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Arquitetura de segurança · Análise

Eleição 2026: Lula compra a briga com a corte pelo caso Master

Lula afirmou nesta sexta que há 5 ministros do Supremo ligados, nas palavras dele, direta ou indiretamente ao caso Master, e defendeu que as suspeitas sejam julgadas em conjunto. É a entrada mais dura do presidente na crise da corte, a 16 dias do voto. Na véspera, André Mendonça, no Tribunal Superior Eleitoral, rejeitou a ação de um deputado do PL contra o reajuste de 15% do Bolsa Família. O Datafolha da noite de quinta manteve 46% a 44% e não confirmou a inclinação da rodada ao senador. E o aperto global de juros obrigou o Banco Central a vender 1 bilhão de dólares nesta manhã.

Por COMPASSO18 de setembro de 2026atualizado às 19h1311 min de leituraTabuleiro: Arquitetura de segurança

Leituras

  1. Lula levou para a campanha a crise do Supremo: ao falar em 5 ministros ligados ao caso Master, o presidente passou a disputar com o senador a bandeira de refazer a corte.
  2. O Datafolha manteve 46% a 44% e não confirmou a inclinação a Flávio: a marca da corrida volta a ser a dispersão entre institutos, e a estimativa da série segue em 50 a 50.
  3. Mendonça rejeitou a ação contra o reajuste do Bolsa Família: o principal instrumento eleitoral do governo passou pelo tribunal sem exame de mérito, e por decisão do ministro em guerra com a maioria da corte.

Atualização, 19h13. Lula anunciou no fim da tarde, no Rio, o plano integrado de segurança prometido na terça, ao lado do governador em exercício, Ricardo Couto, e do prefeito da capital, Eduardo Cavaliere. O programa tem três frentes, tocadas pelo ministério da Justiça com o estado e a prefeitura. São elas: a proteção das rotas de carga que entram e saem da cidade, a reocupação de territórios pelo estado e o reforço da segurança municipal. A primeira fase reforça o policiamento na Avenida Brasil, na Linha Vermelha, na Linha Amarela e nos acessos ao porto e ao aeroporto do Galeão. O objetivo declarado é cortar a renda do crime organizado fechando as rotas interestaduais de drogas e de carga roubada. O presidente chamou a ação de plano piloto, com expansão ao resto do país se funcionar, segundo o site Agenda do Poder e a revista Fórum, lida à esquerda.

A fala dos 5 ministros foi além do que o texto registrou pela manhã. Na mesma entrevista à Super Rádio Tupi, Lula citou dois nomes. “Ninguém está defendendo o contrato que o Alexandre Moraes fez com o Banco Master. Ninguém está defendendo o Toffoli, que fez acordo com o Banco Master”, disse, segundo o jornal O Povo, de Fortaleza. O presidente também acusou André Mendonça, o relator do caso no Supremo, de reter material: “Ainda não saiu tudo, porque o seu André Mendonça tinha muitas informações na mão dele que ele segurou”. O trecho do corpo que dizia que o presidente não citou nomes foi corrigido.

No dinheiro, o dia terminou mais calmo do que começou. O dólar fechou quase estável, a 5,1451 reais, em alta de 0,11%, segundo o site financeiro InfoMoney. O Ibovespa caiu 0,41% e fechou a semana com perda de 1,06%, a primeira semana negativa depois de quatro de alta do chamado trade eleitoral, segundo a revista Exame.

Este é o texto do dia da série Eleição 2026, que lê as movimentações da corrida, internas e externas, como um processo único e acumulado. O texto de quinta fechou com o Datafolha segurando o teste da rodada. O instituto deu 46% a 44% para Lula no segundo turno, os mesmos números das duas rodadas anteriores. Três pesquisas do mesmo dia tinham pendido a Flávio Bolsonaro. Nesta sexta, o movimento maior não veio das pesquisas. Veio do próprio presidente, que decidiu entrar na crise do Supremo Tribunal Federal pelo caso Master. O caso é a investigação sobre o Banco Master, que alcança gente dos dois campos. E veio do dinheiro. O mundo rico completou uma semana de altas de juros, o câmbio apertou, e o Banco Central teve de agir.

