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Energia · Análise

Clima: a semana consolida a previsão de El Niño sem precedente

O texto de sábado da série consolida a semana: a leitura semanal da NOAA subiu a 2,4 °C acima do normal na faixa que define o El Niño, a OMM projetou média de 3,7 °C para o trimestre outubro-dezembro, acima de qualquer evento medido desde 1950, e o Copernicus fechou setembro como o segundo mais quente da história, com recorde no oceano. O gelo marinho somou o terceiro menor máximo antártico da série. Nenhum dado da semana apontou na direção contrária.

Por COMPASSO17 de outubro de 20266 min de leituraTabuleiro: Energia

Leituras

  1. A medição americana e o consenso de 13 centros reunidos pela OMM contam agora a mesma história: um El Niño em fortalecimento, com projeção de 3,7 °C acima do normal, sem precedente na série.
  2. Setembro fechou 1,63 °C acima da era pré-industrial, o segundo mais quente já medido, e a superfície do oceano teve o setembro mais quente da série, a 21,05 °C.
  3. O gelo marinho confirmou a direção de fundo: o máximo antártico de setembro foi o terceiro menor da série de satélites, e o mínimo ártico empatou como o décimo menor.

Este é o texto da série Crise Climática, que acompanha os avanços da crise ambiental e o que dizem os cientistas, numa leitura acumulada do processo. No sábado, a série consolida a semana. Foram duas atualizações nos dias úteis: o fechamento de setembro pelo Copernicus, na segunda, e a leitura semanal da NOAA com a previsão da OMM, na quarta. Este texto junta os dois conjuntos, soma os dados de gelo marinho que a série ainda não tinha coberto e diz o que muda na leitura acumulada.

O que a semana mediu

A NOAA, a agência americana de oceanos e atmosfera, publicou a leitura semanal de 13 de outubro. A Niño 3.4, a faixa central do Pacífico equatorial que define o El Niño, está 2,4 °C acima do normal. É um décimo acima da semana anterior, na quarta alta seguida. O documento mantém o alerta de El Niño e vê mais de 83% de chance de um episódio forte a muito forte até o trimestre janeiro-março de 2027. A OMM, a Organização Meteorológica Mundial, o braço de meteorologia da ONU, projeta média de aproximadamente 3,7 °C acima do normal para outubro a dezembro, pelo consenso de 13 centros de previsão. Seria o maior valor da série iniciada em 1950, acima do recorde de 2,6 °C do El Niño de 2015-16, como a série registrou na quarta.

O Copernicus, o programa europeu de observação da Terra, fechou setembro 1,63 °C acima da era pré-industrial. Foi o segundo setembro mais quente já medido e o segundo mês seguido acima de 1,5 °C. A superfície do oceano entre 60°S e 60°N marcou 21,05 °C, o setembro mais quente da série, como mostrou o texto de segunda. E o CO2 medido em Mauna Loa, o observatório de referência no Havaí, marcou 426,07 partes por milhão em setembro, 1,7 acima do mesmo mês de 2025.

O gelo marinho entra na leitura da série pela primeira vez neste ciclo. No Ártico, o mínimo anual de 2026 foi atingido em 12 de setembro, com 4,6 milhões de quilômetros quadrados. O valor empata como o décimo menor da série de satélites, segundo a NASA, a agência espacial americana, com os dados do NSIDC, o centro americano de dados de neve e gelo. Os 20 menores mínimos árticos ocorreram todos de 2007 para cá. Na Antártida, o máximo de inverno foi atingido em 14 de setembro, com cerca de 17,59 milhões de quilômetros quadrados. É o terceiro menor máximo já registrado, cerca de 1 milhão de quilômetros quadrados abaixo da média de longo prazo, e os quatro menores máximos são dos últimos quatro anos.

