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Arquitetura de segurança · Análise

O dia em seis regiões: Kiev retoma os ataques às refinarias

Zelensky anunciou a volta dos ataques às refinarias russas depois de três noites de bombardeio à energia ucraniana e de uma semana de restrições no Starlink. Em Bruxelas, os líderes da União Europeia abriram a cúpula que responde ao acordo do diesel entre Washington e Moscou. Mísseis houthis atingiram o palácio presidencial em Áden. E a liquidação das ações de IA derrubou as bolsas da Ásia.

Por COMPASSO15 de outubro de 2026atualizado em 16 de outubro às 3h1014 min de leituraTabuleiro: Arquitetura de segurança

Leituras

  1. A Ucrânia retomou os ataques às refinarias russas no dia em que a União Europeia discute o acordo do diesel. A trégua de energia anunciada por Trump segue sem texto assinado e sem adesão.
  2. A semana de restrições no Starlink mostrou o custo de depender de uma empresa privada americana para comunicação militar. O serviço voltou nesta quinta, segundo fonte ouvida pela agência ucraniana Ukrinform.
  3. Mísseis houthis mataram dois seguranças no palácio presidencial em Áden, e a coalizão saudita conta 20 ataques ao aeroporto de Riade em outubro. A guerra do Golfo segue alargando o alcance.

Atualização, 03h10. Jacarta teve nesta sexta a maior queda em um dia desde janeiro de 1998, por um fato novo. A MSCI, a empresa americana que monta os índices de ações que os grandes fundos replicam, propôs rebaixar a Indonésia de mercado emergente para mercado isolado, fora dos índices principais. O comunicado da MSCI (documento primário) cita estruturas societárias opacas e suspeita de negociação coordenada, com consulta até 30 de abril de 2027 e decisão até 30 de junho de 2027. Na abertura desta sexta, o IHSG caiu 8,1%, a 5.393 pontos, e a negociação foi suspensa por 30 minutos, segundo o site financeiro Kontan, em indonésio.

Atualização, 03h10. A primeira sessão fechou em queda de 10,76%, a 5.233 pontos, segundo o mesmo Kontan. A bolsa indonésia já era a pior do mundo no ano, com perda acumulada de mais de 30% e saída líquida de US$ 4,7 bilhões de capital estrangeiro, segundo o site financeiro Investing.com. A queda de quinta, descrita na seção sobre o Sul e o Sudeste da Ásia, vinha do petróleo caro e do dólar forte; a desta sexta vem da regra do capital. Fundos que replicam o índice de emergentes vendem o que sai dele, sem olhar preço, e, enquanto a consulta durar, empresa e governo indonésios pagam mais caro para se financiar.

Atualização, 03h10. Na guerra, a retomada dos ataques às refinarias anunciada por Zelensky já tem alvo confirmado. Drones ucranianos incendiaram a refinaria de Ryazan, da petroleira estatal russa Rosneft, que abastece Moscou e responde por 5% do refino do país, segundo o The Moscow Times, o jornal russo independente publicado em inglês. O governador da região, Pavel Malkov, confirmou o incêndio, com o dano ainda em avaliação, e o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, classificou o ataque como "nada de novo". Nos mercados da Ásia oriental, Seul e Tóquio devolveram nesta sexta parte da queda; os números estão na atualização do texto de abertura.

Esta é a Leitura cruzada, o giro diário do COMPASSO pelas seis regiões do mundo, com as versões de cada lado na língua original de cada uma. O fato do dia é o lucro recorde da TSMC, a fabricante taiwanesa de chips, no dia em que a dúvida sobre a dívida da inteligência artificial (IA) derrubou as bolsas da Ásia. A análise está no texto de abertura desta quinta. Abaixo, o que se moveu em cada região.

