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Energia · Análise

Clima: o Ártico fecha o degelo de 2026 no 11º menor nível

O gelo marinho do Ártico parou de encolher em 12 de setembro, com 4,60 milhões de km², e o número preliminar empata com 2025 como o 11º menor desde 1979. Um verão sem recorde continua quase 15% abaixo de qualquer mínimo anterior a 2007, e as duas passagens de navegação do Ártico ficaram abertas ao mesmo tempo. A leitura acumulada da série segue no mesmo sentido: agosto recordista no ar e no oceano, CO2 em alta e um El Niño que as previsões sazonais projetam como o maior já medido.

Por COMPASSO18 de setembro de 20267 min de leituraTabuleiro: Energia

Leituras

  1. O degelo de 2026 parou em 4,60 milhões de km², empatado com 2025 como o 11º menor desde 1979: um ano sem recorde segue quase 15% abaixo de qualquer verão anterior a 2007.
  2. As duas passagens do Ártico, a rota russa e a canadense, ficaram abertas ao mesmo tempo no fim do verão: a navegação que o século 20 quase não viu vira rotina nos anos 2020.
  3. A previsão sazonal europeia citada pela imprensa de meteorologia aponta pico do El Niño perto de 4 °C no fim do ano, acima do recorde de 2015: é projeção de modelo, não medição.

Este é o texto do dia da série Crise Climática, que acompanha os avanços medidos da crise ambiental e o que os cientistas dizem sobre eles, em leitura acumulada. O dado novo desta sexta veio do gelo. O degelo anual do Ártico parou em 12 de setembro. O mínimo preliminar de 2026 ficou em 4,60 milhões de km². O número empata com o do ano passado como o 11º menor da era dos satélites, iniciada em 1979. O anúncio que a série esperava desde quarta saiu como balanço preliminar. O cálculo usa os dados diários do NSIDC, o centro americano de dados de neve e gelo.

O que o gelo mediu

O número vem da série Sea Ice Index, a medição por satélite que o NSIDC mantém desde 1979. A extensão do gelo marinho do hemisfério norte tocou 4,60 milhões de km² no dia 12. Depois, voltou a crescer com o fim do verão. O valor é preliminar por dois motivos. Ventos de fim de estação ainda podem comprimir o gelo e rebaixar a marca. Alguns mares regionais talvez não tivessem chegado ao próprio mínimo até 17 de setembro. E o anúncio formal do NSIDC ainda não foi publicado. A análise mais recente do centro, de 3 de setembro, registrava que o verão vinha acompanhando 2012, o ano do recorde, até agosto. O COMPASSO registrou o momento em que a curva tocou o mínimo diário no dia 12.

A comparação de longo prazo é o que dá o tamanho do dado. Empatado com 2025, o mínimo de 2026 não quebra recorde. Ainda assim, fica quase 15% abaixo do mínimo de qualquer ano anterior a 2007. E a média dos mínimos atuais está 34% abaixo da média do início dos anos 1980. Em outras palavras: o que hoje conta como ano comum no Ártico seria o pior ano da história até vinte anos atrás.

O que os cientistas dizem

O balanço preliminar saiu em 17 de setembro e é de Rick Thoman, especialista em clima do Alasca. Ele trabalha no centro de avaliação e política climática da Universidade do Alasca em Fairbanks. Em tradução do inglês: o mínimo deste ano “empata com a extensão mínima do ano passado como a 11ª menor desde 1979”. E “ainda é quase 15% menor que o mínimo de qualquer ano anterior a 2007”. Thoman destaca um segundo registro do verão. A rota marítima do Norte, ao longo da costa russa, e a passagem do Noroeste, pelas ilhas do Ártico canadense, ficaram abertas ao mesmo tempo no fim da estação. Foi “algo que raramente aconteceu no século 20”, escreveu. Para a navegação comercial, são dois atalhos entre a Ásia e o Atlântico que a perda de gelo torna cada vez mais frequentes.

