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Eleição 2026: o empate resiste e Dino derruba decisão do TSE
A semana final abre com duas pesquisas novas: a Quaest marca empate exato de 42% a 42% no segundo turno, e a Nexus dá 46% a 44% ao presidente, dentro da margem. No domingo, o ministro Flávio Dino, do Supremo, cassou a ordem do Tribunal Superior Eleitoral que derrubava publicações sobre o boato de Aparecida. Flávio Bolsonaro confirmou o debate da Globo de quinta; Lula tende a não ir. E a proibição das bets, editada na sexta por medida provisória, virou a disputa econômica da reta final.
Leituras
- Quaest e Nexus abrem a semana final com Lula à frente no primeiro turno e empate na simulação de segundo: são vinte medições desde a crise do Supremo, e a leitura segue 50 a 50.
- No domingo, um ministro do Supremo cassou a decisão de um ministro do tribunal eleitoral sobre o boato de Aparecida: a semana final começa com as duas cortes divergindo sobre o que pode circular.
- Flávio Bolsonaro confirmou o debate da Globo e Lula tende a não ir: se ficar assim, o eleitor chega ao primeiro turno sem ver os dois líderes frente a frente em toda a campanha.
Este é o texto desta segunda-feira da série Eleição 2026, que lê as movimentações da corrida, internas e externas, como um processo único e acumulado. O balanço de sábado fechou a semana passada com nove pesquisas, uma só fora da margem, e a campanha migrando para o tribunal e para a televisão. Faltam seis dias para o primeiro turno, marcado para domingo, dia 4 de outubro.
Duas pesquisas novas e um aviso confirmado
A rodada desta segunda trouxe duas medições nacionais. A Quaest, contratada pela TV Globo, a emissora, e pelo jornal O Globo, ouviu 2.004 eleitores de 24 a 27 de setembro. A margem é de 2 pontos, com registro BR-06520/2026 no Tribunal Superior Eleitoral. Na pergunta estimulada do primeiro turno, o presidente Lula tem 39% e o senador Flávio Bolsonaro, 34%; Augusto Cury e Ronaldo Caiado marcam 4% cada. Na simulação de segundo turno, empate exato: 42% a 42%. Em votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, o segundo turno dá 50% para cada um. Os números foram divulgados pelo portal TVT News, ligado à central sindical CUT, e pelo site paranaense de notícias BandaB.
A segunda medição é da Nexus para o banco BTG Pactual: 2.000 eleitores por telefone, de 25 a 27 de setembro, margem de 2 pontos, registro BR-07557/2026. No primeiro turno estimulado, Lula tem 42% e o senador, 37%. Na simulação de segundo turno, 46% a 44% para o presidente, dentro da margem; em votos válidos, 51,1% a 48,9%. A mesma pesquisa mede a rejeição dos dois líderes. Dizem que não votariam no senador de jeito nenhum 51% dos eleitores, e 48% dizem o mesmo do presidente. Os números são da revista CartaCapital, de linha governista, e do site de notícias Poder360. É a rejeição, alta e quase simétrica, que segura os tetos dos dois e mantém a corrida travada.
O aviso de serviço de sábado se confirmou. A Veritá, que tinha registro BR-04467/2026 para uma pesquisa nacional de 40.500 entrevistados com campo encerrado em 25 de setembro, não publicou números novos até esta segunda. O que circulou em redes no fim de semana repete a rodada anterior do instituto, de campo encerrado em 19 de setembro, como o texto de sábado antecipou. O contexto pesa: o instituto acumula pesquisas barradas ou suspensas pela Justiça Eleitoral em ao menos treze estados por falhas de amostragem, segundo levantamento do site de notícias Metrópoles. Número sem registro conferido não entra na série.
O Supremo cassa o tribunal eleitoral no caso do boato
O contencioso da reta final subiu de instância no fim de semana. No sábado, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, suspendeu o jingle e o programa de rádio da campanha do presidente chamados Foi o Flávio. As peças ligavam o senador ao caso Master, a investigação sobre o Banco Master, liquidado em 2025, que alcança gente dos dois campos. O caso entrou na campanha em 18 de setembro, como o COMPASSO registrou. No domingo veio o movimento maior. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, cassou a decisão do ministro André Mendonça, do tribunal eleitoral. Mendonça havia mandado derrubar na sexta 1.170 publicações sobre o boato de que o senador tiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Dino mandou restabelecer as publicações e derrubou a proibição de posts futuros, citando a liberdade de expressão e a de crítica religiosa. A decisão foi noticiada pelo jornal paranaense Gazeta do Povo, de linha de oposição.
O fato é maior que o boato. A seis dias do voto, um ministro do Supremo desautorizou publicamente uma ordem do tribunal que administra a eleição. As duas cortes já vinham em atrito desde o caso Master, quando o presidente comprou a briga com o Supremo, como a série registrou em 18 de setembro. Agora a divergência alcança a regra do que pode circular na campanha. Para as plataformas, a consequência prática é imediata: a ordem que valia na sexta deixou de valer no domingo, e a que vale hoje pode mudar de novo. É uma leitura possível, não um fato, que essa instabilidade beneficie quem produz conteúdo mais rápido. O fato é que a palavra final sobre a propaganda ficou incerta na semana em que ela mais importa.
