Arquitetura de segurança · Análise
Eleição 2026: quarto empate e a sanção pedida em Washington
A quarta pesquisa colhida inteiramente depois da crise da Polícia Federal saiu nesta quarta: a DataTrends mediu 45% a 44% para Flávio Bolsonaro no segundo turno, dentro da margem, e as quatro rodadas pós-crise somam duas para cada lado. Um dia depois da sessão que terminou sem decisão, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo começaram em Washington uma série de reuniões para pedir a volta das sanções contra Alexandre de Moraes, agora estendidas a Flávio Dino. O caso Moraes ficou sem data no Supremo; o caso Mendonça e o comando da PF seguem marcados para o dia 23.
Leituras
- A quarta pesquisa pós-crise deu 45% a 44% para o senador, dentro da margem: com duas rodadas para cada lado, a leitura de empate técnico da série sai reforçada.
- O pedido de sanções saiu do bastidor: Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo levaram ao Departamento de Estado a demanda por punições a Moraes e a Dino, sem resposta americana até o fechamento.
- Com a vista de Flávio Dino, o caso Moraes ficou sem data a 18 dias do voto: a crise passa a correr sem calendário, e a agenda da eleição segue presa à corte.
Atualização, 19h15. O pedido de sanções apresentado em Washington cresceu ao longo do dia. Eduardo Bolsonaro, o ex-deputado, e Paulo Figueiredo, o empresário e comentarista, pediram também a inclusão de Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, na lista da OFAC, o escritório do Tesouro americano que aplica sanções. A alegação contra Mendes e Flávio Dino é de “apoio material a um indivíduo designado”, segundo o Jornal de Brasília, o jornal da capital federal. O alvo original, a volta de Alexandre de Moraes à lista, segue no pedido. Não houve resposta pública do governo americano até esta atualização.
A lei de minerais críticos foi sancionada no fim da tarde, sem vetos. O texto prevê créditos tributários de até 20%, conforme o valor agregado no país, e um fundo garantidor com aporte inicial de até R$ 2 bilhões da União. Um decreto assinado junto cria o Conselho Nacional de Industrialização de Minerais Críticos, segundo o Money Times, o site financeiro. No discurso, Lula usou o ato contra os adversários: criticou os que, nas palavras dele, “caíram de joelho” diante dos Estados Unidos, segundo O Tempo, o jornal de Belo Horizonte.
A noite cumpriu o primeiro item da lista de observação. O Copom, o comitê de juros do Banco Central, cortou a Selic para 13,75%, o quinto corte seguido e o último antes do voto. O Federal Reserve, o banco central americano, subiu o juro pela primeira vez desde 2023. A leitura das duas decisões está no texto do dia sobre os juros. O efeito imediato no câmbio foi pequeno: o dólar fechou quase estável, a R$ 5,15, segundo o site financeiro InfoMoney.
Este é o texto do dia da série Eleição 2026, que lê as movimentações da corrida, internas e externas, como um processo único e acumulado. O texto de terça fechou com a votação da questão de ordem em aberto no Supremo Tribunal Federal e com a viagem de Eduardo Bolsonaro a Washington anunciada como apuração de bastidor. As duas pontas se moveram. A sessão terminou com um pedido de vista que deixou o caso Moraes sem data. E a viagem virou fato: as reuniões no governo americano começaram nesta quarta, com pedido de sanções. No meio, chegou a quarta pesquisa colhida inteiramente depois da crise da Polícia Federal.
Os movimentos desde terça
Antes dos movimentos, uma correção. O texto de terça registrou, pela cobertura ao vivo, um empate de 4 a 4 na questão de ordem sobre reunir num só processo os casos de Alexandre de Moraes e André Mendonça. O resultado proclamado por Edson Fachin, o presidente da corte, foi outro: 4 a 3 pela análise separada dos dois casos. O voto de Flávio Dino, favorável à reunião, foi desconsiderado por causa do próprio pedido de vista, o pedido que suspende o julgamento para exame mais demorado. O registro é do Migalhas, o site jurídico. Ao pedir vista, Dino chamou a sessão de “desastrosa” e disse a Fachin: “nós estamos em termos que degradam a imagem do Tribunal”. Cármen Lúcia, que votou pela separação, disse sentir-se “envergonhada” e falou em “mal-estar cívico”.
