. É o movimento de pressão externa que a série acompanha desde o especial Depois de Caracas, agora com a condição eleitoral escrita num documento comercial.

Quarto, a rua. Lula fez nesta quinta a terceira viagem da campanha a Minas Gerais, o maior colégio eleitoral pendular do país. Houve visita a uma fábrica e caminhada em Montes Claros, ao lado dos candidatos do partido no estado. Flávio Bolsonaro fez a primeira agenda dele na Bahia, com carreata de motos e comício em Vitória da Conquista. Ele mantém transmissão ao vivo nas redes às 19h. Na noite de quarta, no Recife, o senador tinha dado a declaração mais forte da semana sobre a corte. “Eu vou proteger o STF dessas laranjas podres e vou indicar pro STF cinco ministros”, segundo o site de notícias Juruá 24 Horas. A corte tem 11 integrantes. A fala transforma a recomposição dela em promessa aberta de campanha.

O que a rodada muda na leitura

Primeiro, a conta. Votos válidos são a conta que exclui brancos, nulos e indecisos, a mesma que o TSE usa na apuração. Nela, o segundo turno do dia fica assim. PoderData: 51,1% a 48,9% para o senador. AtlasIntel: 50,2% a 49,8% para o senador. Futura: 52,4% a 47,6% para o senador. A série pós-crise da Polícia Federal tinha quatro rodadas empatadas em duas para cada lado. Agora tem sete, com cinco para o senador e duas para o presidente, e as três do dia apontaram para o mesmo lado. No primeiro turno em válidos, a vantagem do presidente ficou em 1,1 ponto no PoderData e 2,4 na AtlasIntel. É menos que a faixa de 4 a 7 pontos que a série registrava desde a estreia.

Segundo, o que isso vale. O detalhe que pesa: o movimento aparece dentro dos próprios institutos, e não só entre institutos diferentes. A Futura media empate em 3 de setembro e mediu 4,4 pontos de vantagem agora. A AtlasIntel viu a distância do primeiro turno cair de 5,6 para 2,4 pontos em uma semana. Quando o mesmo método mostra números diferentes em duas rodadas, o que mudou tende a ser o eleitorado. É uma leitura provável, não um fato consumado. Duas das três vantagens do dia cabem na margem de erro. E a primeira medição com o senador à frente, a Quaest de segunda-feira, veio dentro da margem também. A estimativa da série se ajusta assim. Primeiro turno ainda com o presidente numericamente à frente, mas com vantagem encolhendo. Segundo turno 50 a 50, com inclinação ao senador aparecendo em institutos de métodos distintos. O Datafolha desta noite, o instituto de série mais longa, é o teste da rodada. Se confirmar o movimento, a inclinação deixa de ser hipótese. Se mantiver o presidente à frente, a dispersão entre institutos volta a ser a marca da corrida. O cruzamento decisivo segue sem publicação: para onde vai o eleitor de Augusto Cury no segundo turno.

Os interesses por trás dos movimentos

Lido pela renda, o dia tem três camadas. O capital financeiro vinha comprando o empate como notícia boa desde a primeira rodada empatada, como o COMPASSO registrou no dia 8. Nesta quinta, a bolsa caiu 0,49% no meio da tarde e virou no fim do dia, com alta de 0,24% no fechamento. A revista Exame citou o corte da Selic, as pesquisas acirradas e o chamado trade eleitoral, a compra de ativos na aposta de troca de governo. O crédito mais barato às vésperas do voto é o instrumento que resta ao governo para falar com o trabalho. A Selic está em 13,75% desde quarta, como o texto dos juros descreve, e mexe no preço da prestação. Do lado do senador, a promessa de cinco indicações ao Supremo diz a que fator o campo dele mira: o poder de decidir do Estado. E a exigência eleitoral escrita na negociação do tarifaço mostra o que o governo americano cobra pelo acesso ao mercado dele. Não é um imposto, é uma condição sobre a decisão pública brasileira, de minerais críticos à eleição. A recusa custou a tarifa cheia sobre o setor exportador.

O que observar até 4 de outubro

Nesta noite: o Datafolha com campo de 15 a 17 de setembro, o teste da rodada. A transmissão de Flávio às 19h e a sabatina de Romeu Zema no SBT às 20h. Nos próximos dias: a confirmação, ou não, das reuniões na Casa Branca. Qualquer resposta americana ao pedido de sanções. Quaest e Real Time Big Data na janela até o dia 18. A devolução da vista de Dino, sem prazo, e novas datas para os casos Moraes e Mendonça. Sábado, dia 19: os dois candidatos em Santa Catarina, em atos separados. Terça, dia 22: a ata do Copom. Quarta, dia 23: a abertura do debate de líderes da Assembleia Geral da ONU, agora sem sessão do Supremo no mesmo dia. Dia 24: Xi Jinping em Washington. Dia 27: debate da Record e do Estadão. Dia 30: a reunião ministerial do tarifaço entre Brasil e Estados Unidos, em Milwaukee. Primeiro de outubro: debate da Globo. Dia 4: o primeiro turno. Sanção efetivada contra ministro ou instituição brasileira seguiria sendo o marco de escalada que a série vigia.

Fontes

CartaCapital, lida à esquerda (a rodada do PoderData, registro TSE BR-00360/2026) · CNN Brasil (o 46% a 44% do PoderData) · Gazeta do Povo, lida à direita (a rodada da AtlasIntel, registro TSE BR-06221/2026) · CNN Brasil (a rodada da Futura, registro TSE BR-00749/2026) · RIC (o Datafolha desta noite, registro TSE BR-04029/2026) · TSE (o quadro das candidaturas, documento primário) · O Povo (o cancelamento da sessão do dia 23) · O Tempo, o jornal de Belo Horizonte (a agenda esvaziada do Supremo) · CNN Brasil (o pedido de sanções no Departamento de Estado) · Metrópoles, o site de notícias de Brasília (a agenda na Casa Branca, apuração de bastidor) · Fórum, lida à esquerda (a leitura à esquerda da viagem) · Poder360 (o memorando antidrogas) · Jornal do Brasil (as 21 exigências reveladas) · Times Brasil (a exigência sobre a eleição de 2026) · O Tempo (a terceira viagem de Lula a Minas) · BNews (a agenda de Flávio na Bahia) · Juruá 24 Horas (a promessa das cinco indicações, no Recife) · Exame (a bolsa e as pesquisas nesta quinta) · Washington Post (a crise da corte vista da imprensa liberal americana) · Washington Times (a crise vista da imprensa conservadora americana) · La Nación, em espanhol (a corrida vista de Buenos Aires)

Os outros textos do dia: O barril cai a 103 e o petróleo saudita volta a cruzar Ormuz · Kiev sob ataque no dia em que as sanções chegam a Trump.

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