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Energia · Análise

Clima: o Pacífico segue a +2,4 °C e o leste chega a +4,4 °C

A leitura semanal da NOAA, publicada na segunda-feira, mantém a faixa central do Pacífico 2,4 °C acima do normal, o mesmo valor da semana anterior, depois de quatro altas seguidas. A novidade está na distribuição: a faixa junto à costa da América do Sul está 4,4 °C acima do normal, o desenho de um El Niño carregado no leste. A probabilidade de um evento forte a muito forte até o começo de 2027 segue acima de 83%.

Por COMPASSO20 de outubro de 20265 min de leituraTabuleiro: Energia

Leituras

  1. Uma semana sem alta depois de quatro subidas seguidas ainda não é pico: os modelos seguem apontando o máximo do evento para o fim do ano, e a revisão oficial sai em 12 de novembro.
  2. O aquecimento concentrado junto à costa da América do Sul aproxima o evento do desenho de 1997 e de 2015, os episódios que mais mexeram com a chuva do continente.
  3. Para o Brasil, o padrão esperado não muda: excesso de chuva no Sul e seca no Norte e no Nordeste, com a safra recorde estimada pela Conab como o maior valor em risco.

Este é o texto da série Crise Climática, que acompanha os avanços da crise ambiental e o que dizem os cientistas, numa leitura acumulada do processo. O texto de sábado consolidou a semana com a anomalia de +2,4 °C no Pacífico e a projeção sem precedente dos modelos. A atualização semanal que a NOAA, a agência americana de oceanos e atmosfera, publicou nesta segunda-feira, 19, era o dado que a série esperava. Ele saiu, e este texto diz o que mede.

O que o dado novo mede

A Niño 3.4 é a faixa central do Pacífico equatorial que define o El Niño. Ela está 2,4 °C acima da média na leitura semanal de 19 de outubro. É o mesmo valor da semana anterior, depois de quatro altas seguidas que a série acompanhou até sábado. O documento mantém o alerta de El Niño em vigor e a avaliação de mais de 83% de chance de um evento forte a muito forte até o trimestre janeiro-março de 2027, fixada no diagnóstico de 8 de outubro.

A informação nova está no mapa, não na média. A Niño 1+2, a faixa junto à costa do Peru e do Equador, está 4,4 °C acima do normal, e a Niño 3, vizinha dela, 3,5 °C. Já a Niño 4, a faixa oeste, perto da linha internacional de data, está 0,1 °C abaixo da média. O calor do evento está concentrado no leste do oceano, perto da América do Sul. O mesmo documento traz o RONI de julho a setembro em +1,7 °C. O RONI é o índice oficial da NOAA. Ele desconta do Pacífico o aquecimento médio de todos os trópicos, para separar o El Niño do aquecimento global de fundo. Desde 8 de outubro ele é calculado sobre uma base de dados nova, a ERSSTv6, que substituiu a versão anterior.

O que dizem os cientistas

O texto da NOAA repete a formulação do diagnóstico mensal, em tradução do COMPASSO: “o El Niño está presente” e “continua a se fortalecer”. A distinção que os cientistas vêm fazendo desde o começo da série segue válida. Celeste Saulo, a secretária-geral da OMM, a organização meteorológica da ONU, disse na semana passada que o fenômeno “não acrescenta calor novo ao planeta”. Ele redistribui o calor que o oceano já acumulou, por cima de uma tendência de aquecimento que não depende dele, como a série registrou no sábado. A concentração do calor no leste aproxima o desenho do evento dos episódios de 1997-98 e de 2015-16, os que mais alteraram a chuva na América do Sul. A comparação é de padrão espacial, não de intensidade final: é uma leitura possível, não um fato.

O que muda na leitura acumulada

A série acompanha três linhas, e nenhuma mudou de direção. A probabilidade oficial segue acima de 83% desde 8 de outubro. A leitura semanal parou de subir pela primeira vez em um mês, em +2,4 °C, e só a sequência das próximas semanas dirá se foi pausa ou pico. E a projeção de consenso dos 13 centros reunidos pela OMM segue de pé: cerca de 3,7 °C para outubro a dezembro, o maior valor da série iniciada em 1950, como registrado em 14 de outubro. O que está medido até aqui continua sendo a anomalia semanal; o recorde trimestral histórico, de 2,6 °C em 2015-16, ainda não foi batido.

Os impactos por aqui

O padrão esperado para o Brasil não muda. O desenho é de chuva em excesso no Sul e de calor e seca no Norte e no Nordeste. A pressão vai para os reservatórios e para a bandeira tarifária, a taxa extra da conta de luz. Um evento carregado no leste reforça a chuva na costa do Peru e do Equador e o risco de seca no norte da América do Sul, o desenho de 1997 e 2015. A safra 2026/27, estimada pela Conab em 367,1 milhões de toneladas, um recorde, segue como o maior valor em risco, com o plantio em andamento, como a série registrou no sábado. E o país decide no domingo quem administra essa conta: o verão do El Niño cai inteiro no primeiro ano do próximo governo.

O que observar

Segunda, 26 de outubro: a próxima tabela semanal das regiões Niño da NOAA. Primeira semana de novembro: o boletim mensal do Copernicus, o programa europeu de observação da Terra, com o fechamento global de outubro. Por volta de 10 de novembro: o CO2, o principal gás de efeito estufa, medido em outubro no observatório de Mauna Loa. Dia 12 de novembro: o próximo diagnóstico mensal do El Niño da NOAA, que revisa as probabilidades oficiais. Em novembro, a conferência do clima da ONU se reúne na Turquia. A série volta quando qualquer um desses dados sair, e no sábado, com a consolidação da semana.

Fontes

NOAA, a atualização semanal de evolução e status do El Niño, de 19 de outubro (documento primário) · NOAA, a tabela do RONI (documento primário) · NOAA, o diagnóstico mensal do El Niño na edição em espanhol (documento primário) · Copernicus, os boletins mensais de clima (documento primário) · NOAA Mauna Loa, a série mensal de CO2 (documento primário)

Os outros textos do dia: O texto de abertura · Leitura cruzada · Eleição 2026.

Os sinais do clima

  • Evento forte a muito forte até jan-mar 202783%
  • Qualquer outro desfecho17%

NOAA, probabilidade mantida na atualização de 19 de outubro. Os sinais: Niño 3.4 a +2,4 °C e Niño 1+2 a +4,4 °C (NOAA, 19/10); RONI de julho-setembro em +1,7 °C; setembro global 1,63 °C acima da era pré-industrial e oceano a 21,05 °C (Copernicus); CO2 de setembro a 426,07 ppm (Mauna Loa); máximo antártico de gelo, o 3º menor da série (NSIDC/NASA).

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