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Arquitetura de segurança · Análise

O dia em seis regiões: três mortos em aeroportos sauditas

A autoridade de aviação saudita confirmou três mortos e 36 feridos nos ataques houthis aos aeroportos de Riade e de Abha, e um petroleiro foi atingido perto do Catar. Na Espanha, a morte da aposentada Maricarmen, despejada aos 87 anos, marca a abertura da campanha da eleição antecipada de 29 de novembro. O Quênia confirmou o primeiro caso de Ebola da sua história, e a Etiópia vê tropas da Eritreia entrarem no Tigré.

Por COMPASSO8 de outubro de 202611 min de leituraTabuleiro: Arquitetura de segurança

Leituras

  1. A autoridade de aviação saudita confirmou três mortos e 36 feridos nos ataques houthis aos aeroportos de Abha e de Riade, e o grupo avisou que o espaço aéreo saudita seguirá sendo alvo.
  2. Na Espanha, a morte de Maricarmen, a aposentada de 87 anos despejada por um fundo imobiliário, abre a campanha da eleição que Pedro Sánchez convocou para 29 de novembro pela crise da moradia.
  3. O Quênia confirmou o primeiro caso de Ebola da sua história, importado do Congo, enquanto moradores do norte da Etiópia relatam tropas da Eritreia entrando no Tigré, onde a guerra ameaça recomeçar.

Esta é a Leitura cruzada, o texto que percorre as seis regiões do mundo e contrasta como cada fato foi contado em cada lugar. O dia mais pesado é o do Golfo, com os primeiros mortos confirmados dentro de aeroportos sauditas nesta fase da guerra. O fato que mais move a disputa pelo excedente, o lucro recorde da Samsung com a escassez de memória para a inteligência artificial, tem texto próprio.

Américas

Nos Estados Unidos, o preço do combustível virou tema central da eleição legislativa de 3 de novembro. O diesel passou de 6 dólares por galão em setembro, pela primeira vez na série nacional, segundo a Democracy Now, o noticiário independente americano. O governo Trump autorizou temporariamente os caminhoneiros a abastecer com o diesel tingido, reservado por lei a máquinas agrícolas e uso fora de estrada, para aliviar o preço. E a EPA, a agência ambiental americana, anunciou que vai afrouxar de novo os limites de emissão de metano do setor de petróleo e gás. Ao mesmo tempo, a tempestade Isaías virou o primeiro furacão do Atlântico no ano e segue em direção à costa da Louisiana e da Flórida, onde ficam centenas de plataformas de petróleo e gás. O comício de Trump no Texas, na véspera, confirmou o roteiro que o COMPASSO registrou na quarta: aprovação baixa e o custo de vida no centro da disputa.

Na Venezuela, dois registros no mesmo dia. Promotores federais americanos apresentaram nova denúncia contra o ex-presidente Nicolás Maduro, somando conspiração para tortura às acusações de drogas e armas que já corriam nos Estados Unidos. E a refinaria de Cardón, a segunda maior do país, com capacidade de 310 mil barris por dia, parou depois de um incêndio causado pelo rompimento de uma linha de gás. A paralisação aperta ainda mais a oferta de combustível num país que já racionava, e num mercado mundial que perdeu o petróleo iraniano bloqueado em Ormuz.

Ásia oriental

O dia na região é o balanço da Samsung, o lucro trimestral recorde sustentado pela escassez de memória, analisado no texto principal. A SBS, a emissora coreana, abriu o noticiário da manhã com o número. Descreveu um patamar que nem as grandes empresas americanas de tecnologia alcançaram num trimestre. Na fronteira, a tensão militar segue em paralelo à prosperidade dos chips. A Coreia do Norte divulgou pela agência estatal KCNA o teste de um sistema que chama de arma estratégica hipersônica, com alvo declarado a 1.000 quilômetros, no sábado. O estado-maior sul-coreano rastreou um voo de mais de 700 quilômetros e não confirmou o acerto do alvo. A mesma economia que vende o insumo da inteligência artificial ao mundo vive ao lado do programa de mísseis mais ativo da Ásia.

