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Arquitetura de segurança · Análise

A hipótese Brasil: a semana em que a pressão veio por Wyoming

Pela primeira vez desde julho, Washington passou uma semana inteira sem lance novo contra o Brasil, e a pressão apertou assim mesmo: o novo presidente do Fed admitiu alta de juros e devolveu o dólar aos 5,19, o precedente canadense virou lista com data e a relista de Moraes completou a terceira semana pendurada. O placar semanal da série.

Por COMPASSO29 de agosto de 20265 min de leituraTabuleiro: Arquitetura de segurança

Leituras

  1. Pela primeira semana desde julho, Washington não produziu um lance novo contra o Brasil, e ainda assim a pressão apertou: o discurso do novo presidente do Fed devolveu o dólar aos 5,19 reais e mostrou que parte da determinação americana se exerce por Wyoming, sem custo político.
  2. O precedente canadense completou o ciclo que a hipótese Brasil observa: mesa quebrada, tarifa dobrada a 50% e retaliação de cerca de 700 produtos com dia marcado, a régua do custo de resistir que Brasília leva à mesa de segunda-feira.
  3. A relista de Moraes atravessou a terceira semana como deliberação pendurada, sem ato e sem desmentido: a ameaça que não se consuma segue sendo o instrumento mais barato do arsenal americano.

A semana em uma linha: pela primeira vez desde julho, Washington não produziu um lance novo contra o Brasil, e ainda assim a pressão apertou, pelo canal que não pede decreto nem custa capital político. Este é o placar semanal da série que acompanha o eixo do especial Depois de Caracas: a hipótese Brasil, consolidando os placares diários de segunda, terça, quarta, quinta e sexta.

Coerção econômica

Nenhuma designação nova contra pessoas ou empresas brasileiras, e a régua vigente inalterada: tarifa adicional de 25% pela Seção 301, a lei comercial americana, com sobretaxa possível de 12,5%. O movimento da trilha foi de preparação e de precedente. A negociação do tarifaço ganhou dia e hora, reunião virtual na segunda-feira às 14h30, com a pauta americana publicada indo de desmatamento e etanol a propriedade intelectual e Pix: Washington trata a mesa como revisão geral da relação, não como negociação de alíquota. E o precedente canadense completou o ciclo que a série observa desde segunda: mesa quebrada, tarifa dobrada a 50% e retaliação de cerca de 700 produtos com vigência em 8 de setembro, em lista oficial do governo canadense, o experimento ao vivo do custo de responder dólar por dólar que a Lei de Reciprocidade brasileira promete replicar.

Pressão eleitoral e institucional

A relista de Alexandre de Moraes na Lei Magnitsky, a legislação americana de sanções, atravessou a terceira semana como deliberação pendurada: sem ato, sem desmentido, desde a reportagem do Financial Times de 16 de agosto. A ameaça que não se consuma segue sendo o instrumento mais barato do arsenal, e agora opera sobre uma campanha oficialmente no ar: a propaganda eleitoral gratuita estreou na sexta com a tarifa como pano de fundo e a economia como palco, como registrou o placar de sexta. O aperto da semana veio por Wyoming: o primeiro discurso do novo presidente do Federal Reserve admitiu alta de juros, devolveu o dólar aos 5,19 reais e lembrou que parte da determinação americana sobre o Brasil se exerce por política monetária, sem custo político para a Casa Branca, com os futuros dando 57% de chance à alta de setembro.

Dimensão militar e de segurança

O trilho militar do hemisfério voltou a operar em ritmo, sem vetor brasileiro: depois de dois meses de pausa, o comando americano destruiu um barco no Pacífico no sábado e outro no Caribe na terça, com quatro mortos no segundo ataque, no registro do Stars and Stripes, numa campanha que acumula pelo menos 227 mortos em 68 ataques na cronologia da PBS. O instrumento que estava dormente desde junho está reativado e acelerando enquanto a mesa econômica espera segunda-feira.

A resposta brasileira

O Brasil chega à mesa com o argumento que nenhuma diplomacia fabrica: deflação de 0,40% na prévia da inflação e o menor desemprego da série histórica, 5,3%, o retrato duplo consolidado na leitura semanal do Brasil, que reduz o custo doméstico de resistir à pressão. A fase de consultas aberta na Organização Mundial do Comércio segue consumindo seu prazo de até 60 dias, que desemboca na vizinhança do primeiro turno. E a diversificação ganhou endereço físico: a Alibaba ligou seus dois primeiros data centers brasileiros e abriu em São Paulo a primeira região de nuvem da América do Sul, com a promessa de guardar o dado brasileiro sob a lei brasileira, a terceira arquitetura na mesa exatamente quando a pauta americana transforma o Pix em alavanca.

O termômetro

A semana alimentou o cenário da coexistência tensa com processo: mesa marcada, instrumentos suspensos e pressão migrando para canais indiretos. É fato que não houve lance novo contra o Brasil, que a reunião de segunda tem hora e pauta, e que a relista segue sem ato; é fato que o dólar subiu pelo discurso do Fed, não por decisão contra Brasília. A inferência, essa sim da casa: a folga entre a força que Washington anuncia e a que executa, medida esta semana no embargo que virou tiro de aviso e no precedente canadense, é a mesma variável que a hipótese Brasil acompanha, e ela sugere que o instrumento preferido contra o Brasil seguirá sendo o que não precisa ser assinado: a ameaça pendurada, o juro americano e a mesa que revisa a relação inteira.

A semana que vem

Segunda-feira, 31 de agosto, 14h30: reunião virtual das equipes do tarifaço, o primeiro teste de processo desde a ligação presidencial de 21 de agosto. Terça, 8 de setembro: entram em vigor as contratarifas canadenses, a régua viva do custo de retaliar. 16 de setembro: decisão do Federal Reserve e do Copom no mesmo dia, com os futuros americanos divididos ao meio. 24 de setembro: Xi Jinping em Washington, o teto de qualquer distensão comercial do trimestre. E seguem pendurados, sem data, a decisão sobre a relista de Moraes e o desfecho das consultas na Organização Mundial do Comércio, que correm rumo ao primeiro turno de 4 de outubro.

Fontes

US News, 16/08 (a deliberação sobre a relista reportada pelo Financial Times) · Governo do Canadá (o precedente: a lista oficial de contratarifas) · Stars and Stripes, 26/08 (o trilho militar reativado) · PBS (a cronologia da campanha militar no hemisfério) · The Rio Times (o discurso de Jackson Hole e a precificação) · USTR (Washington falando: a régua vigente da Seção 301)

As leituras da semana: Potências · Global · Economia Política das IAs · Brasil. O placar semanal anterior: A hipótese Brasil: a semana em que a ameaça valeu por si. O especial que ancora esta série: Depois de Caracas: a hipótese Brasil.

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