Os movimentos desta sexta

Primeiro, a fala. Em entrevista à Super Rádio Tupi, do Rio, Lula disse que há “5 ministros que estão ligados direto ou indiretamente” ao caso Master. Citou dois nomes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, e disse que André Mendonça, o relator do caso no Supremo, segurou informações. O registro é do site Poder360 e do jornal O Povo, de Fortaleza. A investigação mira a relação entre Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master preso em 4 de março, e integrantes da cúpula do Judiciário. O presidente defendeu que as suspeitas contra ministros sejam investigadas e julgadas em conjunto. “Se quiser fazer justiça no voto, tem que botar todo mundo no mesmo dia”, disse, segundo o Correio Braziliense. O pano de fundo é o celular de Vorcaro. Na segunda-feira, a Polícia Federal entregou cópias do material aos gabinetes de Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Antes, havia identificado 52 mensagens do banqueiro a um contato atribuído a Moraes, segundo o Jornal de Brasília. Na quarta, Lula já tinha chamado o caso de “orgia pura” e dito que o país saberá “quem foi fazer suruba”. E provocou o adversário: Flávio estaria “nervosinho” com o que o celular guarda. A leitura é da revista Fórum e do Brasil 247, lidos à esquerda.

Segundo, o tribunal eleitoral. André Mendonça, o ministro em guerra com a maioria do Supremo desde que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, decidiu na quinta. Rejeitou a ação do deputado Zé Trovão, do PL, o partido de Flávio Bolsonaro, contra o reajuste do Bolsa Família. O fundamento foi processual: candidato a deputado não tem legitimidade para acionar candidato a presidente, porque disputam eleições de abrangências diferentes. O mérito não foi examinado, segundo o site NC News. O reajuste em causa é o de 15,04%, a inflação acumulada desde março de 2023. Ele leva o piso do programa a 691 reais. O custo projetado é de 22,7 bilhões de reais em 2027. A primeira parcela reajustada sai em 19 de outubro, entre o primeiro e o eventual segundo turno. O detalhe institucional pesa. Quem validou o principal instrumento social do governo no ano eleitoral foi o ministro do campo adversário. É o mesmo que Gilmar Mendes chamou de “boneco de campanha”, como o texto de quinta registrou.

Terceiro, a rua e a agenda. Lula anuncia nesta sexta, no Rio, um plano integrado de segurança entre União, estado e município. O objetivo declarado é a retomada de territórios controlados por facções, promessa feita na terça, segundo O Tempo, o jornal de Belo Horizonte. O gesto responde a uma pressão de fora. O memorando antidrogas de Donald Trump acusou o governo brasileiro de “falhar” contra o PCC (o Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho, como o texto de quinta descreveu. Lula manteve distância do rótulo de terrorista que Washington aplicou às facções. Flávio Bolsonaro faz a transmissão semanal ao vivo às 19h e organiza o recrutamento de fiscais para as urnas, segundo o Poder360. No sábado, os dois fazem campanha em Santa Catarina, em atos separados. Lula estará em Florianópolis; Flávio, em Joinville e Chapecó, segundo o site catarinense Floripa Mil Grau.

Quarto, o dinheiro. O Banco do Japão subiu o juro nesta sexta e fechou a semana de aperto do mundo rico, movimento que tem texto próprio hoje. A conta chegou ao Brasil pelo câmbio. O Banco Central vendeu 1 bilhão de dólares em dois leilões extraordinários pela manhã. O dólar subia 0,64%, a 5,16 reais, e o Ibovespa caía 0,44% no início da tarde, segundo a CNN Brasil. Na quinta, a bolsa tinha fechado em alta com o chamado trade eleitoral, a compra de ativos na aposta de troca de governo. O COMPASSO acompanha esse movimento desde o dia 8. No quadro externo, a lei Graham, que autoriza tarifas contra compradores de energia russa, segue à espera da assinatura de Trump. E não houve resposta pública ao pedido de sanções contra ministros feito por Eduardo Bolsonaro em Washington, registrado no texto de quinta.

O que o dia muda na leitura

Nas pesquisas, nada mudou até o fechamento: nenhum instituto nacional divulgou rodada nova nesta sexta. O dado mais fresco segue sendo o Datafolha de quinta à noite, registro BR-04029/2026 no TSE. O campo ouviu 2.002 eleitores de 15 a 17 de setembro, com margem de 2 pontos. Deu 46% a 44% para o presidente no segundo turno. Em votos válidos, a conta que exclui brancos, nulos e indecisos, são 51,1% a 48,9%. No primeiro turno, 39% a 36%, com Augusto Cury em 6%. A série pós-crise soma nove medições de segundo turno: seis com vantagem numérica do senador, três com o presidente. Quase todas dentro da margem. A estimativa da série não se move. Segundo turno em 50 a 50. Primeiro turno com o presidente numericamente à frente, com vantagem encolhida. A dispersão entre institutos, e não a inclinação de uma rodada, volta a ser a marca da corrida. De fora, o empate é a própria notícia. O La Nación, de Buenos Aires, em espanhol, e a rádio chilena Cooperativa, em espanhol, descrevem a disputa como indefinida a duas semanas do voto.