A proibição das bets entra na urna
A disputa econômica da semana tem nome: bets, as casas de apostas eletrônicas legalizadas em 2018 e reguladas desde 2025. Na sexta, o governo editou medida provisória que proíbe a atividade no país. Novos depósitos estão vetados desde a publicação. Os saques dos apostadores vão até 5 de outubro, um dia depois do primeiro turno. Os sites saem do ar em 6 de outubro, e explorar o serviço vira crime, com pena de quatro a seis anos, segundo a rede de televisão CNN Brasil. O presidente justificou com o dinheiro das famílias: 62,5 bilhões de reais por ano perdidos em apostas, no número do governo. A campanha do senador já chamava Lula de pai do Tigrinho, em referência ao jogo de aposta mais popular. Contra essa peça, a coligação do presidente acionou o tribunal eleitoral, como o texto de sábado registrou. A medida provisória é a resposta na forma de ato de governo: quem editou a regra passou a disputar a autoria do combate ao vício, não só a versão.
Nas ruas, o fim de semana repetiu a divisão de trabalho das campanhas. No domingo, a militância do presidente rodou mais de quinhentos atos nas 27 capitais, sem a presença dele, segundo o site Brasil de Fato, de linha governista. O senador fez comícios em Aracaju e em Goiânia. Foi lá que confirmou que vai ao debate da Globo de quinta-feira mesmo sem o adversário, segundo o site de notícias Poder360. A campanha do presidente sinaliza o contrário. Edinho Silva, o presidente nacional do PT, o partido de Lula, disse que no formato atual Lula não vai e espera o segundo turno, segundo a rede CNN Brasil. Vista de fora, a cena é a mesma. O jornal argentino Infobae, em espanhol, descreveu a semana final como a disputa pelo voto útil dos 17% que hoje apoiam os candidatos menores.
O que muda na leitura da corrida
Com Quaest e Nexus, o acumulado desde a crise do Supremo vai a vinte medições de segundo turno. São onze com vantagem numérica do senador, sete com o presidente e duas empatadas. As duas novas ficam dentro da margem, e a estimativa central da série segue em 50 a 50. O que as duas acrescentam é um sinal no primeiro turno: 5 pontos de diferença na Quaest e 5 na Nexus, na direção do presidente. Na semana passada, a rodada pendia ao senador. Os campos das duas pesquisas pegam só os primeiros dias do efeito da proibição das bets e do episódio de Aparecida. Se houver movimento real, ele aparece nas medições desta semana, não nas de hoje.
Segue de pé a camada de hipótese do precedente. Em 2022, as pesquisas subestimaram o campo bolsonarista em cerca de quatro pontos, num erro assimétrico e numa só direção. Se o erro se repetir no mesmo tamanho e sentido, o empate de hoje esconde uma vantagem do senador. É uma leitura possível, não um fato. E segue de pé a pressão externa como pano de fundo. O fim de semana não trouxe gesto novo de Washington sobre a eleição, o primeiro sem movimento americano desde a carta de congressistas democratas registrada no sábado. O silêncio numa semana decisiva também é informação, e a série o acompanha desde o especial que abriu esta cobertura.
Os interesses por trás dos movimentos
A proibição das bets mexe com renda de verdade, e por isso virou o centro da semana. O capital de plataforma, boa parte dele registrado fora do país, perde por decreto um mercado que movia dezenas de bilhões por ano. A renda do trabalho que escoava em apostas fica, em tese, disponível para consumo, e é essa transferência que o governo apresenta como proteção das famílias. O Estado abre mão da arrecadação sobre o setor em troca de capacidade de regular o vício. O cálculo do governo é que o eleitor endividado sinta a diferença antes de o setor reagir na Justiça. Do outro lado, o boato de Aparecida pôs o voto católico em disputa aberta. A divergência entre as cortes deixou as plataformas de conteúdo, outro capital de infraestrutura, sem regra estável na semana de maior audiência. Em cada movimento, a pergunta da série é a mesma: qual fator de produção captura renda, e se o ganho é apropriação privada ou amplia a liberdade de quem decide o voto.
O que observar até 4 de outubro
- De hoje a sexta, dia 2: cerca de trinta pesquisas registradas no tribunal eleitoral devem sair. Entre elas estão a AtlasIntel em quatro estados e a Real Time Big Data em cinco praças, segundo o jornal cearense O Povo. A série só entra com registro conferido.
- Quinta, dia 1º, 21h20: debate da TV Globo, com quatro convidados. Flávio Bolsonaro confirmou; Lula tende a não ir; a emissora fará o programa com quem comparecer.
- No tribunal eleitoral: seguem sem decisão a representação do senador contra o uso eleitoral do discurso de Lula na ONU, registrada em 22 de setembro. Também espera decisão a representação da coligação do presidente contra a peça do pai do Tigrinho.
- Domingo, dia 4: primeiro turno. No dia seguinte, dia 5, terminam os saques das bets e a trava do preço da gasolina.
Fontes
Tribunal Superior Eleitoral, sistema de registro de pesquisas (documento primário) · TVT News, portal ligado à central sindical CUT (os números da Quaest) · BandaB, o site paranaense de notícias (a Quaest no segundo turno) · CartaCapital, a revista de linha governista (a Nexus do BTG) · Poder360, o site de notícias (a Nexus e o debate) · Gazeta do Povo, o jornal paranaense de linha de oposição (a decisão de Dino) · Diário Carioca, o site fluminense de notícias (a suspensão do jingle) · CNN Brasil, a filial brasileira da rede americana (a medida provisória das bets) · CNN Brasil (a indefinição de Lula sobre o debate) · Brasil de Fato, o site de linha governista (os atos de domingo) · Metrópoles, o site de notícias de Brasília (o passivo judicial da Veritá) · O Povo, o jornal cearense (a agenda de pesquisas da semana) · Infobae, em espanhol, o jornal argentino (a semana final vista de fora)
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