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Eleição 2026: Lula não vai ao debate e o empate chega a 24
A quatro dias do primeiro turno, o presidente comunicou à própria coordenação que não vai ao debate da TV Globo de quinta e negocia uma entrevista a podcast no mesmo horário. Duas pesquisas nacionais novas, Meio/Ideia e Indexa, mostram o segundo turno empatado dentro da margem e levam o acumulado da série a 24 medições. O plenário virtual do TSE julga a remoção dos posts do caso de Aparecida. E a China passa a taxar a carne brasileira a partir de quinta, pondo o agro no centro da véspera.
Leituras
- Lula decidiu não ir ao debate da Globo contra a posição de quase toda a coordenação: com a corrida travada, a campanha aposta que a cadeira vazia custa menos que o risco do confronto.
- Meio/Ideia e Indexa levam o acumulado desde a crise do Supremo a 24 medições de segundo turno, as cinco da semana final dentro da margem: a estimativa central segue 50 a 50.
- O TSE julga nesta quarta a remoção dos posts de Aparecida, e a sobretaxa chinesa à carne põe o agro no centro da véspera: a reta final corre no tribunal e no preço.
Este é o texto desta quarta-feira da série Eleição 2026, que lê as movimentações da corrida, internas e externas, como um processo único e acumulado. O texto de terça registrou o empate da Palver, a AtlasIntel cravando 50 a 50 e o estudo da campanha sobre o debate. Faltam quatro dias para o primeiro turno, marcado para domingo, 4 de outubro.
Os movimentos desta quarta, dentro e fora
A decisão do dia saiu do lado do presidente. Lula comunicou à coordenação de campanha que não participa do debate da TV Globo de quinta-feira, o último antes do voto. A coordenação discordou quase à unanimidade, segundo o Brasil 247, o site de linha governista. A alternativa em negociação é uma entrevista ao vivo a um podcast de grande audiência no mesmo horário, conforme o site de notícias Metrópoles. A decisão desfaz a sinalização da véspera, quando um senador do partido dava a ida como certa.
Do outro lado, o debate virou o centro da estratégia. O senador Flávio Bolsonaro aposta no encontro para buscar ainda no primeiro turno o eleitor de Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. A aposta é descrita pela Gazeta do Povo, o jornal paranaense de linha de oposição. Nesta quarta o senador ficou sem agenda pública, em preparação para o debate. Lula fez caminhada em Juiz de Fora, em Minas Gerais, no fim do giro que passou pelo Nordeste, conforme O Tempo, o jornal mineiro.
A rodada trouxe duas pesquisas nacionais novas, as duas com registro conferido no Tribunal Superior Eleitoral. A Meio/Ideia, do instituto Ideia para a newsletter Meio, ouviu 2.000 eleitores de 25 a 28 de setembro, com margem de 2,2 pontos e registro BR-08706/2026. No primeiro turno estimulado, Lula tem 39,4% e o senador tem 38,4%, a diferença mais curta da rodada. Na simulação de segundo turno, 48,5% a 48% para o presidente. A Indexa, contratada pela Agência Estado, ouviu 2.000 pessoas de 27 a 29 de setembro, com margem de 2,2 pontos e registro BR-00698/2026. No primeiro turno, 39% a 34% para o presidente, com Caiado e Cury em 4% cada. No segundo, 43% a 42%. Em votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, as duas simulações de segundo turno ficam perto de 50,5% a 49,5% para o presidente, dentro da margem. Os números das duas são da Gazeta do Povo, que publica a ficha técnica com o registro.
No tribunal, o caso de Aparecida chegou ao colegiado. O plenário virtual do TSE julga desde as 10h desta quarta a decisão do ministro André Mendonça sobre o caso. Ele mandou remover 1.125 publicações que ligavam o senador ao suposto fim do título de padroeira do Brasil. A ordem foi derrubada no domingo por Flávio Dino, do Supremo, e restabelecida na segunda por Luiz Fux, que devolveu o caso ao colegiado, o vaivém que a série registrou na segunda. A disputa religiosa ganhou capítulo novo. A campanha do presidente classificou de inaceitável a acusação do senador de que a notícia falsa teve ajuda de gente de dentro da CNBB, a conferência dos bispos católicos, segundo O Tempo. A entidade nega.
No caso das bets, as casas de apostas eletrônicas proibidas por medida provisória na sexta, não houve decisão nesta quarta. O pedido de 72 horas da Advocacia-Geral da União, o órgão que defende o governo em juízo, segue correndo. A janela de decisão do ministro Luiz Fux desemboca na quinta, dia do debate. Entrou peça nova, do futebol: o sindicato dos atletas pediu a suspensão da medida ou seis meses de transição, segundo o Poder360, o site de notícias. O motivo declarado: os clubes dependem do patrocínio das apostas. No Congresso, os líderes já articulam mudar a medida depois da eleição, com transição e devolução de outorgas, conforme o InfoMoney, o site financeiro.
