Arquitetura de segurança · Análise
Eleição 2026: Lula à frente na Nexus e o vídeo vira campanha
A décima medição de segundo turno desde a crise do Supremo devolve a vantagem numérica ao presidente: 46% a 45%, dentro da margem, na pesquisa do Nexus para o BTG Pactual. No fim de semana, um vídeo mostrou o ministro Alexandre de Moraes desembarcando de um jato ligado ao dono do Banco Master, e a campanha do senador estuda levar as imagens ao horário eleitoral gratuito. Amanhã, os dois presidentes falam na mesma tribuna em Nova York.
Leituras
- A décima medição do segundo turno devolve a vantagem numérica ao presidente, 46% a 45%: a série segue em 50 a 50, e nenhuma rodada saiu da margem de erro desde a crise do tribunal.
- O teste da semana não é esta pesquisa, e sim a repetição nos mesmos institutos que mostraram a inclinação ao senador: a Quaest divulga hoje à noite, e o Datafolha, na quinta.
- O vídeo de domingo muda menos o voto e mais a agenda: cada dia gasto discutindo o Supremo é um dia em que preço, emprego e segurança ficam fora da campanha.
Atualização, 02h41. A Quaest divulgou na noite de segunda a medição que a série esperava. No segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro tem 42% e o presidente Lula tem 41%, empate dentro da margem de erro de dois pontos. Na rodada de 14 de setembro, a mesma Quaest deu 42% a 40%, como o COMPASSO registrou naquele dia. O instituto ouviu 2.004 eleitores presencialmente de 17 a 20 de setembro, com registro BR-06004/2026 no Tribunal Superior Eleitoral. Convertido a votos válidos, a conta que exclui brancos, nulos e indecisos, o resultado dá 50,6% ao senador e 49,4% ao presidente. No primeiro turno, o presidente tem 37% e o senador tem 33%. Os números foram publicados pelo jornal O Povo, de Fortaleza (a pesquisa Quaest), e pelo Jornal do Brasil (o cenário de segundo turno).
Atualização, 02h41. O que isso muda na leitura: a inclinação ao senador se repetiu no primeiro dos dois institutos que a testam, e a vantagem numérica dele voltou. A distância, porém, encolheu de dois pontos para um, e o sinal é mais fraco do que era. Pela regra que a série fixou na quinta-feira, falta o Datafolha, que divulga na quinta, dia 24, para a oscilação virar movimento. A série de segundo turno aberta depois da crise do Supremo chega a onze medições, sete com vantagem numérica do senador e quatro com o presidente. A estimativa da série não se move: segundo turno em 50 a 50.
Este é o texto de segunda-feira da série Eleição 2026, que lê as movimentações da corrida, internas e externas, como um processo único e acumulado. O balanço de sábado fechou a semana com a corrida pendendo ao senador Flávio Bolsonaro, sem sair do empate técnico. A crise do Supremo virou o eixo declarado da campanha dos dois lados, como registra o texto de sábado. O fim de semana acrescentou duas coisas: um vídeo que contradiz um ministro do Supremo e uma décima medição de segundo turno, que devolve a vantagem numérica ao presidente.
Os movimentos desde o último texto
O vídeo saiu no domingo, no jornal O Globo. As imagens mostram o ministro Alexandre de Moraes e a mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, desembarcando no aeroporto Santos Dumont, no Rio, em 22 de agosto de 2025. A aeronave é um Legacy 650 de prefixo PP-NLR, ligado a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o banco liquidado em 2025. Vorcaro está preso desde março. O registro contradiz uma nota do gabinete do ministro, de abril, que dizia que ele jamais viajara em avião de Vorcaro. O escritório da advogada respondeu que o fretamento de aeronaves segue critérios operacionais e não implica relação pessoal com donos ou operadores.
