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Eleição 2026: o erro das pesquisas muda a conta do 2º turno
O senador venceu o primeiro turno com 47,03% dos válidos contra 45,16% de Lula, invertendo o que as pesquisas finais mostravam. A série incorpora a urna, mede o erro dos institutos, refaz a estimativa do segundo turno em camadas e lista o que observar até 25 de outubro, da propaganda de sexta aos debates de domingo.
Leituras
- O senador venceu o primeiro turno com 47,03% dos válidos contra 45,16% de Lula, e a diferença de 2,2 milhões de votos contraria as duas pesquisas finais, que davam o presidente na frente.
- O erro repete a direção de 2022: Lula foi medido com precisão e o candidato Bolsonaro foi subestimado em até 5 pontos, o que obriga a série a partir da urna, não das pesquisas.
- A estimativa central passa de 50 a 50 para 51 a 53 do senador em válidos, porque o pelotão eliminado pende para ele; a abstenção recorde é a variável que pode devolver o empate.
Atualização, 19h14. Os dois gestos pendentes que o texto lista se moveram no mesmo dia. Ronaldo Caiado decidiu apoiar o senador no segundo turno. O candidato do PL telefonou para o ex-governador de Goiás na manhã desta segunda, segundo o site de notícias Metrópoles. O anúncio formal será nesta terça, dia 6, em ato em Goiânia com a presença dos dois, conforme a CNN Brasil. O partido de Caiado seguirá outro caminho: o PSD declarou neutralidade e liberou os diretórios estaduais, anunciou o presidente da legenda, Gilberto Kassab, no registro da revista Carta Capital. O que isso muda na conta: a camada 2 da estimativa, a da transferência dos eliminados, ganha o primeiro apoio explícito, os 2,18% de Caiado, e a hipótese de 1 a 2 pontos líquidos para o senador fica mais firme.
Atualização, 19h14. Washington também se moveu. Ao sair da Casa Branca no fim da tarde, Donald Trump chamou o desempenho do senador de "uma grande vitória, muito apertada, mas uma grande, grande vitória" e previu disputa "muito apertada" em 25 de outubro. As falas estão no jornal mineiro O Tempo. O que isso muda na leitura: a primeira manifestação americana sobre o resultado veio como elogio pessoal, sem menção às tarifas e às sanções, e a pergunta externa do texto, o que Washington cobrará de quem vencer, segue aberta.
Atualização, 02h53. A camada 2 da estimativa ganhou mais três apoios na noite de segunda. Romeu Zema, do partido Novo, que fez 0,27% dos válidos no primeiro turno, anunciou em vídeo o voto no senador. Michel Temer, o ex-presidente, declarou apoio pessoal, sem adesão nacional do MDB, o partido dele. E Cleitinho Azevedo, do Republicanos, o governador eleito de Minas Gerais, também declarou voto no candidato do PL. Os três anúncios estão no registro do site de notícias Times Brasil. O ato de Ronaldo Caiado em Goiânia ganhou hora, 14h30 desta terça, com Daniel Vilela, do MDB, o governador eleito de Goiás. O que isso muda na conta: os apoios explícitos do pelotão eliminado somam agora os 2,18% de Caiado e os 0,27% de Zema. O gesto pessoal de Temer antecipa o movimento do Centrão, o bloco de partidos que negocia apoio por espaço, que a reunião de quarta vai medir.
Atualização, 02h53. As pesquisas novas, o item sem data da lista do que observar, ganharam calendário. As primeiras rodadas nacionais de segundo turno saem na quinta, dia 8: o Datafolha, com seis pesquisas registradas no TSE, e o PoderData, com o registro BR-08134/2026. Na sexta, dia 9, sai a AtlasIntel, registro BR-03663/2026, e no sábado, dia 10, a Ipespe, registro BR-00933/2026. O levantamento dos registros é da Band, a rede brasileira de televisão, com base nos protocolos públicos do TSE. O que isso muda na leitura: até quinta a disputa corre sem número novo confiável, e a primeira rodada dirá se os institutos recalibraram o método depois do erro que este texto mediu.
Este é o texto da série Eleição 2026, que lê as movimentações da disputa, internas e externas, como um processo único e acumulado. O texto de sábado fechou a véspera com estimativa central de 50 a 50 e registrou, nas atualizações da madrugada, o resultado do primeiro turno. Hoje a série faz o que prometeu: incorpora a urna, mede o erro das pesquisas e refaz a conta das três semanas que faltam.
