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Eleição 2026: Palver dá 47 a 45 ao senador e Lula estuda debate
A cinco dias do primeiro turno, a rodada desta terça tem uma pesquisa nova: a Palver marca empate de 44% no primeiro turno e 47% a 45% ao senador na simulação de segundo, dentro da margem. A campanha do presidente passou a estudar a ida ao debate da Globo de quinta, mudando a sinalização de ontem. As casas de apostas formalizam no Supremo o pedido contra a medida provisória que as proibiu, e a decisão pode sair na véspera do voto. Washington segue sem gesto novo sobre o Brasil, mas revogou vistos de 27 autoridades de quatro vizinhos.
Leituras
- A Palver leva o acumulado desde a crise do Supremo a 21 medições de segundo turno: doze com vantagem do senador, sete com o presidente e duas empatadas. A estimativa central segue 50 a 50.
- Lula estuda ir ao debate de quinta depois de semanas sinalizando ausência: com a corrida travada, entregar a maior audiência da campanha ao adversário passou a custar mais que o risco do confronto.
- O prazo pedido pelo governo empurra a decisão sobre as bets para quinta: a liminar pode sair no dia do debate, e o gesto econômico da semana final pode não chegar inteiro à urna.
Este é o texto desta terça-feira da série Eleição 2026, que lê as movimentações da corrida, internas e externas, como um processo único e acumulado. O texto de segunda abriu a semana final com a Quaest e a Nexus dentro da margem. Registrou também a divergência entre o Supremo e o tribunal eleitoral no caso de Aparecida, e a proibição das bets virando a disputa econômica da reta final. Faltam cinco dias para o primeiro turno, marcado para domingo, 4 de outubro.
Os movimentos desta terça, dentro e fora
A pesquisa nova é da Palver, contratada por ela própria. Foram 5.000 entrevistados, campo de 24 a 28 de setembro, margem de 2,4 pontos e registro BR-02990/2026 (o número no Tribunal Superior Eleitoral). No primeiro turno estimulado, empate exato: o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro têm 44% cada, com Renan Santos em 8%. Na simulação de segundo turno, 47% a 45% para o senador, dentro da margem. Em votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, o segundo turno dá 51,1% ao senador e 48,9% ao presidente. Os números são do jornal paranaense Gazeta do Povo, de linha de oposição. O JOTA, o site jurídico, destaca da mesma pesquisa as rejeições dos dois líderes: 52% e 51%, empate técnico. É a rejeição alta e quase simétrica que segue segurando os tetos dos dois campos.
O movimento de campanha do dia foi uma mudança de avaliação. A campanha do presidente passou a estudar a ida ao debate da TV Globo de quinta-feira, o último antes do voto, segundo o site paranaense de notícias Bem Paraná. Na segunda, a sinalização pública era de ausência. O presidente nacional do PT, o partido de Lula, dizia que no formato atual Lula não iria, como o texto de segunda registrou. O senador confirmou presença no domingo e desafiou o adversário em público. Segundo o jornal argentino Infobae, em espanhol, a frase do desafio foi direta: quero esfregar a verdade. Se os dois forem, será o primeiro encontro dos líderes em toda a campanha.
No contencioso das bets, as casas de apostas eletrônicas proibidas por medida provisória na sexta, o caso ganhou forma e prazo. As entidades do setor formalizam nesta terça o pedido coletivo de suspensão da medida no Supremo Tribunal Federal, segundo o site de notícias Diário do País. O pedido se liga a quatro ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) já em tramitação. Os relatores são os ministros Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça. No Congresso, a discussão da medida ficou para depois do primeiro turno. A Advocacia-Geral da União, o órgão que representa o governo em juízo, pediu 72 horas para se manifestar, como o texto de segunda antecipou. Se o prazo correr inteiro, a decisão de Fux pode sair na quinta, dia do debate e véspera do fim das pesquisas.
