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Arquitetura de segurança · Análise

Eleição 2026: a rodada fecha empatada e a inflação vai a 4,47%

A Palver divulgou na noite de quinta a última pesquisa da rodada: 48% para o senador Flávio Bolsonaro e 45% para o presidente Lula no segundo turno, na direção contrária do Datafolha, que deu 47% a 45% ao presidente horas antes. A média da semana fica em empate. Nesta sexta, o IBGE entregou a última prévia de inflação antes do voto: 0,70% em setembro, com a conta de luz 7,42% mais cara, e 4,47% em doze meses. E o barril caiu 2,7% com a oferta iraniana de reabrir Ormuz.

Por COMPASSO25 de setembro de 20268 min de leituraTabuleiro: Arquitetura de segurança

Leituras

  1. A Palver dá 48 a 45 ao senador e o Datafolha deu 47 a 45 ao presidente: as duas famílias seguem apontando vencedores opostos, e a média da rodada termina em 50 a 50.
  2. A última prévia de inflação antes do voto veio a 0,70%, com a conta de luz 7,42% mais cara: os 4,47% em doze meses são o número que as campanhas vão disputar até domingo.
  3. O barril caiu 2,7% com a proposta iraniana de reabrir Ormuz em sete dias: fica mais barato manter a trava da gasolina, o corte de tributos que vence um dia depois do primeiro turno.

Este é o texto de sexta-feira da série Eleição 2026, que lê as movimentações da corrida, internas e externas, como um processo único e acumulado. O texto de quinta registrou três pesquisas numa manhã e terminou com o Datafolha arquivando a rodada de setembro como oscilação. Desta quinta para cá, a Palver puxou a rodada de volta para o senador. Saiu a última prévia de inflação antes do voto. E o petróleo caiu com a oferta iraniana de reabrir Ormuz. Os três movimentos entram na mesma conta.

A Palver fecha a rodada na direção contrária do Datafolha

A Palver ouviu 5.000 eleitores por recrutamento digital, de 20 a 23 de setembro, com margem de 2,5 pontos e registro BR-09587/2026 no Tribunal Superior Eleitoral. No segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro tem 48% e o presidente Lula tem 45%, segundo a rede CNN Brasil. Brancos e nulos somam 6%, e os indecisos, 1%. Em votos válidos, a conta que exclui brancos, nulos e indecisos, dá 51,6% a 48,4% para o senador. No primeiro turno, os dois marcam 43% cada, segundo a ficha publicada pelo jornal Gazeta do Povo. A base de comparação da casa: na rodada anterior, de 21 de setembro, o senador tinha 47% a 43% no segundo turno. A distância caiu de quatro para três pontos.

O resultado saiu horas depois de o Datafolha dar 47% ao presidente e 45% ao senador, com registro BR-00304/2026. Foi o número que fechou o teste aberto no texto de 17 de setembro e arquivou a rodada como oscilação. Em válidos, o Datafolha dá 51,1% ao presidente; a Palver dá 51,6% ao senador. As duas casas seguem separadas por cinco pontos, medindo o mesmo eleitorado na mesma semana. É o mesmo desenho que a nota de 8 de setembro descreveu. Quando institutos sérios discordam por mais que a soma das margens, aparece o efeito de casa: a diferença de método, ponderação e modo de coleta. O eleitor não se moveu tanto assim. Com a Palver, a série chega a dezessete medições de segundo turno desde a crise aberta no Supremo. São dez com vantagem numérica do senador, seis com o presidente à frente e uma empatada, todas dentro da margem.

A leitura acumulada não muda: 50 a 50. Vale a camada de hipótese que a série carrega. Em 2022, as pesquisas subestimaram o campo bolsonarista em cerca de quatro pontos no primeiro turno, num erro assimétrico e numa só direção. Se o erro se repetir no mesmo tamanho e sentido, o empate de hoje esconde uma vantagem do senador. É uma leitura possível, não um fato. A comparação do Datafolha desta semana com o de 2022 mostra por que a dúvida importa. A distância do presidente nesta altura caiu de catorze pontos em 2022 para quatro agora. E a rejeição dos dois candidatos está empatada em 45%, segundo o NC News, o site de notícias que comparou as duas séries. Em 2022 o colchão absorveu o erro. Em 2026 não há colchão.

A última prévia de inflação antes do voto

O IBGE divulgou nesta sexta o IPCA-15 de setembro, a prévia da inflação oficial e o último índice de preços antes do primeiro turno. Ele subiu 0,70%, acima do que o mercado esperava, e acumula 4,47% em doze meses, segundo a Agência Brasil, a agência estatal de notícias. O maior peso veio da conta de luz, 7,42% mais cara, porque acabou o desconto do bônus de Itaipu, o abatimento que a usina binacional deu na fatura de agosto. A comida em casa subiu 0,38%, com o tomate 20,76% mais caro, o arroz em alta de 2,39% e as carnes subindo 1,30%, segundo os dados detalhados no site do IBGE.