O contexto do contrato é o que dá peso ao registro. Segundo a Polícia Federal, o escritório de Viviane Barci negociou 50 milhões de reais em serviços jurídicos com uma empresa de Vorcaro três meses antes do voo. Parte do pagamento seria feita em cotas de um jato e de um helicóptero, e a aeronave citada é a mesma do desembarque. O caso Master, a investigação sobre o banco que alcança gente dos dois campos políticos, tinha entrado na campanha na sexta-feira pela voz do presidente, como o COMPASSO registrou em 18 de setembro. Agora entrou pelo outro lado.
Flávio Bolsonaro reagiu no domingo em vídeos nas redes sociais. Disse que Moraes é o principal responsável pela volta de Lula à disputa, que o ministro aparelhou o Estado e que a máfia dele implodiu a democracia sob o falso pretexto de protegê-la. Nesta segunda, a campanha do senador avalia levar o assunto ao horário eleitoral gratuito, segundo o site de notícias Metrópoles. Essa é a diferença entre o fim de semana e a semana passada: até sexta, a crise do tribunal era assunto de comício; agora é material de propaganda com tempo de televisão.
No campo das pesquisas, uma medição nova foi divulgada nesta segunda. O instituto Nexus, da agência FSB, contratado pelo banco BTG Pactual, ouviu 2.006 eleitores por telefone de 18 a 20 de setembro. No segundo turno, o presidente aparece com 46% e o senador com 45%, empate dentro da margem de erro de dois pontos. Brancos, nulos e quem não votaria em nenhum somam 7%, e 1% não soube responder. No primeiro turno, são 40% para o presidente e 37% para o senador. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é o BR-00485/2026, e os números estão na página do próprio instituto.
De fora, o movimento é de agenda. O presidente brasileiro desembarcou em Nova York no domingo e abre o debate de líderes da Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira, dia 22, como primeiro orador, por uma tradição mantida desde 1955. Donald Trump fala em seguida, como representante do país anfitrião. Não há encontro entre os dois marcado. A mesma Assembleia recebe a delegação iraniana e pode abrigar uma conversa entre Estados Unidos e Irã, movimento que derrubou o petróleo 4% nesta segunda e tem análise própria nesta edição.
O que isso muda na leitura da corrida
A série de medições de segundo turno aberta depois da crise do Supremo chega a dez. São seis com vantagem numérica do senador, quatro com o presidente, quase todas dentro da margem de erro. A Nexus de hoje entra no segundo grupo. Convertido a votos válidos, a conta que exclui brancos, nulos e indecisos, o resultado dá 50,5% ao presidente e 49,5% ao senador. A estimativa da série não se move: segundo turno em 50 a 50, primeiro turno com o presidente numericamente à frente e vantagem encolhida.
O teste que importa esta semana é outro. Na quinta-feira passada, a série registrou uma hipótese explícita: se a inclinação a Flávio Bolsonaro se repetisse na rodada seguinte dos mesmos institutos que a mostraram, ela deixaria de ser oscilação e viraria movimento. A Nexus não faz parte desse grupo, porque a medição anterior dela não compõe a série pós-crise. Quem testa a hipótese são a Quaest e o Datafolha, e as duas medem nesta semana. A Quaest ouviu 2.004 eleitores presencialmente de 17 a 20 de setembro, com registro BR-06004/2026, e divulga o resultado na noite desta segunda. Na rodada anterior, em 14 de setembro, ela deu a primeira vantagem numérica ao senador, 42% a 40%, como o COMPASSO registrou naquele dia.
O vídeo muda menos o número e mais o terreno. Até agora, a crise do tribunal rendia aos dois campos por motivos opostos: o senador acusava o ministro de perseguição política, e o presidente acusava cinco ministros de ligação com o caso Master. O registro de domingo dá ao campo do senador uma prova visual de contradição, e prova visual funciona em propaganda de televisão como argumento não funciona. É uma leitura possível, não um fato, que o material renda voto: o eleitorado que reage a ele já está majoritariamente definido. O efeito mais provável é sobre a agenda, não sobre a preferência. Cada dia em que a campanha discute o Supremo é um dia em que não discute preço, emprego e segurança.
