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Eleição 2026: o debate cai e as pesquisas finais se dividem
A TV Globo cancelou o último debate do primeiro turno horas antes do início, depois de uma decisão do TSE que proibiu mostrar o púlpito vazio de Lula e de uma ordem do STF que mandou incluir Renan Santos. Lula falou a um pico de 1,7 milhão de pessoas no Flow; a live de Flávio Bolsonaro chegou a 900 mil. As duas pesquisas da véspera apontam em direções opostas: o Datafolha dá 48 a 45 para o presidente no segundo turno e a Real Time Big Data dá 51 a 49 para o senador. O acumulado chega a 26 medições e a estimativa central segue 50 a 50.
Leituras
- O último debate do primeiro turno caiu por decisões judiciais: o TSE proibiu mostrar o púlpito vazio de Lula, o STF mandou incluir Renan Santos, e a Globo cancelou alegando insegurança jurídica.
- O Datafolha dá 48 a 45 para Lula e a Real Time Big Data, 51 a 49 para o senador, ambas na margem: com 26 medições, a estimativa central segue 50 a 50.
- O eleitor de Augusto Cury, que chegou a 12% em setembro, caiu a 3% ou 4% nas pesquisas finais: o voto útil migrou e engordou os dois líderes, como a série antecipava.
Este é o texto desta sexta-feira da série Eleição 2026, que lê as movimentações da corrida, internas e externas, como um processo único e acumulado. O texto de quarta registrou a decisão de Lula de trocar o debate pelo Flow e o acumulado de 24 medições de segundo turno. Faltam dois dias para o primeiro turno, marcado para domingo, 4 de outubro.
Os movimentos de quinta e desta sexta, dentro e fora
O último debate do primeiro turno morreu antes de começar. Na quinta à noite, a TV Globo cancelou o encontro marcado para as 21h30 depois de duas decisões judiciais tomadas horas antes. A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, proibiu a emissora de exibir o púlpito vazio reservado a Lula, que já havia confirmado ausência. E o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, mandou incluir o candidato Renan Santos, do partido Missão. O candidato ficara fora pelos critérios da emissora. A Globo cancelou alegando que as decisões criam insegurança jurídica e interferem na liberdade de organizar debates, segundo o site de notícias Metrópoles. Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury já estavam nos estúdios quando a suspensão foi anunciada, conforme a Revista Fórum, o site de linha governista.
Sem debate, a audiência da noite migrou para a internet. A entrevista de Lula ao Flow Podcast, o programa de entrevistas transmitido pelo YouTube, teve pico de 1,7 milhão de espectadores simultâneos, acima do recorde do próprio programa. A live que o senador Flávio Bolsonaro montou no mesmo horário chegou a 900 mil, abaixo do 1 milhão que ele havia pedido em público aos apoiadores. Os números são da Revista Fórum. A televisão aberta, que organizou a reta final das eleições brasileiras por quatro décadas, ficou sem o seu evento de véspera.
A rodada final de pesquisas trouxe duas medições nacionais com registro conferido no Tribunal Superior Eleitoral. O Datafolha ouviu 2.506 eleitores de 28 de setembro a 1º de outubro, com margem de dois pontos e registro BR-08039/2026. No primeiro turno estimulado, Lula tem 42% e o senador tem 38%; em votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, 45% a 40%. Na simulação de segundo turno, 48% a 45% para o presidente. A Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores de 26 a 30 de setembro, com margem de dois pontos e registro BR-09503/2026. No primeiro turno em válidos, 46% a 41% para Lula. No segundo turno, 51% a 49% para o senador. Os números das duas são da Gazeta do Povo, o jornal paranaense de linha de oposição, que publica as fichas técnicas.
No tribunal, o caso de Aparecida terminou. O plenário virtual do TSE manteve por 3 votos a 2 a remoção das publicações que ligavam o senador ao suposto fim do título de padroeira do Brasil. A divergência limita a remoção aos conteúdos que atribuem atos concretos ao candidato, segundo o site jurídico Migalhas. Foi o desfecho do vaivém entre tribunais que a série registrou na segunda. No caso das bets, as casas de apostas proibidas por medida provisória, o ministro Luiz Fux virou relator das três ações diretas do setor, como registrou o site O Antagonista. Segue correndo o prazo de 72 horas que ele deu ao governo. A associação do setor pede decisão antes de segunda, dia 5, quando as plataformas saem do ar.
Na pressão externa, Washington falou sem escolher lado. Na quinta, antes de embarcar para o Texas, Trump disse que acompanha a eleição brasileira muito de perto. Chamou o Brasil de país muito importante e não citou candidato, segundo a Agência Brasil, a agência estatal de notícias. A emergência nacional decretada sobre o país segue em vigor, com as tarifas de 50% e as sanções a autoridades. É o quadro que a série acompanha desde o especial que abriu esta cobertura. E a sobretaxa chinesa de 55% sobre a carne brasileira começou a valer na quinta, o aperto sobre o agro analisado na quarta. Nas ruas, os dois líderes fecham a campanha no Sudeste nesta sexta, conforme o Metrópoles. Lula faz caminhadas no centro do Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. O senador vai a Montes Claros e à zona oeste do Rio.