O que muda na leitura acumulada

O gelo fecha o quadro do verão que a série vinha montando peça a peça. No ar, agosto de 2026 empatou com julho de 2023 como o mês mais quente já medido, como o COMPASSO registrou na quarta. Foram 1,65 °C acima do período pré-industrial. No oceano, a superfície do mar fora dos polos marcou 21,07 °C em agosto, recorde para o mês. A medição diária rodava em 21,155 °C em 14 de setembro, perto do pico preliminar de 21,23 °C do dia 8. No Pacífico equatorial, o boletim semanal da NOAA, a agência americana de oceanos e atmosfera, mantinha a anomalia da região Niño 3.4 em +2,0 °C. A tabela histórica da mesma agência registrava +2,9 °C para a mesma semana. A série acompanha a divergência desde segunda. E o CO2 medido em Mauna Loa, no Havaí, ficou em 427,55 partes por milhão em agosto, contra 425,48 um ano antes.

A peça nova do dia é uma projeção, e o texto a trata como projeção. O site de meteorologia Meteored, em espanhol, relata a previsão sazonal mais recente do ECMWF, o centro europeu de previsão de médio prazo. Ela aponta pico do El Niño perto de +4 °C na região Niño 3.4 entre novembro e dezembro. Ficaria muito acima do recorde mensal da série, os +2,8 °C de novembro de 2015. É resultado de modelo, não medição, e previsões sazonais erram. O que está medido é o caminho até aqui. A NOAA dá mais de 90% de chance a um El Niño muito forte no inverno do hemisfério norte. E 75% de chance a um evento histórico entre outubro e dezembro, como a série registra desde a estreia. Ar, oceano global, Pacífico, CO2 e agora o gelo apontam na mesma direção no mesmo trimestre.

Os impactos por aqui

O gelo do Ártico não muda o tempo no Brasil na próxima semana; o El Niño que cresce no Pacífico, sim. O quadro brasileiro segue o registrado na série. Os reservatórios das hidrelétricas do Sul devem terminar setembro com 91,4% da capacidade, com o operador do sistema preservando água por causa do fenômeno. A conta de luz roda com bandeira amarela, como o COMPASSO registrou na quarta. A safra 2026/27, a primeira projetada sob El Niño declarado, está sendo plantada agora, como a série descreveu na terça. O padrão histórico do fenômeno combina chuva em excesso no Sul com calor e seca no Norte e no Nordeste. No Centro-Sul, a temperatura tende a ficar acima do normal, com pressão sobre lavouras, consumo de energia e saúde nas cidades. As rotas árticas abertas, se virarem regra, mexem no frete entre a Ásia e o Atlântico no prazo de anos. É efeito possível para o comércio que o Brasil integra, não previsão datada.

O que observar

Nos próximos dias: o anúncio formal do mínimo ártico pelo NSIDC, com a posição final na tabela. Segunda, dia 21: o boletim semanal do El Niño da NOAA, e a eventual convergência entre os dois números da agência. Sexta, dia 25: o anúncio da bandeira tarifária de outubro pela agência reguladora de energia. Primeira semana de outubro: o boletim mensal do Copernicus, o serviço climático europeu, com a anomalia global de setembro. Quinta, 8 de outubro: a discussão diagnóstica mensal do El Niño da NOAA, com a atualização das probabilidades.

Fontes

NSIDC (a série diária do gelo marinho, documento primário) · NSIDC (a análise de 3 de setembro, documento primário) · Rick Thoman, Universidade do Alasca (o balanço preliminar do mínimo de 2026) · NOAA (o boletim semanal do El Niño, documento primário) · NOAA (a tabela histórica semanal do Niño 3.4, documento primário) · NOAA (o CO2 de agosto em Mauna Loa, documento primário) · Climate Reanalyzer (a temperatura diária do oceano, documento primário) · Copernicus (o agosto recorde, documento primário) · Meteored, em espanhol (a previsão sazonal do pico do El Niño)

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