O efeito prático é um calendário partido em dois. O caso Moraes, a petição com o relatório da Polícia Federal sobre as 52 mensagens do ex-dono do Banco Master ao ministro, ficou suspenso sem data: pelo regimento, a vista pode durar até 90 dias. O registro é do Diário do Pará, o jornal de Belém. Já o caso Mendonça, a petição que inclui o afastamento do diretor-geral da PF, segue marcado para o dia 23, por decisão de Fachin publicada pela Agência Brasil, a agência estatal de notícias. Andrei Rodrigues, o diretor-geral afastado por Mendonça e mantido pela presidência da corte, segue no cargo, como o COMPASSO registrou no sábado. No Senado, a sessão sem desfecho aumentou a pressão sobre Davi Alcolumbre, o presidente da casa, a quem cabe dar andamento aos pedidos de impeachment de ministros, segundo o Metrópoles, o site de notícias de Brasília. A expectativa registrada é de que ele os negue.
A quarta pesquisa pós-crise saiu nesta quarta. É da DataTrends, com registro no TSE (o número é BR-08691/2026): 2.000 eleitores ouvidos por telefone, de 12 a 14 de setembro, com margem de 2,19 pontos. Na simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro marcou 45% e Lula, 44%. No primeiro turno estimulado, o presidente tem 39% e o senador tem 35%, com Augusto Cury em 6%, Renan Santos em 4% e Ronaldo Caiado em 3%. Os números estão no Edmar Lyra, o site de notícias de Pernambuco que reproduziu o levantamento. Vale um cuidado que o rigor da série exige: é a primeira pesquisa nacional do instituto, sem histórico para calibrar o efeito de casa, o desvio que o método de cada instituto produz.
A campanha andou em volta da crise. Flávio Bolsonaro fez moto-carreata e comício em Juazeiro do Norte, no Ceará, onde disse que sua eleição é “o único jeito de libertar o nosso Supremo”, segundo o Metrópoles. À noite, ele caminha no Recife ao lado de Mendonça Filho, candidato ao Senado em Pernambuco. Lula recebeu no Planalto pastores batistas americanos e evangélicos brasileiros, movimento para reduzir a desvantagem no eleitorado evangélico, no qual 54% dizem ter “mais medo” da reeleição, segundo pesquisa Quaest citada pelo O Tempo, o jornal de Belo Horizonte. Às 16h, o presidente sanciona a lei da política nacional de minerais críticos e terras raras, os insumos disputados na cadeia global de tecnologia, na véspera da reunião de cúpula entre Estados Unidos e China. A campanha petista, segundo a Gazeta do Povo, o jornal curitibano lido à direita, decidiu citar ministros nominalmente ao cobrar investigações e ampliou a ofensiva digital. Na mesma pesquisa Quaest, 67% dizem que a crise do Supremo não muda o voto.
O movimento externo saiu do bastidor. Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo começaram nesta quarta, no Departamento de Estado, uma série de reuniões com integrantes do governo Trump, segundo o site Agenda do Poder. A pauta: restabelecer as sanções da lei Magnitsky, a lei americana que pune violações de direitos humanos, contra Alexandre de Moraes, revogadas em dezembro de 2025, e estendê-las a Flávio Dino. Os dois pretendem usar a sessão de terça como evidência e vão à Casa Branca na quinta. Na leitura da Gazeta do Povo, há “evidências mais que suficientes”; na leitura da revista Fórum, lida à esquerda, trata-se de articular punição estrangeira contra ministros brasileiros em plena eleição. Não houve ato nem declaração do governo americano até o fechamento, o padrão de silêncio que a série acompanha desde o especial Depois de Caracas. A crise vista da região ganhou registro do La Nación, o jornal de Buenos Aires, em espanhol. A mesma corte investiga o próprio ministro e o candidato de oposição dentro do caso Master, como o COMPASSO registrou na segunda.
O que a rodada muda na leitura
Primeiro, a conta. Votos válidos são a conta que exclui brancos, nulos e indecisos, a mesma que o TSE usa na apuração. Nela, o 45% a 44% da DataTrends vira 50,6% a 49,4% para o senador. As quatro rodadas pós-crise ficam em duas para cada lado, todas dentro das próprias margens. Quaest, 51,2% a 48,8% para o senador. Nexus, 50,5% a 49,5% para o presidente. Indexa, 50,6% a 49,4% para o presidente. DataTrends, 50,6% a 49,4% para o senador. No primeiro turno em válidos, a vantagem do presidente na rodada nova é de 4,6 pontos, no meio da faixa de 4 a 7 que os institutos vêm mostrando desde a estreia da série. A leitura não muda: primeiro turno com o presidente à frente, segundo turno 50 a 50. O cruzamento que diga para onde vai o eleitor de Augusto Cury no segundo turno seguia sem publicação.