Na pressão externa, o terceiro dia seguido sem gesto novo de Washington sobre o Brasil. O pano de fundo segue o mesmo: a emergência nacional decretada sobre o país continua em vigor, com as tarifas de 50% e as sanções a autoridades. É o quadro que a série acompanha desde o especial que abriu esta cobertura. A revista americana Foreign Policy publicou nesta quarta uma leitura do fim de campanha: soberania virou o eixo do discurso do presidente. Os militares apresentaram a ele um plano de defesa de 155 bilhões de dólares em 15 anos. E o Brasil ficou fora do arranjo de segurança regional que Washington batizou de Escudo das Américas. E a véspera ganhou um fato econômico com endereço eleitoral: a China esgotou a cota e taxa a carne brasileira em mais 55% a partir de quinta, o fato do dia, analisado em texto próprio.
O que muda na leitura da corrida
Com Meio/Ideia e Indexa, o acumulado de segundo turno desde a crise do Supremo vai a 24 medições: doze com vantagem numérica do senador, nove com o presidente e três empates exatos. Todas as cinco medições da semana final cabem na margem de erro, e a estimativa central da série segue em 50 a 50. No primeiro turno, a divergência entre institutos continua: de empate exato na Palver e 1 ponto na Meio/Ideia a 5 pontos na Quaest, na Nexus e na Indexa. As diferenças cabem nas margens somadas, e por isso a leitura não muda: corrida travada, decidida na mobilização.
Seguem valendo as duas camadas de hipótese da série. A primeira é o precedente de 2022, quando as pesquisas subestimaram o campo bolsonarista em cerca de quatro pontos no primeiro turno, num erro numa só direção. Se o erro se repetir no mesmo tamanho e sentido, o empate de hoje esconde uma vantagem do senador. É uma leitura possível, não um fato. A segunda é o calendário dos efeitos: os campos encerrados até segunda pegam só os primeiros dias da proibição das bets e do caso de Aparecida. O efeito cheio, se existir, aparece nas divulgações de quinta a sábado, com Datafolha e Quaest registradas para a véspera.
A cadeira vazia entra nessa mesma conta. A maior audiência da reta final fica inteira com o senador. A campanha do presidente aposta que o eleitor que decide na última semana está no celular. E avalia que o custo conhecido da ausência é menor que o custo imprevisível do confronto com a corrida travada.
Os interesses por trás dos movimentos
No debate, o recurso em disputa é a atenção, e ela tem preços diferentes para as duas campanhas. Para o senador, o confronto é a última chance de mover eleitor de terceiros sem pagar mídia. Para o presidente, o risco de um erro ao vivo vale mais do que a audiência perdida, e o podcast entrega público jovem com controle de formato. A televisão aberta vira personagem: o campo governista já discute o peso que a emissora dará à ausência, e o campo de oposição trata a recusa como fuga.
Na economia da véspera, dois capitais esperam decisões. O capital das plataformas de apostas, boa parte registrado fora do país, compra tempo no Supremo e no Congresso. Cada dia de liminar pendente é receita parada, e a comissão que pode mudar a medida só vota depois da eleição. E a renda da terra chega à urna pressionada pelo tarifaço americano, pelo embargo europeu e agora pela sobretaxa chinesa. O agro exportador passa a cobrar de qualquer vencedor uma agenda de reabertura de mercados.
O que observar até 4 de outubro
Quinta, dia 1º: o debate da TV Globo às 21h30, com o senador confirmado e a cadeira do presidente vazia, salvo reviravolta. No mesmo dia vencem a janela pedida pela Advocacia-Geral no caso das bets, com decisão possível de Fux, e o prazo da propaganda em rádio e televisão. A sobretaxa chinesa sobre a carne também começa na quinta. Sexta, dia 2: comícios e novos debates ficam proibidos pelo calendário eleitoral. Sábado, dia 3: a véspera concentra as últimas divulgações registradas, com Datafolha e Quaest previstas, e as caminhadas terminam às 22h. Domingo, dia 4: primeiro turno. Segunda, dia 5: fim dos saques das bets e da trava do preço da gasolina, como a abertura da semana registrou.
Fontes
Tribunal Superior Eleitoral, sistema de registro de pesquisas (documento primário) · Gazeta do Povo, o jornal paranaense de linha de oposição (os números da Meio/Ideia) · Gazeta do Povo (os números da Indexa) · Brasil 247, o site de linha governista (a decisão sobre o debate) · Metrópoles, o site de notícias (a negociação do podcast) · Gazeta do Povo (a aposta do senador no debate) · O Tempo, o jornal mineiro (a nota sobre a CNBB e as agendas) · O Fato, o site de notícias (o plenário virtual do caso de Aparecida) · Poder360, o site de notícias (o pedido do futebol no caso das bets) · InfoMoney, o site financeiro (a articulação no Congresso) · Foreign Policy, a revista americana (a defesa como eixo da reta final) · CNN en Español, em espanhol (a reta final vista de fora)
Os outros textos do dia: China esgota a cota e taxa a carne do Brasil em mais 55% · O dia em seis regiões: mísseis em Kiev e o orçamento da guerra · Clima: o aquecimento do oceano dobrou de ritmo em 20 anos.
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