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Energia · Análise

Clima: a semana fecha com El Niño recorde e previsão unânime

A consolidação semanal da série: em sete dias, o Pacífico equatorial somou a semana mais quente de 45 anos de medição, a maior temperatura absoluta da faixa que define o El Niño e uma previsão de 22 modelos, todos apontando evento muito forte até fevereiro de 2027. O décimo relatório do estado do oceano mostrou o fundo do processo: o ritmo de aquecimento dobrou em vinte anos. No Peru, a previsão já virou emergência em 893 distritos. A leitura acumulada muda de grau, não de direção.

Por COMPASSO3 de outubro de 20267 min de leituraTabuleiro: Energia

Leituras

  1. A semana empilhou três marcas no mesmo oceano: desvio semanal recorde de 3,1 °C, temperatura absoluta recorde de 29,822 °C e previsão unânime de 22 modelos para um evento muito forte.
  2. Os cientistas de Columbia dizem que nunca houve previsão com essa certeza nem com essa magnitude: o pico estimado de 3,38 °C fica um grau acima do recorde de 1997.
  3. O relatório do estado do oceano mostra a base do processo: o aquecimento dobrou de ritmo em vinte anos, e o El Niño recorde cresce sobre a água mais quente já medida pela série global.

Este é o texto de sábado da série Crise Climática, que consolida os dados e as falas científicas da semana na leitura acumulada do processo. A semana que termina foi a mais carregada da série até aqui. Em sete dias, o Pacífico equatorial somou um recorde semanal, um recorde absoluto e uma previsão sem divergência entre modelos. E o relatório de referência sobre o oceano global explicou a base sobre a qual tudo isso acontece.

O que a semana mediu

Os dados chegaram em sequência. Na segunda, a tabela semanal da NOAA, a agência americana de oceanos e atmosfera, marcou 3,1 °C acima da média na faixa Niño 3.4, a central do Pacífico. É o maior valor semanal das quatro décadas e meia de medição por satélite. Fica acima do auge do El Niño de 2015, como o COMPASSO registrou na segunda. Na terça, veio o recorde absoluto: 29,822 °C de temperatura da água na mesma faixa em 25 de setembro, acima dos 29,82 °C de novembro de 2015. Um estudo na revista Science aponta o evento como provavelmente o mais intenso em mais de mil anos, como mostrou o texto de terça. Os dois números medem coisas diferentes. O desvio compara a água com a média histórica da própria faixa. A temperatura absoluta diz o quanto a água está quente em si. As duas marcas caíram na mesma semana.

Na quinta, a previsão consolidou o quadro. O centro de clima da Universidade Columbia reuniu 22 modelos internacionais na atualização de outubro. Todos apontam El Niño muito forte até fevereiro de 2027. O pico estimado é de 3,38 °C acima da média entre novembro e janeiro, como registrou o texto de sexta. O pico previsto fica cerca de um grau acima do evento de 1997, o mais forte já medido até este. A projeção oficial da NOAA, de 10 de setembro, segue dando 75% de chance de um evento histórico no trimestre de outubro a dezembro. Histórico, na escala da agência, significa acima de todos desde 1950.

O que os cientistas disseram

As falas da semana vieram do centro que fez a previsão. Muhammad Azhar Ehsan é cientista pesquisador associado do Centro de Pesquisa de Sistemas Climáticos da Escola de Clima de Columbia. Na nota da previsão, ele escreveu: todos os 22 modelos que usamos indicam que caminhamos para um El Niño muito forte, de setembro a fevereiro de 2027. A maioria, segue a nota, alcança ou passa de 3 °C. Sobre o tamanho, ele escreveu: este evento é claramente ultraforte, mais de um grau acima do que vimos nos valores históricos. Andrew Robertson, pesquisador sênior do mesmo centro, disse na mesma nota: nunca vimos uma previsão como esta em termos de certeza. Essa magnitude, segundo ele, não tem precedente. As citações estão na nota de 1º de outubro do centro, traduzidas do inglês pelo COMPASSO.

O relatório da semana explicou o fundo do processo. O serviço marinho do Copernicus, o programa europeu de observação da Terra, publicou na quarta o décimo relatório do estado do oceano. O ritmo de aquecimento do oceano global dobrou nos últimos vinte anos. O calor armazenado bateu recorde pelo nono ano seguido. E o nível do mar sobe 3,8 milímetros por ano desde 1999, como o COMPASSO registrou na quarta. É a razão de a série tratar o El Niño e o aquecimento de fundo como um processo só. O fenômeno cíclico cresce sobre uma base que não volta ao nível anterior quando o ciclo passa.

