Energia · Análise
Clima: a chance de El Niño histórico sobe de 75% para 83%
O diagnóstico mensal da NOAA, publicado nesta quinta, elevou de 75% para 83% a probabilidade de o El Niño atual superar todos os eventos medidos desde 1950 no trimestre de outubro a dezembro. A média de setembro na faixa central do Pacífico subiu a 2,1 °C acima do normal, de 1,8 °C em agosto. A agência vê um evento de forte a muito forte durando até o trimestre de janeiro a março de 2027. A próxima atualização sai em 12 de novembro.
Leituras
- O diagnóstico mensal da NOAA elevou de 75% para 83% a chance de o El Niño superar todos os eventos desde 1950 no trimestre de outubro a dezembro, a terceira alta seguida dessa probabilidade.
- A média mensal de setembro na faixa central do Pacífico ficou 2,1 °C acima do normal, de 1,8 °C em agosto, e partes do leste do oceano passam de 4 °C de anomalia.
- Para o Brasil, o alerta segue nas duas pontas: seca e fogo no Norte e no Nordeste, chuva em excesso no Sul, com o primeiro número oficial da safra em 15 de outubro.
Este é o texto da série Crise Climática, que acompanha os avanços da crise ambiental e o que dizem os cientistas, numa leitura acumulada do processo. O texto de segunda registrou o quarto recorde semanal seguido do Pacífico. E avisou que o dado da semana seria o desta quinta: o diagnóstico mensal do El Niño. É o documento em que a NOAA, a agência americana de oceanos e atmosfera, atualiza as probabilidades oficiais do evento. Ele saiu, e as probabilidades subiram de novo.
O que o diagnóstico de outubro mede
O documento, conferido pelo COMPASSO na página do centro de previsão climática da agência, traz três números novos. O primeiro é a média mensal de setembro. A faixa Niño 3.4, a região central do Pacífico equatorial que define o El Niño, ficou 2,1 °C acima do normal. Em agosto, a mesma média tinha sido de 1,8 °C, na série mensal que a agência usa para classificar o evento. A leitura semanal, de outra base de dados, fechou setembro em 3,2 °C, como o COMPASSO registrou na segunda. O segundo é a distribuição do calor. A faixa Niño 3, mais a leste, está 3,0 °C acima do normal. A faixa Niño 1+2, encostada na costa do Peru, está 3,9 °C acima. E partes do leste do oceano passam de 4,0 °C de anomalia. O terceiro é a duração. A agência vê um evento de forte a muito forte até o trimestre de janeiro a março de 2027, com mais de 83% de chance.
O número que define a manchete é outro. A NOAA calcula a chance de este El Niño ser um evento histórico, isto é, mais forte que todos os medidos desde 1950. O critério é o RONI de três meses chegar a 2,5 °C ou mais. O RONI é o índice que desconta o aquecimento geral dos trópicos para medir só o que o El Niño acrescenta. Essa chance é de 54% para o trimestre de setembro a novembro, de 83% para o de outubro a dezembro e de 70% para o de novembro a janeiro. Na edição de setembro, a chance do trimestre central era de 75%, como a série registrou no fim de setembro. Em agosto, era de 69%, segundo a revista americana Newsweek. São três altas seguidas: 69, 75, 83.
O que dizem os cientistas
O documento desta quinta é assinado institucionalmente pelo centro de previsão climática da NOAA. Seu resumo diz que o El Niño continua se fortalecendo. E que as chances seguem altas para um evento que supere todos os anteriores desde 1950. Fora da agência, as referências da série seguem valendo. A nota de 1º de outubro do centro de clima da Universidade Columbia, com 22 modelos internacionais, prevê evento muito forte até fevereiro de 2027. O pico estimado é de 3,38 °C entre novembro e janeiro, como registrou o texto de sexta. E o ENFEN, o comitê oficial peruano de monitoramento, mantém o alerta de magnitude extraordinária para a costa do Peru até janeiro, no registro do site peruano Agenda País, em espanhol. Nenhum pronunciamento científico novo contradiz o quadro; o que mudou nesta quinta foi o grau de certeza do próprio órgão oficial.