O que o domingo estabeleceu
O senador Flávio Bolsonaro, do PL, o partido fundado pelo pai, venceu o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, 56,1 milhões de votos. Lula, do PT, o Partido dos Trabalhadores, fez 45,16%, 53,9 milhões. A diferença é de 1,9 ponto, cerca de 2,2 milhões de votos. Os números estão no comunicado oficial do TSE, o documento primário da apuração, encerrada na madrugada desta segunda. O segundo turno é em 25 de outubro. Dos eliminados, Augusto Cury, do partido Avante, fez 2,89% dos válidos, o menor terceiro lugar desde 1989. Renan Santos, do partido Missão, fez 2,24%. Ronaldo Caiado, do PSD, o partido de centro-direita que ele preside de licença, fez 2,18%. E Romeu Zema, do Novo, fez 0,27%, segundo a apuração consolidada pela revista Carta Capital. Os quatro somam 7,6 pontos. A abstenção foi de 21,08%, a maior desde 1998, segundo o Poder360, o site de notícias políticas.
O domingo também redesenhou o Congresso que o vencedor vai encontrar. O PL elegeu a maior bancada da Câmara desde a Constituição de 1988, com 121 deputados, e fica com 28 das 81 cadeiras do Senado a partir de 2027, segundo a Rádio Senado, veículo oficial da casa. A federação do PT com o Partido Verde (PV) e o PCdoB soma 88 deputados. Nos estados, 20 dos 27 governadores saíram definidos no primeiro turno, e Tarcísio de Freitas, do Republicanos, partido de direita, foi reeleito em São Paulo. Qualquer que seja o eleito, o Congresso de 2027 é mais à direita que o atual.
O erro das pesquisas, medido contra a urna
A série tratava o erro de 2022 como a principal chave de leitura das pesquisas, e o domingo validou a desconfiança com folga. O Datafolha da véspera dava, em votos válidos, 45% para Lula e 42% para o senador. A urna deu 45,16% para Lula e 47,03% para o senador. O instituto mediu Lula com precisão de décimos e subestimou o candidato Bolsonaro em 5 pontos. A Quaest da véspera dava 46% a 45% para Lula em válidos: errou Lula em menos de 1 ponto e o senador em 2. O padrão repete 2022, quando a subestimação do pai chegou a 7,2 pontos no primeiro turno, sempre na mesma direção. A única medição da semana final que pôs o senador na frente, por 47% a 45%, foi a da Palver, feita por mensagens de celular, como o COMPASSO registrou em 29 de setembro.
Vale precisão sobre o que o erro é. Não é fraude nem incompetência: é um viés de método que sobrevive às correções, concentrado num só campo. A hipótese corrente, registrada no modelo da série, associa o viés à recusa maior do eleitor bolsonarista em responder e à subamostragem de evangélicos e eleitores de menor escolaridade. Em 2022, porém, o erro do segundo turno caiu para 1 ponto, dentro da margem. Essa assimetria entre turnos é o dado que impede de aplicar os 5 pontos de ontem direto na próxima rodada. É uma leitura possível, não um fato, que o viés encolha de novo entre os turnos.
A nova conta do segundo turno, em camadas
A estimativa parte da urna, não mais das pesquisas, e cada camada carrega uma hipótese explícita. Camada 1, o ponto de partida: 47,03% a 45,16% para o senador entre os que votaram em candidato que segue na disputa, com 7,6 pontos soltos dos quatro eliminados. Camada 2, a transferência: Zema declarou que estará contra o PT, sinalizando o senador. Renan Santos disse que não apoiará ninguém. Cury anunciou silêncio. Caiado vai consultar o partido. As posições estão no levantamento do portal Terra. O pelotão é de centro-direita, e em 2022 a taxa líquida de conversão de apoios explícitos ficou perto de 30%, como fixou o modelo da série. Aplicada a um pelotão de 7,6 pontos, com apoios mornos, a hipótese rende de 1 a 2 pontos líquidos para o senador. Camada 3, o viés residual: se o padrão de 2022 se repetir, as simulações de segundo turno erram pouco, e a urna de ontem já é a melhor base. Se o viés do primeiro turno persistir em parte, há de 1 a 2 pontos escondidos a favor do senador que nenhuma pesquisa vai mostrar.
O resultado central dessas hipóteses: senador entre 51% e 53% dos válidos, Lula entre 47% e 49%. O que derrubaria a conta é uma variável que a urna de domingo mediu pela primeira vez: a abstenção de 21,08%. Lula prometeu na noite de domingo uma campanha contra a abstenção, e o Nordeste, a única região em que venceu, com 62,94% dos válidos, foi também a que menos se absteve. Se o comparecimento subir 3 pontos concentrado nas bases dele, a diferença de domingo encolhe até o empate na margem. É o caminho estreito que resta ao presidente, e é mensurável: o comparecimento do dia 25 dirá na hora se funcionou.