Sul e Sudeste da Ásia

Na Indonésia, o presidente Prabowo Subianto trocou duas peças centrais do Estado na mesma semana. Empossou Arrmanatha Nasir, diplomata de carreira, como novo chanceler, no lugar de Sugiono. E o Parlamento aprovou o general Suyudi Ario Seto como novo chefe da polícia nacional, segundo o resumo diário do instituto ISEAS, de Singapura. O governo também prepara a criação de seis novos comandos militares regionais. É a maior economia do Sudeste Asiático ajustando a própria máquina de segurança enquanto negocia espaço entre as duas potências. No restante da região, o movimento da semana segue sendo o do Paquistão, que transforma em tropas o pacto de defesa com a Arábia Saudita, como o COMPASSO registrou na quarta.

Golfo e Oriente Médio

A região mais quente do dia. A GACA, a autoridade de aviação civil saudita, confirmou que os ataques houthis desta semana contra dois aeroportos mataram três pessoas e feriram 36. No aeroporto de Abha, no sul, morreram duas mulheres, uma marroquina e uma argelina, com 28 feridos. No aeroporto internacional King Khalid, em Riade, morreu um sudanês, com 8 feridos. São os primeiros mortos confirmados dentro de aeroportos sauditas desde que os houthis, o grupo iemenita aliado do Irã, retomaram os ataques ao reino. A escalada vem sendo acompanhada pelo COMPASSO desde o início da semana. Dezenas de voos foram atrasados ou cancelados.

AS VERSÕES. O mesmo fato, contado três vezes. A imprensa ocidental: o noticiário americano Democracy Now registra os três mortos, os 36 feridos e o aviso prévio dos houthis às companhias aéreas para não voarem no espaço aéreo saudita. A versão dos houthis, em árabe: pela Euronews em árabe, o porta-voz militar Yahya Saree diz que o céu saudita "virou palco das nossas operações" e abre exceção apenas para Meca e Medina. A imprensa do Golfo: o jornal Gulf News, de Dubai, publica o balanço oficial da GACA, com a nacionalidade de cada vítima e os hospitais que receberam os feridos.

A guerra também avançou no mar e em terra. Um petroleiro foi atingido por projéteis ao norte do Catar. O UKMTO, o centro britânico que registra incidentes com navios mercantes, apura relatos de várias baixas a bordo, segundo a Democracy Now. Foi a nona embarcação atacada na região em uma semana, a maior contagem semanal desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, em fevereiro. O petróleo subiu mais de 2% com a notícia. No Iêmen, as forças do governo apoiado pelos sauditas abriram contraofensiva para retomar o trecho de costa do Mar Vermelho capturado pelos houthis no mês passado. A OIM, a agência da ONU para migrações, contabiliza mais de 200 mil deslocados. Teerã, por sua vez, mantém as sete condições para reabrir Ormuz, resposta à contraproposta americana que o COMPASSO registrou na análise de sexta.

Europa e o espaço pós-soviético

Na Espanha, a crise da moradia ganhou um rosto e um luto no mesmo mês. Maricarmen, a aposentada de 87 anos despejada em setembro do apartamento onde viveu a vida inteira, em Madri, morreu no hospital na quarta-feira. O despejo veio depois que o fundo de investimento dono do prédio elevou o aluguel, e a imagem dela retirada numa maca provocou protestos em doze cidades. O Congresso espanhol derrubou em 2 de outubro os dois decretos do governo que suspendiam despejos de pessoas vulneráveis, por 178 votos contra 172 e 184 contra 166, com o PP, o Vox e o Junts contra. O premiê Pedro Sánchez dissolveu o Parlamento na segunda e convocou eleições para 29 de novembro, segundo o jornal espanhol Diario de León, em espanhol. A disputa que derrubou a legislatura é a do excedente urbano: quem fica com a renda do aluguel, o fundo que compra prédios ou o morador que neles vive.

Na Rússia, o petróleo queima à vista da praia. O petroleiro Aframax Rio, de bandeira liberiana e carregado de petróleo cru, foi atacado por embarcações não tripuladas na noite de terça. O ataque foi a cerca de 15 quilômetros de Sochi, segundo o Ministério dos Transportes russo. Os 23 tripulantes, todos indianos, foram resgatados. O fogo não foi contido, a fumaça chegou ao centro de Sochi e as praias do distrito de Sirius fecharam, segundo o jornal The Moscow Times, em russo, feito do exílio. O navio está na lista de sanções da Ucrânia como parte da frota que escoa petróleo russo por fora das sanções ocidentais, conforme o jornal ucraniano Kyiv Independent. Kiev não confirmou a autoria. Na guerra aérea, o balanço do ataque de quarta à Ucrânia parou em 28 mortos, como o COMPASSO registrou na quarta. E a OMS, a organização mundial da saúde, segue sem resposta de Moscou sobre a morte de uma técnica num laboratório de peste na Sibéria. O governo russo trata o caso como encerrado. Os vizinhos da Ásia Central responderam com restrições de fronteira.

