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Arquitetura de segurança · Análise

A hipótese Brasil: a mesa das 14h30 e o golfe de sábado

A primeira reunião formal da negociação do tarifaço acontece nesta segunda às 14h30, mas a conversa do fim de semana foi outra: 45 minutos entre o dono do BTG Pactual e o presidente americano num campo de golfe, sobre energia, minerais raros e data centers. O placar de segunda-feira da série, com a relista de Moraes entrando na quarta semana pendurada.

Por COMPASSO31 de agosto de 20265 min de leituraTabuleiro: Arquitetura de segurança

Leituras

  1. O fim de semana abriu um segundo canal na trilha econômica: enquanto a mesa oficial das 14h30 nasce sem expectativa de acordo, a diplomacia privada de sábado ofereceu a Washington exatamente o que a pauta americana cobiça, energia, minerais e data centers, e o fez fora do controle do Itamaraty.
  2. A relista de Alexandre de Moraes entra na quarta semana como deliberação pendurada, sem ato e sem desmentido, e segue sendo o instrumento mais barato do arsenal americano: pressiona a campanha sem custar um decreto.
  3. A troca de fogo entre Washington e Teerã no fim de semana não toca o Brasil diretamente, mas recalibra a mesa: um governo americano disposto a atirar para fazer valer um embargo é o mesmo que senta às 14h30 para discutir a relação inteira com Brasília.

O fim de semana em uma linha: a mesa oficial do tarifaço ganhou hora, 14h30 desta segunda, e um canal paralelo que ninguém convocou, os 45 minutos de sábado entre o principal acionista do BTG Pactual e o presidente americano num campo de golfe perto de Washington. Este é o placar de segunda-feira da série que acompanha o eixo do especial Depois de Caracas: a hipótese Brasil, na sequência do placar semanal de sábado.

Coerção econômica

Nenhuma designação nova no fim de semana e a régua vigente inalterada: tarifa adicional de 25% pela Seção 301, a lei comercial americana, com sobretaxa possível de 12,5%. O movimento foi de processo e de bastidor. No processo, a reunião virtual desta segunda às 14h30 é o primeiro teste desde a ligação presidencial de 21 de agosto, sem expectativa de acordo, segundo a BNamericas e o resumo do The Rio Times, com a pauta americana publicada tratando a mesa como revisão geral da relação, de desmatamento e etanol a propriedade intelectual e Pix. No bastidor, o encontro de sábado no Trump National Golf Club, pedido pelo próprio banqueiro, ofereceu projetos em energia, minerais raros e data centers para atrair capital americano, conforme a Gazeta Brasil. E a régua externa da série ganha vigência na semana: as contratarifas canadenses de 27,6 bilhões de dólares canadenses sobre mais de 700 produtos americanos entram em vigor em 8 de setembro, pela Al Jazeera.

Pressão eleitoral e institucional

A relista de Alexandre de Moraes na Lei Magnitsky, a legislação americana de sanções, entra na quarta semana como deliberação pendurada: sem ato e sem desmentido desde a reportagem do Financial Times de 16 de agosto, registrada pelo US News. Do lado americano, nenhum gesto novo sobre a eleição brasileira no fim de semana; do lado de cá, a campanha entrou na fase de tribunal, com as quatro representações da coligação governista contra a oposição protocoladas no sábado, movimento doméstico que a diária do Brasil destrincha.

Dimensão militar e de segurança

Sem movimento registrado no hemisfério: o registro independente da Airwars segue anotando como últimos ataques a embarcações os de 23 de agosto, no Pacífico, e 25 de agosto, no Caribe. O contexto global, porém, mudou de temperatura: a primeira troca de fogo em um mês entre Washington e Teerã, com lançadores destruídos na ilha de Larak no domingo e mísseis iranianos interceptados na Jordânia na madrugada desta segunda, pela CNBC e pela Time, lembra o que significa, na prática, a determinação americana quando um embargo é desafiado.

A resposta brasileira

Brasília chega à mesa com a agenda própria de sempre, as consultas na Organização Mundial do Comércio consumindo seu prazo rumo ao primeiro turno, e com dois trunfos estatísticos agendados: os dados fiscais desta segunda às 11h30 e o PIB do segundo trimestre na terça, o retrato de pleno emprego com inflação em queda que reduz o custo doméstico de resistir. A novidade é a divisão do trabalho que o fim de semana insinuou: o governo negocia a tarifa, e o setor financeiro privado negocia, por conta própria, o lugar do Brasil na economia que interessa a Washington, energia, minerais e data centers. Convergência ou concorrência entre os dois canais é a variável nova da semana.

O termômetro

Os sinais seguem alimentando o cenário da coexistência tensa com processo: mesa marcada e acontecendo, instrumentos suspensos, pressão migrando para canais indiretos. É fato que a reunião das 14h30 tem hora e pauta, que o encontro de golfe aconteceu a pedido do lado brasileiro e que a relista segue sem ato; é fato que nenhum instrumento novo foi acionado contra o Brasil no fim de semana. A inferência, essa da casa: a abertura de um canal privado bem-sucedido tanto pode acelerar um acordo, dando a Washington um interlocutor que fala a língua dos ativos, quanto enfraquecer a mesa oficial, se a Casa Branca concluir que consegue o que quer do Brasil sem passar pelo governo brasileiro. O primeiro turno de 4 de outubro segue sendo o horizonte que disciplina os dois lados.

A semana, observar

Segunda 31/08, 14h30: a reunião virtual do tarifaço, primeiro teste de processo. Terça 01/09: o PIB do segundo trimestre, o número que Brasília leva à mesa. Terça 08/09: vigência das contratarifas canadenses, a régua viva do custo de retaliar. Quarta 16/09: Federal Reserve e Copom decidem juros no mesmo dia, com os futuros americanos em 58% para a alta, pelo CoinDesk. Quinta 24/09: Xi Jinping em Washington, o teto de qualquer distensão comercial do trimestre. E seguem pendurados, sem data, a relista de Moraes e o desfecho das consultas na Organização Mundial do Comércio.

Fontes

BNamericas (a mesa desta segunda e a tentativa de destravar a negociação) · The Rio Times, 31/08 (a agenda do dia e a ausência de expectativa de acordo) · Gazeta Brasil, 31/08 (o encontro de sábado no golfe e sua pauta) · US News, 16/08 (a deliberação sobre a relista reportada pelo Financial Times) · Airwars (o registro independente dos ataques no hemisfério) · CNBC, 30/08 (a troca de fogo no Golfo) · Al Jazeera, 25/08 (as contratarifas canadenses de 8 de setembro) · Jornal de Brasília, 30/08 (as representações no TSE) · CoinDesk, 31/08 (os 58% dos futuros para o Fed)

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