Do lado institucional, nada se moveu. Os processos que envolvem os ministros Moraes e André Mendonça seguem sem data de julgamento, a treze dias do primeiro turno. O presidente do Supremo, Edson Fachin, não anunciou sessão sobre o assunto. A eleição segue correndo sem desfecho judicial à vista, e cada campo usa o vazio do próprio modo.
Os interesses por trás dos movimentos
Lido pela renda, o dia tem três camadas. Na primeira, o consumidor. O petróleo caiu 4% e o dólar recuou 0,72%, a 5,105 reais. Combustível mais barato no mês do voto alivia o transporte e o preço do alimento, e o ganho é difuso: chega a muita gente em porções pequenas. O corte de tributos que segura a gasolina custa cerca de 2 bilhões de reais por mês e vence um dia depois do primeiro turno, o que concentra a decisão sobre o preço no calendário eleitoral.
Na segunda camada, o capital financeiro. O caso Master é a disputa sobre quem responde pela liquidação de um banco e pelo crédito que ele distribuiu. Cada revelação move a posição de quem deve, de quem fiscaliza e de quem julga. Quando a instituição que decide passa a ser objeto da disputa, o valor de ter influência sobre ela sobe, e essa influência é apropriação privada por definição: só serve a quem a tem. A sociedade perde graus de liberdade na mesma proporção, porque a regra passa a depender de quem a aplica.
Na terceira, o Estado e a pressão externa. Os dois candidatos prometem recompor o tribunal, um indicando ministros e o outro expondo os atuais. O pedido de sanções americanas contra ministros brasileiros, levado ao Departamento de Estado em 16 de setembro, segue sem resposta, como registra o texto de 16 de setembro. A exigência de eleição justa e livre escrita na negociação do tarifaço continua na linha que a série acompanha desde o especial Depois de Caracas. Amanhã, os dois presidentes falam na mesma tribuna com menos de uma hora de diferença.
O que observar até 4 de outubro
Hoje à noite: o resultado da Quaest, o primeiro teste da hipótese da repetição. Terça, dia 22: a abertura do debate de líderes em Nova York, com o presidente brasileiro como primeiro orador e Trump na sequência. Terça, dia 22: a ata do Copom, com o desenho do que resta do ciclo de corte de juros. Quarta, dia 23: a AtlasIntel, com 5.000 entrevistas e registro BR-04739/2026. Quinta, dia 24: três medições no mesmo dia, do Datafolha (BR-00304/2026), da Alfa Inteligência (BR-02512/2026) e do Real Time Big Data (BR-04202/2026). Domingo, dia 27: o debate da Record e do Estadão. Dia 30: a reunião ministerial sobre o tarifaço em Milwaukee. Primeiro de outubro: o debate da Globo. Dia 4: o primeiro turno.
No quadro externo, seguem em observação os decretos que a lei americana sobre compradores de energia russa exige em 30 dias e qualquer resposta ao pedido de sanções contra ministros brasileiros. Sanção efetivada contra ministro ou instituição do Brasil segue sendo o marco de escalada que a série vigia. Nada disso aconteceu até o fechamento deste texto.
Fontes
Nexus, o instituto contratado pelo BTG Pactual (os números da pesquisa, documento primário) · Tribunal Superior Eleitoral (os registros das pesquisas, documento primário) · Nações Unidas, calendário do debate geral (documento primário) · O Povo, o jornal cearense (a divulgação da pesquisa desta segunda) · Metrópoles, o site de notícias de Brasília (a reação do senador ao vídeo) · Metrópoles, coluna de bastidores (a avaliação sobre o horário eleitoral gratuito) · Gazeta do Povo, lida à direita (o histórico da relação entre o ministro e o banqueiro) · Brasil 247, lido à esquerda (o vídeo e a versão apresentada ao Supremo) · BNews, o portal baiano (a nota do escritório da advogada) · La Nación, em espanhol (a corrida brasileira vista de Buenos Aires) · Metrópoles (o calendário de pesquisas da semana, com registros e campos) · CNBC, a rede americana de economia (a Assembleia Geral e a delegação iraniana)
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