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Arquitetura de segurança · Análise

O dia em seis regiões: o plenário esvazia para Netanyahu

As seis regiões nesta sexta-feira: dezenas de delegações deixaram o plenário da ONU quando Benjamin Netanyahu começou a falar, e a imprensa israelense descreveu um governo sozinho. María Corina Machado soma sete tentativas barradas de voltar à Venezuela, com Washington pedindo que espere. Xi Jinping encerra a visita a Washington com chá e arquivo histórico. A Indonésia discute cassar o vice-presidente. E a África do Sul sobe o juro na semana do aperto global.

Por COMPASSO25 de setembro de 20269 min de leituraTabuleiro: Arquitetura de segurança

Leituras

  1. O discurso de Netanyahu diante de um plenário esvaziado mediu o custo diplomático da guerra: até aliados europeus saíram, e a imprensa do próprio país descreveu um premiê falando para dentro.
  2. Machado, Nobel da Paz de 2025, foi barrada sete vezes ao tentar voltar à Venezuela: a transição negociada entre Washington e Caracas não tem lugar marcado para a opositora que venceu a rua.
  3. O caso do diploma do vice-presidente indonésio virou teste de quem pode remover um eleito: a comissão eleitoral admite que não conferiu o documento, e a corte decide o que fazer com isso.

Esta é a leitura cruzada de sexta-feira, o contraste de vozes sobre o dia em seis regiões. O movimento que mais mexeu com a disputa pelo excedente foi a oferta iraniana de reabrir Ormuz em sete dias, analisada no texto do dia. Aqui entram as outras cinco regiões e o resto do Golfo, no dia 211 da guerra.

Américas

María Corina Machado, a opositora venezuelana que recebeu o Nobel da Paz de 2025, soma sete tentativas barradas de voltar ao país. Três delas foram nesta semana, por mar e por avião a partir do Panamá. O registro é do jornal argentino La Nación, em espanhol. A agência de notícias Reuters apurou que o governo americano pediu que ela espere. Uma pessoa próxima respondeu que Machado voltará sem pedir permissão, segundo o site venezuelano independente Efecto Cocuyo, em espanhol. A última tentativa aconteceu no mesmo dia em que a presidente interina Delcy Rodríguez se reuniu com Donald Trump, encontro registrado na leitura de quinta. A revista americana Foreign Policy resumiu a semana. A transição venezuelana se negocia entre Caracas e Washington. A opositora que venceu a eleição anulada de 2024 ficou do lado de fora. É o desdobramento que o especial Depois de Caracas apontou como precedente para a região.

Ásia oriental

Xi Jinping encerrou nesta sexta a visita de Estado a Washington, analisada no texto de quinta. A manhã final teve chá dos dois casais presidenciais e visita aos Arquivos Nacionais, o prédio que guarda a constituição americana, segundo o jornal canadense Globe and Mail. A versão do governo chinês destacou a forma, não o conteúdo. Visitas recíprocas em menos de seis meses são inéditas na relação, e a meta é cooperação com competição contida. O resumo é da agência estatal Xinhua, em chinês. A imprensa japonesa leu a cena de fora e registrou o detalhe que lhe doeu. No jantar de Estado, Xi disse que chineses e americanos lutaram ombro a ombro contra os agressores militaristas japoneses na Segunda Guerra. A frase foi à manchete do jornal econômico Nikkei, em japonês. Para Tóquio, aliado americano, a aproximação das duas potências tem um custo que ninguém negocia com ele.

Sul e Sudeste da Ásia

Em Jacarta, o caso do diploma do vice-presidente Gibran Rakabuming Raka ganhou contorno de sucessão. O pedido em julgamento na Corte Constitucional inclui desqualificar o vice e anular a decisão da comissão eleitoral. Inclui ainda mandar o congresso pleno escolher um substituto indicado pelo presidente Prabowo Subianto, segundo o jornal Kompas, em indonésio. A comissão eleitoral, a KPU, admitiu na audiência que não conferiu o certificado escolar junto ao ministério, como registrou a leitura de quinta. O precedente existe e é da própria corte: dois vencedores de eleições locais já foram cassados por diploma falso, lembra o Kompas, em indonésio. Na quinta, o ex-presidente Joko Widodo, pai do vice, falou pela primeira vez sobre o processo e disse confiar na corte, segundo o mesmo jornal. O caso decide quem tem poder para remover um eleito na terceira maior democracia do mundo: a corte, o congresso ou ninguém.

Golfo e Oriente Médio

Benjamin Netanyahu subiu ao púlpito da Assembleia Geral na quinta e dezenas de delegações saíram do plenário. Saíram quase todos os países árabes e muçulmanos, delegações africanas e parte das europeias. Os Estados Unidos ficaram. O premiê israelense chamou os que saíram de covardes morais. Disse que atacar o Irã foi uma das decisões mais fáceis da sua vida. E classificou de maior mentira do século as acusações de genocídio em Gaza, feitas por uma comissão apoiada pela ONU. Atacou o Catar, mediador da negociação de Ormuz, e o presidente turco Recep Erdoğan. As reações atravessaram a sexta, com o Hamas respondendo que o isolamento é de Israel.

AS VERSÕES

  • A imprensa ocidental: um premiê desafiador fala a um plenário meio vazio, ataca críticos como antissemitas e elogia Trump por se juntar aos ataques ao Irã. ABC News, a rede pública australiana.
  • A imprensa israelense: tarde demais, sozinho demais: o plenário abandonado e um premiê falando a um mundo que já não consegue ouvi-lo, escreveu o analista do maior portal do país. Ynet, em hebraico.
  • A imprensa árabe: isolamento nas salas e protesto nas ruas: cem detidos em Nova York durante o discurso, e a saída das delegações como medida do desgaste. Al Jazeera, em árabe, a rede financiada pelo Estado do Catar.