Cada um desses números já está dentro da disputa. A campanha do presidente acionou o Tribunal Superior Eleitoral contra a propaganda do senador que pergunta o preço da picanha, segundo o jornal O Tempo. A carne subiu de novo no índice desta sexta. O contencioso da propaganda, que na quinta rendeu três liminares num dia, foi descrito no texto de quinta. Os 4,47% em doze meses encostam no teto da meta de inflação, que é de 4,5%. É o argumento pronto dos dois lados: o governo mostra desemprego na mínima da década e a oposição mostra a comida e a luz. O que o índice desta sexta muda é o palco da semana final: o número que as campanhas vão citar até domingo já existe e não muda mais.

O barril, a trava e os interesses na agenda de sexta

A pressão externa sobre o preço interno afrouxou nesta sexta. O Irã ofereceu reabrir o estreito de Ormuz em sete dias e o Brent caiu 2,7%, a 103,72 dólares, movimento analisado no texto do dia. Barril mais barato reduz o custo da trava da gasolina, o corte de tributos de cerca de 2 bilhões de reais por mês. A trava vence um dia depois do primeiro turno, conta aberta no texto de 10 de setembro. Washington seguiu em silêncio sobre a eleição brasileira. O governo continua preparando para a Organização dos Estados Americanos a resposta à lista do Escudo das Américas, a coalizão de sanções da qual o Brasil ficou fora. A lista foi registrada pelo site Infobae, em espanhol, e a série acompanha essa pressão desde o especial Depois de Caracas.

A agenda do dia diz o que cada campanha acha que ainda falta. O presidente caminhou no centro do Recife e janta com empresários em São Paulo, segundo a Agência Brasil, a agência estatal de notícias. Lido pelos fatores de produção: a caminhada nordestina cuida do comparecimento da base, o trabalho de renda baixa que decidiu 2022. O jantar cuida do capital, que financia a reta final e quer previsibilidade de regra. O senador participou de formatura da Polícia Militar no Rio e vai a uma festa de peão em Jaguariúna, em São Paulo, segundo o site Metrópoles. A formatura fala ao aparelho de segurança do Estado, e a festa de peão fala à renda da terra, o agro que quer tarifa baixa e crédito. Nenhum dos dois foi aos debates: o da Band esvaziou sem os dois líderes e o da Record, de domingo, segue sem confirmação deles, segundo o Gazeta do Povo. Quem lidera evita o risco; quem precisa virar voto precisa do palco. Com os dois empatados, os dois se comportam como líderes, e o eleitor fica sem o único formato em que os candidatos respondem um ao outro.

O que observar até 4 de outubro

Domingo, dia 27: o encontro da Record, se os dois líderes mantiverem a ausência, vira mais um debate sem os primeiros colocados. Quarta, dia 30: a reunião ministerial sobre o tarifaço em Milwaukee, o encontro do governo americano que decide tarifas e pode alcançar o Brasil. Quinta, 1º de outubro: o debate da Globo, o único do calendário com os dois líderes convidados e ainda sem recusa pública. Sexta e sábado: as últimas pesquisas com campo completo, incluindo o Datafolha de véspera. Domingo, dia 4: primeiro turno. Segunda, dia 5: vence a trava da gasolina, e a decisão de renová-la ou não será o primeiro ato econômico depois do voto.

Fontes

Gazeta do Povo (a ficha completa da Palver) · CNN Brasil (os números da Palver) · Tribunal Superior Eleitoral (o registro das pesquisas) · CartaCapital (os números do Datafolha de quinta) · NC News (a comparação do Datafolha de 2026 com o de 2022) · Agência Brasil (o IPCA-15 de setembro) · IBGE (os dados detalhados da prévia) · O Tempo (a ação sobre a propaganda da picanha) · Agência Brasil (a agenda dos candidatos) · Metrópoles (a agenda do senador) · Gazeta do Povo (o calendário de debates) · CNBC (a queda do barril com a proposta iraniana) · Infobae, em espanhol (a lista das sanções coletivas)

Os outros textos do dia: O Irã oferece reabrir Ormuz em sete dias e o barril cai · O dia em seis regiões: o plenário esvazia para Netanyahu · Clima: o Pacífico bate o recorde diário de toda a série.

Toda análise do COMPASSO responde às mesmas cinco perguntas, sempre na mesma ordem: qual excedente está em disputa, quem disputa, que regras definem como se ganha, quem captura a maior fatia e onde você está nesse jogo. Conheça o método.