O que mudou foi a natureza da disputa institucional. Até aqui, a crise da corte corria ao lado da campanha. Os ministros brigavam entre si, e os candidatos exploravam a briga de fora. Nesta sexta o presidente puxou a crise para dentro. A promessa de Flávio de indicar cinco ministros, feita no Recife, já dizia que o senador disputa a recomposição do tribunal. O texto de quinta a registrou. Ao apontar 5 ministros ligados ao caso Master e pedir julgamento conjunto, Lula passou a disputar o mesmo terreno pelo caminho oposto. Em vez de prometer nomes novos, promete expor os atuais. Para o presidente, o cálculo tem dois lados. O caso Master deixa de ser arma exclusiva do adversário, porque alcança gente dos dois campos. E o custo é validar, na voz do chefe de Estado, a tese de que a corte está comprometida. É a mesma tese que sustenta o discurso adversário e os pedidos de sanção em Washington. É uma leitura do movimento, não um fato: o efeito sobre o eleitor só aparece nas próximas rodadas.

Os interesses por trás dos movimentos

Lido pela renda, o dia tem três camadas. Na base, o reajuste do Bolsa Família validado pelo tribunal eleitoral é renda direta ao trabalho. O piso de 691 reais chega em 19 de outubro a milhões de famílias, no intervalo entre os turnos. O capital financeiro segue comprando a troca de governo, mas o aperto global encareceu essa aposta. Com o juro subindo lá fora e a Selic caindo aqui, segurar posição em real custa mais. O Banco Central passou a vender dólares para dar liquidez, na tensão que o texto das duas decisões de juros antecipava. A camada de cima é a do Estado: quem controla a capacidade de decidir. O senador promete preencher cinco assentos; o presidente promete expor cinco ministros. A pressão externa cobra pelo mesmo canal. A exigência de eleição “justa e livre”, escrita na negociação do tarifaço e revelada na quinta, é condição sobre a decisão pública brasileira. É a linha que a série acompanha desde o especial Depois de Caracas.

O que observar até 4 de outubro

Nesta sexta: o detalhamento do plano de segurança do Rio e a transmissão de Flávio às 19h. Sábado, dia 19: os dois candidatos em Santa Catarina, e a reação dos ministros citados por Lula. Na janela até o fim da semana: a rodada nacional do Real Time Big Data prevista pelo jornal O Povo. Terça, dia 22: a ata do Copom. Quarta, dia 23: a abertura do debate de líderes da Assembleia Geral da ONU. Dia 24: Xi Jinping em Washington. Dia 27: o debate da Record e do Estadão. Dia 30: a reunião ministerial do tarifaço em Milwaukee. Primeiro de outubro: o debate da Globo. Dia 4: o primeiro turno. No quadro externo, a assinatura da lei Graham e qualquer resposta ao pedido de sanções contra ministros. Na corte, a devolução da vista de Flávio Dino, sem prazo, e novas datas para os casos Moraes e Mendonça. Sanção efetivada contra ministro ou instituição brasileira seguiria sendo o marco de escalada que a série vigia.

Fontes

Poder360 (a fala dos 5 ministros na Super Rádio Tupi) · Correio Braziliense (a defesa do julgamento conjunto) · Jornal de Brasília (o celular de Vorcaro e as 52 mensagens) · Brasil 247, lido à esquerda (as falas de quarta) · Fórum, lida à esquerda (a ação do PL contra o reajuste) · NC News (a rejeição por ilegitimidade) · Estado de Minas (a relatoria de Mendonça no TSE) · CNN Brasil (o Datafolha, os leilões do Banco Central e a bolsa) · Gazeta do Povo, lida à direita (o quadro das pesquisas com o senador à frente) · TSE (a consulta às pesquisas registradas, documento primário) · O Tempo (a promessa do plano de segurança do Rio) · LFTV (o desenho integrado do plano) · Floripa Mil Grau (a agenda de sábado em Santa Catarina) · O Povo (a janela de pesquisas da semana) · Newsweek (a assinatura pendente da lei Graham) · La Nación, em espanhol (o empate visto de Buenos Aires) · Cooperativa, em espanhol (a corrida vista de Santiago)

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