O que muda na leitura acumulada

A leitura acumulada muda de grau, não de direção. O oceano global entre os paralelos 60 marcou 21,15 °C em 29 de setembro, recorde para a data, perto do recorde absoluto de agosto. A temperatura do ar de agosto ficou 1,65 °C acima do nível pré-industrial. Foi o mês mais quente já medido pelo Copernicus, empatado com julho de 2023. O CO2 medido em Mauna Loa, no Havaí, fechou agosto em 427,55 partes por milhão, contra 425,48 um ano antes. O gelo marinho do Ártico fez o 10º menor mínimo da série, com 4,60 milhões de quilômetros quadrados. Todos os componentes seguem na direção que a série descreve desde setembro. O que a semana acrescentou foi certeza: a previsão deixou de ter cenário divergente. No Peru, onde o fenômeno chega primeiro, o ENFEN, a comissão oficial que o monitora, trabalha com 85% de chance de magnitude extraordinária na costa. O governo decretou emergência em 893 distritos. A pesca caiu 70%, com 78 mil empregos em risco, segundo o jornal peruano Gestión, em espanhol.

Os impactos por aqui

Para o Brasil, o mapa segue o já descrito pela série, agora com probabilidade maior. No Sul e no Centro-Oeste, mais chuva, granizo e risco de enchente no verão. No Norte e no Nordeste, seca e calor, com as queimadas no Amazonas já 282% acima do ano passado em setembro. A safra 2026-27 foi plantada sob um El Niño sem precedente medido. A soja do Centro-Oeste tende a conviver com excesso de chuva na colheita, e o milho do Nordeste, com falta. Nas hidrelétricas, o Sul cheio e o Norte seco se compensam em parte. A bandeira de outubro ficou verde, como registrou a análise de finanças da semana passada. O risco de preço está nos alimentos sensíveis a clima, o canal que liga esta série à inflação de 4,47% que o Banco Central persegue.

O que observar

Segunda, 5 de outubro: a tabela semanal da NOAA atualiza o desvio do Niño 3.4. A série verifica se os 3,1 °C foram pico ou passagem. Na primeira semana de outubro: o boletim mensal do Copernicus fecha os números de setembro do ar e do oceano. Quinta, 8 de outubro: o novo diagnóstico mensal do El Niño da NOAA. É o documento que baliza a projeção de evento histórico e pode elevar a classificação oficial. No mesmo período: a atualização mensal do ENFEN peruano e os dados de queimadas do INPE, o instituto espacial brasileiro, fechando o trimestre seco. O próximo texto da série sai quando houver dado novo, e o mais tardar no próximo sábado.

Fontes

NOAA, tabela semanal das regiões Niño contra a média de 1991-2020 (documento primário) · NOAA, Centro de Previsão Climática, o diagnóstico do El Niño (documento primário) · Copernicus Marine, o décimo relatório do estado do oceano (documento primário) · Universidade Columbia, a previsão de outubro com os 22 modelos e as falas de Ehsan e Robertson · Climate Reanalyzer, da Universidade do Maine (a temperatura diária do oceano global) · NOAA, laboratório de monitoramento global, o CO2 de Mauna Loa (documento primário) · NSIDC, o centro americano de dados de neve e gelo (o mínimo do Ártico, documento primário) · Science News (o estudo da Science sobre o evento mais intenso em mais de mil anos) · Altavoz, em espanhol (a probabilidade de 85% do ENFEN peruano) · Gestión, em espanhol (a emergência peruana, a pesca e os empregos) · BNC Amazonas (as queimadas de setembro no estado) Os outros textos do dia: O movimento da semana em Segurança · O movimento da semana em Produção · O movimento da semana em Finanças · O movimento da semana em Conhecimento · Eleição 2026.

Os sinais do clima

  • Evento histórico, acima de todos desde 195075%
  • Qualquer outro desfecho25%

NOAA, projeção de 10 de setembro para outubro-dezembro; próxima atualização em 8 de outubro. Os sinais da semana: Niño 3.4 a 3,1 °C acima da média na tabela semanal, a maior das quatro décadas e meia de medição; 29,822 °C de temperatura absoluta na faixa em 25 de setembro, recorde da série; oceano global 60S-60N a 21,15 °C em 29 de setembro, recorde para a data; pico previsto de 3,38 °C entre novembro e janeiro (Columbia, 22 modelos); agosto a +1,65 °C sobre o pré-industrial, mês mais quente já medido (Copernicus); CO2 em Mauna Loa a 427,55 ppm em agosto (NOAA); mínimo do Ártico de 4,60 milhões de km², o 10º menor (NSIDC)

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