O que muda na leitura da corrida
Com as duas pesquisas novas, o acumulado de segundo turno desde a crise do Supremo vai a 26 medições. São treze com vantagem numérica do senador, dez com o presidente e três empates exatos. As duas pesquisas da véspera apontam em direções opostas e as duas cabem na margem de erro. Em votos válidos, o Datafolha vira cerca de 51,6% a 48,4% para Lula, e a Real Time Big Data, 51% a 49% para o senador. A divergência entre institutos, sistemática desde setembro, chega intacta à urna: a estimativa central da série segue 50 a 50, e quem escolhe um instituto escolhe um resultado.
O movimento novo está no terceiro pelotão. Augusto Cury, que chegou a 12% em setembro, caiu para 4% no Datafolha e 3% na Real Time Big Data. Renan Santos marca 3% e 5%. A queda confirma o derretimento pelo voto útil que a série apontava como o indicador decisivo. O eleitor do terceiro pelotão migrou na reta final e os dois líderes engordaram juntos. Lula foi a 45% e 46% dos válidos, e o senador, a 40% e 41%. Para onde foi cada fatia, só os cruzamentos completos dos institutos vão mostrar.
Seguem valendo as duas camadas de hipótese da série. A primeira é o precedente de 2022. O Datafolha de véspera mediu Lula quase certo e subestimou o candidato Bolsonaro em 7,2 pontos de válidos no primeiro turno. Parte foi viés de amostra, parte movimento tardio. Se a fração transferível desse erro, estimada em 1,5 a 2,5 pontos, se repetir no mesmo sentido, o 45% a 40% desta véspera vira empate técnico na urna. É uma leitura possível, não um fato. A segunda camada é o calendário dos efeitos: os campos das duas pesquisas terminaram até 1º de outubro e pegam só parcialmente o debate cancelado e o fim de semana. As divulgações registradas para sábado fecham a série com o quadro mais fresco.
Os interesses por trás dos movimentos
No cancelamento do debate, o recurso em disputa é o controle do formato da reta final. A Justiça Eleitoral já decidia sobre remoção de posts e registro de pesquisas. Passou a decidir também quem entra num debate e o que a câmera pode mostrar. A emissora reagiu retirando o produto. O capital da televisão aberta perde o evento que justificava sua centralidade eleitoral. A renda da atenção migra para plataformas que não respondem às mesmas regras. O YouTube não tem obrigação de equilíbrio entre candidatos. Para a sociedade, a véspera terminou com menos confronto direto entre os projetos e mais audiência segmentada, cada eleitor no canal do próprio campo.
No caso das bets, o capital das plataformas, boa parte registrado fora do país, compra tempo no Supremo. Cada dia sem liminar é receita parada. E a comissão do Congresso que pode alterar a medida só vota depois da eleição. No agro, a renda da terra chega à urna comprimida pelo tarifaço americano, pelo embargo europeu e pela sobretaxa chinesa. De qualquer vencedor, ela cobra uma agenda de reabertura de mercados. E o trabalho assalariado vota com o emprego na mínima da década e a inflação perto de 4,5%, o quadro que o estado do jogo de setembro descreveu.
O que observar até domingo
Sábado, dia 3: as últimas pesquisas registradas, com Quaest prevista, fecham a série; caminhadas e carreatas terminam às 22h. Ainda neste fim de semana, decisão possível de Fux sobre as bets, antes de as plataformas saírem do ar na segunda. Domingo, dia 4: votação das 8h às 17h, horário de Brasília, e apuração na mesma noite. Se nenhum candidato passar de metade dos votos válidos, o segundo turno fica marcado para 25 de outubro. Segunda, dia 5: fim dos saques das bets e da trava do preço da gasolina, como registrou a abertura da semana passada. E em 27 e 28 de outubro, entre os dois turnos, o Federal Reserve decide o juro com o emprego americano travado, o fato do dia, analisado em texto próprio.
Fontes
Tribunal Superior Eleitoral, sistema de registro de pesquisas (documento primário) · Gazeta do Povo, o jornal paranaense de linha de oposição (os números do Datafolha) · Gazeta do Povo (os números da Real Time Big Data) · Metrópoles, o site de notícias (o cancelamento do debate) · CNN Brasil, o canal de notícias (as intimações à emissora) · Revista Oeste, o site de linha de oposição (a acusação de interferência judicial) · Revista Fórum, o site de linha governista (as audiências do Flow e da live) · Migalhas, o site jurídico (o 3 a 2 no caso de Aparecida) · O Antagonista, o site de linha de oposição (a relatoria das ações das bets) · Agência Brasil, a agência estatal de notícias (a fala de Trump) · Metrópoles (as agendas finais no Sudeste) · Infobae, em espanhol (a reta final vista da Argentina)
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