Américas

A eleição legislativa americana entrou na reta final com o governo no piso. A votação de 3 de novembro renova a Câmara e um terço do Senado. A 19 dias dela, a aprovação de Donald Trump igualou o menor nível dos dois mandatos, 32%, na pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 5 de outubro. A rede CNN registrou nesta quinta um piso novo nas médias, puxado pela inflação. Mais da metade dos eleitores aponta o custo de vida como tema principal. A causa é a gasolina encarecida pela guerra com o Irã, a mesma que moveu a inflação de 3,7% registrada na quarta. A revista argentina Forbes notou, em espanhol, que o presidente chega ao mês decisivo no ponto mais baixo da série. Trump encerrou na quarta uma rodada de comícios em Montana e no Arizona. Nos palcos, prometeu US$ 5.000 por eleitor se os republicanos mantiverem o Congresso, sem explicar a conta, segundo a rede NBC. Os democratas lideram as pesquisas para a Câmara por 7 a 12 pontos. A resposta deles é uma agenda de cem dias centrada em comida, gasolina e saúde, segundo a Fox News. Para o Brasil, importa o foco: um governo pressionado pela inflação em casa decide com os olhos na própria eleição, o padrão que a série eleitoral acompanha.

Ásia oriental

O dia em que Seul parou por 20 minutos está contado no texto de abertura; aqui fica o movimento regional em volta dele. Na Coreia do Sul, o dinheiro saiu das ações e entrou nos títulos do governo. "O KOSPI despencou a ponto de acionar o sidecar de venda e o circuit breaker", registrou em coreano o jornal econômico Aju. O índice fechou em queda de 7,57%, a 5.554,22 pontos. O mesmo jornal nota que o juro do título público de 30 anos caiu ao menor nível em quatro meses, com a procura por segurança. Investidores estrangeiros comandaram a compra de contratos futuros de títulos. Em Tóquio, o índice caiu 4,9%. O jornal Nikkei registrou em japonês que a Kioxia, a fabricante japonesa de memória, perdeu um terço do valor de mercado em quatro meses. O motivo é a mesma promessa chinesa de memória mais densa que derrubou Seul na segunda, como o COMPASSO registrou na terça. A imprensa financeira chinesa trata o avanço da ChangXin como conquista nacional, como o China Business Journal publicou em chinês. O balanço da TSMC, divulgado depois do fechamento das bolsas asiáticas, dá o contraponto: na ponta da cadeia, a demanda segue recorde.

Sul e Sudeste da Ásia

A liquidação chegou a Jacarta pela moeda e pela bolsa. O IHSG, o índice da bolsa indonésia, caiu 1,33%, a 5.863 pontos, depois de perder 2,16% na primeira sessão do dia. A rupia fechou a 17.938 por dólar, perto da mínima histórica, segundo o site financeiro Kontan, em indonésio. A Indonésia importa combustível. O país vive a mesma soma de petróleo caro e dólar forte que acelerou o atacado indiano a 11,39%, como o COMPASSO registrou na quarta. A escassez aparece na bomba. As filas de combustível em Bali só diminuíram depois que a Pertamina, a petroleira estatal, desembarcou 19 milhões de litros na ilha, segundo o mesmo Kontan. Da Índia e do Paquistão não houve dado novo nesta quinta. A região segue pressionada pelos dois preços, o do óleo e o do dinheiro.

Golfo e Oriente Médio

A guerra alargou o alcance no Iêmen. Mísseis houthis atingiram o Maashiq, o palácio presidencial em Áden que abriga o governo iemenita reconhecido internacionalmente. Dois seguranças morreram e o primeiro-ministro saiu ileso, segundo a Al Jazeera, em árabe. A emissora registrou também mísseis balísticos contra Márib, a cidade do gás. A coalizão liderada pela Arábia Saudita contabiliza 20 ataques houthis ao aeroporto de Riade em outubro, com 17 mortos e 333 feridos, segundo a cobertura da Fox News. A França começou a deslocar meios militares para proteger as instalações de petróleo sauditas. A cúpula entre a União Europeia e os países do Golfo, marcada para 24 de outubro em Riade, foi adiada. No estreito de Ormuz, a saída do petróleo do Golfo, a marinha iraniana anunciou que um navio-tanque "infrator" pegou fogo no lado leste da passagem. Foi um dia depois do primeiro naufrágio de um porta-contêineres na guerra, registrado na quarta. A AIE, a agência de energia dos países consumidores, informou que 330 milhões de barris dos estoques de emergência já foram liberados. Mais 100 milhões vêm a caminho, e 20 milhões de barris de diesel saem "assim que possível". O petróleo Brent, a referência global, era negociado a US$ 104,91, em queda de 1,1%.