Segundo, o Supremo. É fato que o caso Moraes ficou sem data a 18 dias do primeiro turno. É leitura possível, não fato, que uma crise sem calendário sirva ao campo do senador, que prefere a agenda da eleição no terreno da corte, e não no do bolso. A leitura alternativa também segue de pé: um desfecho por maioria clara no dia 23, no caso Mendonça, poderia devolver o tema à rotina judicial antes do voto. As quatro rodadas empatadas não separam as duas hipóteses. Terceiro, a pressão externa. O pedido de sanção deixou de ser bastidor e virou reunião com hora e prédio públicos, mas segue sem resposta do governo americano. Sanção efetivada contra ministro ou instituição brasileira seguiria sendo o marco de escalada que a série vigia.
Os interesses por trás dos movimentos
Lido pela renda, o dia tem três camadas. O capital financeiro segue comprando o empate: a bolsa tratou o equilíbrio como notícia boa desde a primeira rodada empatada, como o COMPASSO registrou no dia 8, com aposta de ajuste fiscal seja qual for o vencedor. O Estado tenta capturar renda de escassez: a lei de minerais críticos sancionada nesta quarta reivindica para a decisão pública uma fatia dos insumos que a disputa entre Washington e Pequim valorizou. E o trabalho espera o Copom: a decisão sobre a Selic desta noite, a última antes do voto, define o preço do crédito que chega à campanha, como o texto do dia descreve. O campo do senador mantém a crise da corte como combustível de mobilização, com o impeachment de Moraes como pauta declarada desde o Sete de Setembro, como o COMPASSO registrou no feriado.
O que observar até 4 de outubro
Nesta quarta, depois das 18h30: a decisão do Copom, a última antes do primeiro turno.
Quinta, dia 17: Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo na Casa Branca, segundo as agendas divulgadas; decisão do Banco da Inglaterra.
Nos próximos dias: novo Datafolha, PoderData e Real Time Big Data; o cruzamento do eleitor de Augusto Cury; a devolução da vista de Flávio Dino, sem prazo mínimo.
Sábado, dia 19: os dois candidatos em Santa Catarina, em atos separados.
Terça, dia 22: a ata do Copom.
Quarta, dia 23: o caso Mendonça e o comando da PF no plenário; no mesmo dia, a Assembleia Geral da ONU abre o debate de líderes.
Dia 24: Xi Jinping em Washington.
Dia 27: debate da Record e do Estadão; dia 30: reunião ministerial do tarifaço entre Brasil e Estados Unidos, em Milwaukee; 1º de outubro: debate da Globo; dia 4: o primeiro turno.
Fontes
Migalhas, o site jurídico (o resultado de 4 a 3 e a vista de Dino) · Migalhas (as falas de Dino na sessão) · Migalhas (o voto e as falas de Cármen Lúcia) · Diário do Pará (o caso Moraes sem data) · Agência Brasil, a agência estatal de notícias (o dia 23 para o caso Mendonça) · Metrópoles, o site de notícias de Brasília (a pressão sobre o Senado) · Edmar Lyra (a rodada da DataTrends, registro TSE BR-08691/2026) · TSE (o quadro das 12 candidaturas, documento primário) · Metrópoles (o ato de Flávio no Ceará) · O Tempo (Lula e os pastores) · O Tempo (as agendas dos candidatos nesta quarta) · Gazeta do Povo, lida à direita (a reação da campanha petista) · Agenda do Poder (as reuniões desta quarta em Washington) · Gazeta do Povo (a leitura à direita do pedido de sanções) · Fórum, lida à esquerda (a leitura à esquerda da viagem) · Reuters, via US News (a confirmação da pauta por Eduardo Bolsonaro) · Washington Post (a corte vista da imprensa liberal americana) · Washington Times (a corte vista da imprensa conservadora americana) · La Nación, em espanhol (a crise vista de Buenos Aires)
Os outros textos do dia: Copom e Federal Reserve decidem hoje em sentidos opostos · A conta da guerra chega ao Pentágono e o mundo espera o juro · Clima: agosto empata com julho de 2023 como o mês mais quente.
Toda análise do COMPASSO responde às mesmas cinco perguntas, sempre na mesma ordem: qual excedente está em disputa, quem disputa, que regras definem como se ganha, quem captura a maior fatia e onde você está nesse jogo. Conheça o método.