O que muda na leitura acumulada
A série vinha descrevendo um evento que sobe um degrau por semana; o diagnóstico de outubro confirma no documento oficial o que as leituras semanais vinham mostrando. Desde o primeiro texto da série, em 10 de setembro, a probabilidade de evento histórico passou de 75% para 83%. A anomalia mensal subiu de 1,8 °C para 2,1 °C, e a semanal foi de 2,8 °C a 3,2 °C. O que ainda falta para fechar o quadro de setembro são dois documentos. O boletim mensal do Copernicus, o programa europeu de observação da Terra, sai nos próximos dias. Ele dirá se setembro repetiu agosto, que empatou com julho de 2023 como o mês mais quente já medido, 1,65 °C acima da era pré-industrial. E o CO2 de setembro em Mauna Loa, no Havaí, sai na série do laboratório de monitoramento global da NOAA, documento primário; agosto marcou 427,55 partes por milhão. O gelo marinho segue nos valores de setembro do NSIDC, o centro americano de dados de neve e gelo, documento primário. O mínimo do Ártico foi de 4,60 milhões de km², o décimo menor da medição.
Os impactos por aqui
Para o Brasil, um El Niño desta escala tem padrão conhecido: chuva acima da média no Sul, seca e calor no Norte e no Nordeste. A seca pressiona os reservatórios das hidrelétricas e eleva o risco de bandeira tarifária mais cara em 2027. Também aumenta o risco de fogo no arco amazônico, onde setembro mostrou alta concentrada no Amazonas, como a série registrou na segunda. Para a safra, a referência oficial chega em 15 de outubro, quando a Conab, a companhia pública de abastecimento, publica o primeiro levantamento da safra 2026/27, documento primário. O número dirá quanto do risco climático os técnicos já descontam do plantio em curso. Com 83% de chance de um evento sem precedente na medição, muda o cenário de referência. Safra, energia e preços de alimentos em 2027 passam a ser planejados para um verão fora da série histórica.
O que observar
Segunda, dia 12: a próxima leitura semanal do Niño 3.4. Nos próximos dias: o boletim de setembro do Copernicus e o CO2 de setembro em Mauna Loa. Quinta, dia 15: o primeiro levantamento da safra 2026/27, da Conab. E 12 de novembro: o próximo diagnóstico mensal da NOAA, que dirá se a probabilidade de evento histórico sobe pela quarta vez seguida.
Fontes
NOAA, Centro de Previsão Climática, o diagnóstico do El Niño de 8 de outubro (documento primário) · NOAA, tabela semanal das regiões Niño contra a média de 1991-2020 (documento primário) · NOAA, laboratório de monitoramento global, o CO2 de Mauna Loa (documento primário) · NSIDC, o mínimo do Ártico (documento primário) · Conab, o calendário dos levantamentos de safra (documento primário) · Copernicus, o boletim de agosto, o mês mais quente já medido (documento primário) · Newsweek, a revista americana (a probabilidade de 69% na edição de agosto) · Agenda País, em espanhol (o alerta de magnitude extraordinária do ENFEN peruano)
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Os sinais do clima
- Evento histórico, acima de todos desde 195083%
- Qualquer outro desfecho17%
NOAA, diagnóstico de 8 de outubro para o trimestre outubro-dezembro; próxima atualização em 12 de novembro. Os sinais desta quinta: Niño 3.4 a 2,1 °C acima do normal na média mensal de setembro e a 3,2 °C na leitura semanal de 30 de setembro (NOAA); agosto global: mês mais quente já medido, empatado com julho de 2023, 1,65 °C acima da era pré-industrial (Copernicus); CO2 em Mauna Loa a 427,55 ppm em agosto (NOAA); mínimo do Ártico de 4,60 milhões de km², o 10º menor (NSIDC).
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