África

O Quênia confirmou o primeiro caso de Ebola da sua história. Um queniano que vivia há sete anos na República Democrática do Congo adoeceu, viajou por estrada até Kampala, voou para Nairóbi em 3 de outubro e morreu num hospital da capital. O vírus é da cepa Bundibugyo, confirmada por dois laboratórios de referência, segundo o ministro da Saúde, Aden Duale, citado pela Kenya News Agency, a agência estatal de notícias do Quênia. Familiares e 21 profissionais de saúde estão em quarentena, e os passageiros do voo são rastreados. Dos 267 exames feitos no país, só o do paciente deu positivo. Mais ao norte, moradores de Adigrat, no Tigré etíope, relatam comboios militares da Eritreia entrando na região. O combate entre o governo federal e forças tigrínias recomeçou dias depois da retomada de Mekelle, que o COMPASSO registrou na terça. A ONU, por fim, liberou 160 milhões de dólares do fundo central de emergência para 12 crises subfinanciadas, do Sudão ao Afeganistão.

Os impactos por aqui

O dia chega ao Brasil por três vias. A guerra marítima no Golfo subiu o petróleo mais de 2%, e cada semana de ataque a navio encarece o frete e o seguro de tudo o que o país exporta e importa por mar. A conta aparece primeiro no diesel e depois no preço dos alimentos. A escassez de memória, tratada no texto do dia, encarece eletrônicos e servidores, num país que importa toda a memória que consome. E a eleição espanhola vira precedente político: aluguel e despejo decidindo uma eleição nacional na quarta economia da Europa, num momento em que o custo de moradia também pressiona os orçamentos das famílias brasileiras. No fundo de tudo, segue o juro global mais caro em 24 anos, que o COMPASSO analisou na quarta.

Entenda a região

Os houthis controlam o noroeste do Iêmen, incluindo a capital Sanaa, desde 2014. A Arábia Saudita entrou na guerra em 2015 para restaurar o governo deposto e não conseguiu. Uma trégua mediada pela ONU congelou o conflito em 2022, sem acordo final. A guerra entre Estados Unidos e Irã, iniciada em fevereiro, reabriu tudo. Os houthis, aliados de Teerã, voltaram a atacar navios. Desde setembro, atacam o próprio território saudita, com drones e mísseis contra aeroportos e instalações da Aramco, a petroleira estatal. A resposta saudita veio em três camadas: bombardeio ao Iêmen, a contraofensiva terrestre pelo governo aliado e o pacto de defesa com Paquistão e Turquia, ativado na segunda-feira. Para os houthis, atacar aeroportos civis é a forma de impor custo ao reino sem enfrentar seu exército. Para Riade, cada morto em solo próprio torna mais difícil ficar fora da guerra maior que corre no estreito de Ormuz.

Fontes

Gulf News, de Dubai (o balanço da GACA: três mortos e 36 feridos) · Euronews, em árabe (o aviso de Yahya Saree às companhias aéreas) · Democracy Now (o dia nos Estados Unidos, no Golfo e na Venezuela) · The Moscow Times, em russo (o incêndio do petroleiro e a fumaça sobre Sochi) · Meduza, em russo (o registro independente do incêndio) · Kyiv Independent (o navio na lista de sanções ucraniana) · Diario de León, em espanhol (a convocação das eleições espanholas) · SBS, em coreano (as manchetes do dia na Coreia) · Global Military (o míssil norte-coreano e o rastreio sul-coreano) · ISEAS, o instituto de Singapura (o dia no Sudeste Asiático) · Kenya News Agency, a agência estatal queniana (a versão do governo do Quênia sobre o caso de Ebola) · Citizen Digital, do Quênia (a resposta ordenada por Ruto) · AllAfrica (o dia no continente, do Tigré ao fundo de emergência da ONU)

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