Na pressão externa, o segundo dia seguido sem gesto novo de Washington sobre o Brasil. O movimento americano do dia na região foi outro: a revogação dos vistos de 27 autoridades e ex-autoridades de Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, segundo a agência de notícias AP. Entre os alvos está o procurador-geral boliviano Roger Mariaca, acusado de corrupção e de ligação com o narcotráfico. Os quatro países têm governos próximos de Trump, e o alvo são juízes e promotores. É uma leitura possível, não um fato, que o gesto mostre o instrumento preferido de Washington para burocracias judiciais da região na mesma semana do voto brasileiro. A série acompanha essa dimensão desde o especial que abriu esta cobertura.
O que muda na leitura da corrida
Com a Palver, o acumulado desde a crise do Supremo chega a 21 medições de segundo turno: doze com vantagem numérica do senador, sete com o presidente e duas empatadas. Todas as três medições da semana final até aqui cabem na margem de erro, e a estimativa central da série segue em 50 a 50. O sinal de primeiro turno divergiu nesta rodada: Quaest e Nexus viram 5 pontos de diferença a favor do presidente no balanço de segunda, e a Palver vê empate exato. A divergência cabe nas margens somadas das pesquisas, e por isso não muda a leitura: corrida travada, decidida na mobilização.
Seguem de pé as duas camadas de hipótese da série. A primeira é o precedente de 2022, quando as pesquisas subestimaram o campo bolsonarista em cerca de quatro pontos, num erro numa só direção. Se o erro se repetir no mesmo tamanho e sentido, o empate de hoje esconde uma vantagem do senador. É uma leitura possível, não um fato. A segunda é o calendário dos efeitos: os campos encerrados até domingo pegam só os primeiros dias da proibição das bets e do caso de Aparecida. Se houver movimento real de eleitor, ele aparece nas pesquisas com campo desta semana, que saem entre quarta e sexta, quando cerca de trinta medições registradas devem ser divulgadas, como a série registrou no balanço de sábado.
Os interesses por trás dos movimentos
O caso das bets segue sendo o que move renda de verdade. O capital de plataforma das apostas, boa parte registrado fora do país, perdeu por decreto um mercado de dezenas de bilhões por ano. Agora compra tempo no processo: cada dia de liminar pendente é receita parada. O Estado abre mão de arrecadação em troca da capacidade de regular o vício, e aposta que o eleitor endividado perceba a diferença antes do domingo. A renda do trabalho que escoava em apostas fica, em tese, disponível para consumo. No debate, o recurso em disputa é a atenção: a maior audiência da reta final é gratuita para quem sobe ao estúdio. A mudança de avaliação da campanha do presidente tem explicação simples. Ceder essa audiência inteira ao adversário passou a custar mais que o risco do confronto. Nos vistos da vizinhança, o Estado americano usa o acesso ao próprio território como instrumento de política externa. O critério declarado, corrupção, é também um recado sobre quem valida eleições e processos na região.
O que observar até 4 de outubro
Quarta e quinta: a maior leva de pesquisas da campanha, com AtlasIntel em quatro estados e Real Time Big Data em cinco praças entre as registradas. A série só entra com registro conferido no tribunal eleitoral. Quinta, dia 1º: fim do prazo pedido pela Advocacia-Geral da União no caso das bets, com decisão possível de Fux. Às 21h20, o debate da TV Globo, com a presença do senador confirmada e a do presidente em avaliação. No tribunal eleitoral: segue sem decisão a representação do senador contra o uso eleitoral do discurso de Lula na ONU, registrada em 22 de setembro. Também espera decisão a representação da coligação do presidente contra a peça do pai do Tigrinho. Domingo, dia 4: primeiro turno. Segunda, dia 5: fim dos saques das bets e da trava do preço da gasolina, como a abertura da semana registrou.
Fontes
Tribunal Superior Eleitoral, sistema de registro de pesquisas (documento primário) · Gazeta do Povo, o jornal paranaense de linha de oposição (os números da Palver) · JOTA, o site jurídico (a rejeição na Palver) · Bem Paraná, o site paranaense de notícias (Lula estuda ir ao debate) · O Tempo, o jornal mineiro (a confirmação do senador) · Poder360, o site de notícias (o desafio ao presidente) · Diário do País, o site de notícias (a ação das bets no Supremo e no Congresso) · Brasil 247, o site de linha governista (a articulação do setor) · AP, a agência americana (os vistos revogados na região) · Infobae, em espanhol, o jornal argentino (a semana final vista de fora)
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