A novidade política do dia veio de dentro do Irã. Segundo o jornal americano New York Times, citado em persa pela Euronews, o presidente Masoud Pezeshkian não sabia do ataque a três navios comerciais no estreito. Um porta-voz da Guarda Revolucionária, a força paralela ao exército que controla a campanha no estreito, respondeu que a operação foi coordenada "com as autoridades superiores". Fica aberta a pergunta de quem decide a guerra naval, se o governo eleito ou a Guarda. O Comando Central americano, o Centcom, negou ter ameaçado marinheiros iranianos, na nota recolhida em persa pela Euronews. Do lado americano, Donald Trump disse em comício que errou a dose ao eliminar os líderes iranianos. "Eu provavelmente devia ter deixado os líderes, porque não sei com quem estamos negociando", disse, na transcrição da Fox News. A pausa americana nos ataques, anunciada à espera da eleição de 3 de novembro, segue de pé, como o COMPASSO registrou na terça.

Europa e o espaço pós-soviético

A trégua de energia anunciada por Trump no domingo perdeu o que restava de conteúdo prático. Volodymyr Zelensky anunciou a retomada dos ataques às refinarias russas. "Estamos fartos", disse o presidente ucraniano, segundo a agência estatal ucraniana Ukrinform, em ucraniano, em tradução do COMPASSO. O anúncio veio depois de três noites seguidas de ataques russos à rede elétrica, a maior delas registrada na quarta. O próprio Zelensky afirmou que a Rússia aproveitou "limitações artificiais" da defesa ucraniana para lançar mais de 850 drones Shahed. As limitações têm nome. Na semana, o Starlink, o serviço de satélites da SpaceX que conecta as tropas ucranianas, operou com restrições. Elon Musk afirmou que os sistemas são controlados pelos Estados Unidos. Nesta quinta, o Starshield, a versão militar do serviço, voltou a operar para as Forças de Defesa, segundo fonte ouvida pela Ukrinform. A Rússia, enquanto isso, ergueu em seis semanas uma base de lançamento de drones em Rostov, segundo a agência Reuters, citada pela Ukrinform. Em comunicado oficial, documento primário, a ONU informou que quatro ataques russos destruíram desde julho mais de US$ 1,5 milhão em remédios em depósitos das Nações Unidas. Em Bruxelas, os líderes da União Europeia abriram a cúpula de dois dias sobre o acordo do diesel entre Washington e Moscou. O chanceler alemão Friedrich Merz chamou o acordo de "fora de questão" para a Europa, e Zelensky é esperado na reunião.

AS VERSÕES. A mesma semana de trégua, contada três vezes. A imprensa americana trata a crise do Starlink como disputa de controle. A CNN relata que Musk atribui o comando dos sistemas aos Estados Unidos, e que a Casa Branca pressiona Kiev com os dados de inteligência. A versão próxima do governo russo, no jornal Kommersant, em russo, diz que "a Ucrânia não entende o americano": Washington não teria autoridade sobre Kiev e os aliados europeus, que querem seguir na guerra. E a imprensa ucraniana registra o desfecho prático: a Ukrinform, em ucraniano, noticia o Starshield de volta e a ordem de retomar os ataques às refinarias.