O que dizem os cientistas

Celeste Saulo, a secretária-geral da OMM, resumiu o quadro no comunicado da previsão, em tradução do COMPASSO: 'O El Niño está firmemente estabelecido e se fortalecendo rapidamente'. Ela acrescentou que o fenômeno 'não acrescenta calor novo ao planeta'. A frase descreve o mecanismo: o El Niño redistribui calor que o oceano já acumulou, por cima de uma tendência de aquecimento que não depende dele. A série fez a mesma distinção no primeiro texto, quando o oceano bateu o recorde absoluto de agosto. Naquela ocasião, a leitura era de Samantha Burgess, a líder estratégica de clima do ECMWF, o centro europeu de previsão do tempo.

O que muda na leitura acumulada

A série vinha acompanhando três linhas: a probabilidade oficial, as leituras semanais do Pacífico e a projeção dos modelos. A semana fechou as três na mesma direção. A probabilidade de um evento forte a muito forte está em 83% desde 8 de outubro, como registrou o texto daquela quinta. A leitura semanal subiu pelo quarto registro seguido, a 2,4 °C. E a projeção de consenso da OMM, de 3,7 °C, não tem precedente nos 76 anos da série de referência. Segue sendo projeção, não medição: o que está medido até aqui é a anomalia semanal de 2,4 °C. O gelo marinho acrescenta o pano de fundo: o aquecimento de longo prazo continua embaixo do fenômeno, nos dois polos.

Os impactos por aqui

O padrão esperado para o Brasil não mudou: chuva concentrada no Sul, calor e seca no Norte e no Nordeste, pressão sobre os reservatórios e sobre a bandeira tarifária, a taxa extra da conta de luz. A variável nova da semana veio da economia. A Conab estimou a primeira safra 2026/27 em 367,1 milhões de toneladas, um recorde, como mostra o texto de Produção desta edição. A estimativa assume o plantio que começa agora. Um verão de El Niño muito forte é o risco sobre ela, com excesso de água no Sul e seca no Matopiba, a fronteira agrícola entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. As queimadas seguem como a face positiva registrada até aqui: setembro caiu 13,6% sobre 2025 nos dados do INPE, o instituto espacial brasileiro, como a série mostrou em 5 de outubro.

O que observar

Segunda, 19 de outubro: a tabela semanal das regiões Niño da NOAA, com a semana encerrada neste domingo. Primeira semana de novembro: o boletim mensal do Copernicus com o fechamento global de outubro. Por volta de 10 de novembro: o CO2 de outubro em Mauna Loa. Dia 12 de novembro: o próximo diagnóstico mensal do El Niño da NOAA, que atualiza as probabilidades oficiais. Em novembro, a conferência do clima da ONU se reúne na Turquia. A série volta quando qualquer um desses dados sair, e no próximo sábado, com a consolidação da semana.

Fontes

NOAA, a atualização semanal de evolução e status do El Niño (documento primário) · NOAA, o diagnóstico mensal do El Niño (documento primário) · OMM, o comunicado com a previsão de consenso (documento primário) · Copernicus, o boletim de setembro (documento primário) · NOAA Mauna Loa, a série mensal de CO2 (documento primário) · NASA, com dados do NSIDC (o mínimo ártico e o máximo antártico de 2026, documento primário) · Ecoportal, em espanhol (a previsão da OMM e o pico em dezembro) Os outros textos do dia: O movimento da semana em Segurança · O movimento da semana em Produção · O movimento da semana em Finanças · O movimento da semana em Conhecimento · Eleição 2026.

Os sinais do clima

  • Evento histórico, acima de todos desde 195083%
  • Qualquer outro desfecho17%

NOAA, probabilidade de 8 de outubro para um evento forte a muito forte. Os sinais da semana: Niño 3.4 a 2,4 °C acima do normal (NOAA, 13/10); projeção da OMM de 3,7 °C para outubro-dezembro; setembro global 1,63 °C acima da era pré-industrial e oceano a 21,05 °C (Copernicus); CO2 de setembro a 426,07 ppm (Mauna Loa); máximo antártico de gelo, o 3º menor da série (NSIDC/NASA).

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