Os interesses, ditos em fator de produção
O primeiro a se mover não foi partido, foi preço. O capital com posição em ativos brasileiros precificou a vitória do senador nesta segunda. Dólar abaixo de 5 reais, bolsa acima de 200 mil pontos pela primeira vez e juros futuros em queda de quase um ponto: o movimento está na abertura desta edição. O que esse capital compra é a expectativa de contenção de gastos, privatizações e impostos menores, a plataforma que o senador apresentou a investidores, segundo a agência de notícias Reuters. O trabalho aparece na conta pelo lado oposto: o programa que o capital precifica transfere a contenção para o gasto social, e o eleitorado de menor renda é a base que Lula precisa mobilizar. O Estado muda de dono em qualquer cenário: com a maior bancada da Câmara, o PL arbitra orçamento e anistia a partir de fevereiro, vença quem vencer em outubro.
A pressão externa segue como ambiente, não como gesto novo. A Casa Branca não se manifestou sobre o resultado até o início desta tarde, segundo a revista americana Newsweek, e a publicação de Trump na noite de domingo elogiou a rapidez da apuração confundindo o Brasil com a Índia. Os consulados americanos, fechados desde sexta, reabriram nesta segunda, e o episódio da suspensão está no texto de sexta. A emergência nacional americana, as tarifas de 50% e as sanções a autoridades seguem em vigor, como registra o especial Depois de Caracas. O primeiro aceno externo veio da Argentina: Javier Milei parabenizou o senador e disse esperar trabalho conjunto, no registro do jornal argentino Infobae, em espanhol. Como Washington tratará um eventual segundo governo Lula, ou cobrará um governo Flávio Bolsonaro, é a pergunta externa das três semanas.
O que observar até 25 de outubro
- Quarta, dia 7. O PL reúne em Brasília os eleitos do domingo com o senador, segundo o site de notícias Metrópoles. O tamanho da adesão do Centrão, o bloco de partidos que negocia apoio por espaço, aparece aí. Rogério Marinho, coordenador da campanha, já ligou para os dirigentes do Republicanos, do Progressistas (PP) e do União Brasil.
- Sexta, dia 9. Começa a propaganda em rádio e televisão do segundo turno, pelo calendário oficial da Justiça Eleitoral, documento primário. Em 2022, o horário eleitoral moveu de 3 a 4 pontos.
- Domingo, dia 11. Band e Record marcaram debates para as 20h e as 21h. Nenhum dos dois candidatos confirmou presença, e os dois faltaram a debates no primeiro turno. A Globo marcou o dela para 23 de outubro.
- As pesquisas novas. Nenhuma simulação de segundo turno com registro no TSE havia sido divulgada até as 13h desta segunda. As primeiras rodadas de Datafolha, Quaest e AtlasIntel dirão se os institutos recalibraram o método depois do erro de domingo.
- Caiado e a reação de Washington. O apoio do PSD e a primeira manifestação oficial americana sobre o resultado são os dois gestos pendentes que podem mover a semana.
A síntese do dia: a urna deu ao senador a posição que as pesquisas de referência nunca mostraram, e o método errou de novo na mesma direção. A conta das três semanas parte de 51 a 53 contra 47 a 49. O que pode reabrir a disputa tem nome e número: abstenção. O resto é propaganda, debate e a palavra que Washington ainda não disse.
Fontes
TSE, o resultado oficial (documento primário) · Rádio Senado, as bancadas eleitas (documento primário) · Justiça Eleitoral, o calendário do segundo turno (documento primário) · Carta Capital, de linha governista (a apuração encerrada e os números dos eliminados) · Poder360 (a abstenção recorde) · Terra (as posições dos quatro eliminados) · CNN Brasil (a reunião de Lula com aliados) · Metrópoles (a reunião do PL na quarta) · Gazeta do Povo, de linha de oposição (a recusa de Renan Santos) · Revista Oeste, de linha de oposição (a fala do senador) · Estado de Minas (a fala de Lula na noite de domingo) · Reuters, via Investing, em inglês (a plataforma econômica do senador) · Newsweek, em inglês (o silêncio da Casa Branca e o erro de Trump) · NPR, a rádio pública americana (a leitura do resultado) · Infobae, em espanhol (a felicitação de Milei)
Os outros textos do dia: A semana que começa · O fim de semana em seis regiões · Crise Climática
Toda análise do COMPASSO responde às mesmas cinco perguntas, sempre na mesma ordem: qual excedente está em disputa, quem disputa, que regras definem como se ganha, quem captura a maior fatia e onde você está nesse jogo. Conheça o método.