No resto da região, o dia foi da oferta iraniana de reabrir Ormuz em sete dias, com o barril em queda, movimento analisado no texto do dia. A Arábia Saudita fechou a semana sem novo ataque depois dos mísseis houthis interceptados na quinta, registrados na leitura de quinta.

Europa e o espaço pós-soviético

Volodymyr Zelensky disse estar muito aberto a uma reunião de líderes com a Rússia na Turquia, depois de se encontrar com Erdoğan em Nova York. O turco ofereceu sediar, segundo o site de oposição turco no exílio Turkish Minute. Os dois trataram também da rota de exportação de alimentos pelo mar Negro, atacada pela Rússia, e de um acordo de drones. A resposta de Moscou esfriou a agenda: uma reunião de líderes é improvável em breve, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, segundo despacho reproduzido pelo Yahoo News. No terreno, a semana terminou como começou. A noite de quarta para quinta deixou ao menos oito mortos na Ucrânia, como registrou a leitura de quinta. A Rússia governa com a Duma recém-eleita na votação sem observadores, descrita no balanço de segunda.

África

O banco central da África do Sul subiu o juro básico a 7,25% na quarta, um quarto de ponto. Com isso, entrou na fila do aperto global da semana passada, descrita no balanço de 19 de setembro. O registro é do Rio Times. O mesmo levantamento mediu a Nigéria com dois preços para a mesma moeda. São 1.327,78 nairas por dólar no câmbio oficial e 1.390 na rua, distância de 4,7%. No Sahel, a investigação do motim de agosto no Níger mira oficiais das forças especiais da própria junta. A força militar unificada da Aliança dos Estados do Sahel, o bloco de Mali, Burkina Faso e Níger, seguiu parada durante a crise. Os dois registros são da revista Jeune Afrique, em francês. Juro alto no sul, moeda dupla no oeste e junta rachada no centro: o continente paga a conta do dinheiro caro e da segurança terceirizada ao mesmo tempo.

Os impactos por aqui

Três canais ligam o dia ao bolso brasileiro. O primeiro é o barril. A oferta iraniana derrubou o Brent a 103,72 dólares. Cada dólar a menos barateia a trava da gasolina, o corte de tributos que vence um dia depois do primeiro turno, conta aberta no texto de 10 de setembro. O segundo é o juro. Quando a África do Sul sobe a taxa e o mundo rico segura o aperto, o dinheiro que busca rendimento pressiona o câmbio dos emergentes, o Brasil incluído. O terceiro é a soja. A visita de Xi terminou sem detalhe novo sobre a compra americana de 25 milhões de toneladas por ano. Cada tonelada disputada mexe no prêmio pago ao grão brasileiro, como analisou o texto de quinta.

Entenda a região

A Assembleia Geral é o único órgão da ONU em que cada país tem um voto, sem veto. Ela não obriga ninguém: suas resoluções são recomendações. O poder de verdade mora no Conselho de Segurança, onde os Estados Unidos vetam desde 1972 as resoluções que condenam Israel. Por isso o plenário virou o lugar do gesto: é ali que a maioria dos países mostra o que pensa, já que não pode decidir. Israel conhece os dois lados dessa casa. Foi criado por uma resolução da Assembleia, a partilha da Palestina de 1947, e foi condenado por outra, a que igualou sionismo a racismo em 1975, revogada em 1991. A saída das delegações repete um rito que cresce desde o início da guerra em Gaza, em 2023. O que mudou nesta quinta foi a escala: saíram também europeus, e a imprensa do próprio Israel tratou o vazio como medida, não como injustiça. Quando o gesto de maioria vira rotina, o custo recai sobre o comércio, os vistos e as alianças de quem fica sozinho, mesmo sem uma única resolução nova.

Fontes

ONU (a lista oficial de discursos do debate geral) · La Nación, em espanhol (a sétima tentativa barrada de Machado) · Efecto Cocuyo, em espanhol (o pedido de Washington para Machado esperar) · Foreign Policy (a estreia de Delcy Rodríguez na ONU) · Globe and Mail (o encerramento da visita de Xi) · Xinhua, em chinês (a versão do governo chinês sobre a visita) · Nikkei, em japonês (a frase de Xi sobre o Japão no jantar) · Kompas, em indonésio (o pedido de desqualificação do vice) · Kompas, em indonésio (o precedente das cassações por diploma) · ABC News (o discurso e a saída das delegações) · Ynet, em hebraico (a análise israelense do plenário vazio) · Ynet, em hebraico (o pager e o ataque a Erdoğan no discurso) · Al Jazeera, em árabe (o isolamento e os protestos) · Turkish Minute (a abertura de Kiev à reunião na Turquia) · Yahoo News (a resposta do Kremlin) · Rio Times (o juro sul-africano e a naira com dois preços) · Jeune Afrique, em francês (a investigação do motim no Níger)

Os outros textos do dia: O Irã oferece reabrir Ormuz em sete dias e o barril cai · Eleição 2026: a rodada fecha empatada e a inflação vai a 4,47% · Clima: o Pacífico bate o recorde diário de toda a série.

Toda análise do COMPASSO responde às mesmas cinco perguntas, sempre na mesma ordem: qual excedente está em disputa, quem disputa, que regras definem como se ganha, quem captura a maior fatia e onde você está nesse jogo. Conheça o método.