África

Na República Democrática do Congo, o ex-presidente Joseph Kabila oficializou a aliança com o M23, o grupo rebelde que ocupa partes do leste do país. A plataforma político-militar nova declara o objetivo de "libertar o país". A análise é da emissora pública francesa France 24, em francês, que examina o efeito da aliança sobre o conflito com o presidente Félix Tshisekedi. É a primeira vez neste ciclo que um ex-chefe de Estado congolês se declara do lado da rebelião. Na Etiópia, a guerra do Tigré avançou no terreno enquanto a diplomacia não avança. Um comandante aliado do governo disse à agência AP que militares eritreus entraram nas cidades de Adigrat e Idaga Hamus. A ACLED, a base de dados que mapeia conflitos armados, registrou travessia da fronteira em Zalambessa. A TPLF, a frente que governava o Tigré, deixou a cidade de Shire, o polo humanitário da região, segundo moradores ouvidos pela AP. A Eritreia chama as acusações de fabricadas. O Conselho de Segurança da ONU fez consultas fechadas na terça, sem comunicado, no conflito que o COMPASSO acompanha desde o fim de semana.

Os impactos por aqui

Três fios do dia chegam ao Brasil. O primeiro é o preço do dinheiro: a liquidação das bolsas asiáticas e a dúvida sobre a dívida da IA mantêm o juro global alto, e o efeito sobre dólar e crédito está no texto de abertura. O segundo é o diesel. A AIE projeta escassez até 2027, e a liberação de 20 milhões de barris é paliativo; o transporte brasileiro, que roda a diesel, paga essa conta no frete. O terceiro é o calendário: o governo americano que decide sobre guerra, diesel e sanções olha para a própria eleição de 3 de novembro. O que isso significa para o segundo turno brasileiro está no texto da série Eleição 2026. Para o leitor, a tradução é frete e crédito pressionados no curto prazo, com alívio possível se a cúpula europeia e a eleição americana mudarem o preço da guerra.

Entenda a região

A guerra na Ucrânia virou, desde 2022, uma guerra de infraestrutura. A cada inverno, a Rússia concentra mísseis e drones na rede elétrica ucraniana, para transformar o frio em pressão política. Desde 2024, a Ucrânia responde nas refinarias, porque a exportação de combustível é a principal receita de guerra de Moscou. A terceira infraestrutura é a comunicação. As tropas ucranianas dependem, desde os primeiros meses da invasão, dos satélites de uma empresa privada americana. A semana mostrou o que acontece quando o dono restringe o serviço. Trégua, nesse quadro, não é a ausência de combate: é um acordo sobre quais infraestruturas ficam fora do alvo. Até aqui, nenhum texto foi assinado, e cada lado testa quanto o outro aguenta pagar, em luz, em combustível e em conexão.

Fontes

ONU, o comunicado sobre os depósitos de saúde destruídos (documento primário) · FMI, o relatório de estabilidade financeira (documento primário) · Ukrinform, em ucraniano (a retomada dos ataques às refinarias) · Ukrinform, em ucraniano (a volta do Starshield) · Kommersant, em russo (a versão próxima do governo russo) · CNN (o Starlink e a disputa de controle) · Morung Express (a fala de Merz sobre o acordo do diesel) · Al Jazeera, em árabe (o ataque ao palácio em Áden) · Euronews, em persa (Pezeshkian e a Guarda) · Euronews, em persa (a nota do Centcom) · Fox News (o Golfo e o comício de Trump) · Aju, em coreano (a fuga para os títulos em Seul) · Nikkei, em japonês (a Kioxia e a memória chinesa) · China Business Journal via Sina, em chinês (a promessa da ChangXin) · Kontan, em indonésio (a rupia e a bolsa de Jacarta) · Kontan, em indonésio (as filas de combustível em Bali) · France 24, em francês (Kabila e o M23) · AP (os eritreus em Adigrat e a saída de Shire) · CNN (a aprovação de Trump no piso) · Forbes Argentina, em espanhol (a aprovação e as legislativas) · NBC (os comícios e a promessa de US$ 5.000) · Fox News (a agenda democrata) · MSCI, o comunicado da consulta sobre a Indonésia (documento primário) · Kontan, em indonésio (a suspensão do pregão em Jacarta) · Kontan, em indonésio (o fechamento da primeira sessão) · Investing.com (a perda do ano e a saída de capital) · The Moscow Times (o incêndio na refinaria de Ryazan)

Os outros textos do dia: O texto de abertura · Eleição 2026

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