Energia · Análise
Clima: o Pacífico sobe a +3,2 °C e as queimadas caem 13,6%
A leitura semanal da NOAA marca 3,2 °C acima da média na faixa central do Pacífico, o quarto recorde semanal seguido. No Brasil, o INPE contou 24.382 focos de fogo em setembro, queda de 13,6% em um ano, com o Amazonas na direção contrária. Na quinta sai o diagnóstico mensal do El Niño.
Leituras
- A anomalia semanal do Pacífico equatorial subiu a 3,2 °C na faixa central, o quarto recorde semanal seguido, e confirma a trajetória prevista para o pico entre novembro e janeiro.
- As queimadas de setembro caíram 13,6% no país na comparação anual, mas o Amazonas foi na direção contrária, com alta de 282% no início do mês, na área que o El Niño seca primeiro.
- A quinta-feira traz o diagnóstico mensal da NOAA, o documento que pode atualizar as probabilidades oficiais do evento; até lá, a tabela semanal é o sinal mais atual do processo.
Este é o texto da série Crise Climática, que acompanha os avanços da crise ambiental e o que dizem os cientistas, numa leitura acumulada do processo. O texto de sábado fechou a semana com três marcas: o maior valor semanal da série na faixa central do Pacífico, o recorde absoluto de temperatura da água e a previsão unânime de 22 modelos. Dois dados novos chegaram desde então, um do oceano e um do fogo brasileiro.
O que os dados novos medem
O primeiro dado é do Pacífico. A tabela semanal da NOAA, a agência americana de oceanos e atmosfera, foi atualizada nesta segunda. Ela marca 3,2 °C acima da média na semana de 30 de setembro na faixa Niño 3.4, a região central do oceano que define o El Niño. A água está em 29,9 °C absolutos. O número está na série oficial do centro de previsão climática da agência, o documento primário, conferida pelo COMPASSO nesta segunda. É o quarto recorde semanal seguido: a anomalia subiu de 2,8 °C em 9 de setembro para 3,0, depois 3,1, agora 3,2. A marca anterior, de 3,1 °C, já era a maior das quatro décadas e meia de medição por satélite, como o COMPASSO registrou no sábado. A comparação de base: no auge do El Niño de 2015, o maior até este, a mesma faixa chegou a 3,1 °C na leitura semanal.
O segundo dado é do Brasil. O país registrou 24.382 focos de fogo em setembro, segundo o programa de queimadas do INPE, o instituto nacional de pesquisas espaciais. É queda de 13,6% sobre os 28.214 focos de setembro de 2025, no levantamento publicado pelo site de notícias Poder360, citando o INPE. A Amazônia concentrou 12.562 focos, pouco mais da metade. O Pará lidera, com 5.224. O movimento não é uniforme: no Amazonas, os focos subiram 282% nos primeiros 19 dias do mês, de 624 para 2.384 na comparação com 2025, segundo o Portal do Amazonas, citando o mesmo INPE. Setembro é historicamente o pico do fogo no país, e a queda nacional convive com a alta concentrada no oeste amazônico.
O que dizem os cientistas
Não houve pronunciamento científico novo no fim de semana, e as referências seguem as da semana. A nota de 1º de outubro do centro de clima da Universidade Columbia, com os 22 modelos internacionais, prevê El Niño muito forte até fevereiro de 2027, como registrou o texto de sexta. O pico estimado é de 3,38 °C entre novembro e janeiro. Muhammad Azhar Ehsan, cientista do centro, escreveu na nota que todos os modelos usados indicam um evento muito forte. No Peru, o ENFEN, o comitê oficial que monitora o El Niño na costa do país, mantém o alerta de magnitude extraordinária para a região costeira até janeiro. A probabilidade é de 88% em outubro, no registro do site peruano Agenda País, em espanhol. A projeção oficial da NOAA, de 10 de setembro, segue dando 75% de chance de um evento histórico no trimestre de outubro a dezembro. Histórico, na escala da agência, significa acima de todos desde 1950.
O que muda na leitura acumulada
A leitura da série não muda de direção, ganha um degrau. O evento segue exatamente no roteiro que os modelos desenharam: subida contínua da anomalia até o pico do fim do ano. O que a semana acrescenta é a regularidade, um décimo por semana, há um mês. O resto do quadro espera divulgação. O boletim de setembro do Copernicus, o programa europeu de observação da Terra, sai na primeira quinzena de outubro. Ele dirá se o mês repetiu o recorde de agosto, que empatou com julho de 2023 como o mais quente já medido. O CO2 de setembro em Mauna Loa, no Havaí, sai nos próximos dias: agosto marcou 427,55 partes por milhão, 2,07 acima do mesmo mês de 2025, na série do laboratório de monitoramento global da NOAA, documento primário. E o gelo marinho segue nos valores anunciados em setembro pelo NSIDC, o centro americano de dados de neve e gelo, documento primário. O mínimo do Ártico foi de 4,60 milhões de km², o décimo menor da série. O máximo antártico foi de 17,59 milhões, o terceiro menor.
Os impactos por aqui
Para o Brasil, um El Niño desta escala tem padrão conhecido: chuva acima da média no Sul, seca e calor no Norte e no Nordeste. A seca pressiona os reservatórios das hidrelétricas e eleva o risco de fogo no arco amazônico. O dado de setembro mostra as duas faces: o fogo cedeu no país e avançou justamente no Amazonas, a área que o padrão do El Niño seca primeiro. Para a safra, a referência oficial chega em 15 de outubro, quando a Conab, a companhia pública de abastecimento, publica o primeiro levantamento da safra 2026/27, documento primário. A safra que terminou foi recorde, e o primeiro número da nova dirá quanto do risco climático os técnicos já descontam do plantio que começa agora, como a série vem acompanhando desde o fim de setembro.
O que observar
Quinta, dia 8: a NOAA publica o diagnóstico mensal do El Niño, o documento que pode atualizar as probabilidades oficiais do evento. Na mesma quinzena: o boletim de setembro do Copernicus e o CO2 de setembro em Mauna Loa. Segunda, dia 12: a próxima leitura semanal do Niño 3.4. E em 15 de outubro, o primeiro levantamento da safra brasileira 2026/27, da Conab.
Fontes
NOAA, tabela semanal das regiões Niño contra a média de 1991-2020 (documento primário) · NOAA, Centro de Previsão Climática, o diagnóstico do El Niño (documento primário) · NOAA, laboratório de monitoramento global, o CO2 de Mauna Loa (documento primário) · NSIDC, o mínimo do Ártico e o máximo antártico (documento primário) · Conab, o calendário dos levantamentos de safra (documento primário) · Poder360, citando o INPE (as queimadas de setembro) · Portal do Amazonas, citando o INPE (a alta de 282% no estado) · Agenda País, em espanhol (o alerta de magnitude extraordinária do ENFEN peruano)
Os outros textos do dia: A semana que começa · O fim de semana em seis regiões · Eleição 2026
Os sinais do clima
- Evento histórico, acima de todos desde 195075%
- Qualquer outro desfecho25%
NOAA, projeção de 10 de setembro para outubro-dezembro; próxima atualização em 8 de outubro. Os sinais desta segunda: Niño 3.4 a 3,2 °C acima da média na semana de 30 de setembro, quarto recorde semanal seguido, com a água a 29,9 °C; CO2 em Mauna Loa a 427,55 ppm em agosto (NOAA); mínimo do Ártico de 4,60 milhões de km², o 10º menor (NSIDC); queimadas de setembro no Brasil: 24.382 focos, queda de 13,6% em um ano (INPE).
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