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Arquitetura de segurança · Análise

A hipótese Brasil: o silêncio segue e a corte se divide

O placar desta terça-feira registra mais um dia sem lance americano contra o Brasil: o escritório de sanções do Tesouro seguiu ativo em outros alvos e mudo sobre o país, nenhuma autoridade de Washington comentou a eleição, e a trilha militar não registrou movimento. Quem trabalhou foi o tabuleiro doméstico: um ministro do Supremo afastou o diretor-geral da Polícia Federal, a primeira pesquisa da série pôs o desafiante numericamente à frente e a bolsa celebrou. E o Canadá começou a pagar, a partir de hoje, o preço de retaliar o tarifaço na mesma moeda, o experimento que a mesa brasileira observa de camarote.

Por COMPASSO8 de setembro de 20265 min de leituraTabuleiro: Arquitetura de segurança

Leituras

  1. A régua americana atravessou mais um dia parada, com o escritório de sanções ativo em Irã, Cuba e Rússia e mudo sobre o Brasil, enquanto a crise dentro do Supremo se aprofundava sozinha; é inferência da casa, repetida porque os dias a repetem, que o silêncio segue sendo o instrumento de melhor retorno para quem pressiona de fora.
  2. É fato que o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal por um ministro da corte e a primeira pesquisa com o desafiante à frente são eventos domésticos, legais e sem digital americana; é inferência que cada degrau dessa crise barateia, para Washington, o custo de uma futura sanção a instituição brasileira, porque a apresenta como resposta a uma demanda local preexistente.
  3. As contratarifas canadenses em vigor desde a meia-noite entregam à mesa brasileira, sem custo próprio, a medição que faltava: 85% de apoio interno no primeiro dia, uma fabricante nacional atacada pelo nome pelo presidente americano e a ação dela caindo 7%, o preço de retaliar medido em tempo real num vizinho do norte.

O dia em uma linha: Washington passou a terça em silêncio sobre o Brasil, e foi a corte brasileira, afastando o chefe da própria Polícia Federal, que moveu os ponteiros que a série acompanha. Este é o placar diário da série que acompanha o eixo do especial Depois de Caracas: a hipótese Brasil.

Coerção econômica

Sem lance novo de Washington. O escritório de sanções do Tesouro americano, a OFAC, publicou ações entre os dias 2 e 8 mirando Irã, contraterrorismo, Cuba, Rússia e licenças de Venezuela, sem nenhuma menção ao Brasil, pela página oficial do órgão, o jogador falando. A régua segue a mesma: tarifa de 25% pela Seção 301, a lei comercial americana, mais a sobretaxa de 12,5%, com as consultas na OMC correndo o prazo de sessenta dias e a reunião ministerial confirmada para 30 de setembro, à margem da ministerial de comércio do G20 em Milwaukee, com os ministros das Relações Exteriores e do Desenvolvimento recebidos pelo representante comercial americano, pelo Metrópoles. O movimento relevante é vicário: as contratarifas canadenses de 15%, 25% e 50% entraram em vigor à meia-noite, e o primeiro dia já produziu números que a mesa brasileira não tinha, como detalha a leitura cruzada do dia: 85% de apoio interno medido pela pesquisa Nanos, e a Bombardier atacada pelo nome pelo presidente americano, com queda de 7% na ação.

Pressão eleitoral e institucional

Nenhuma autoridade americana se pronunciou sobre a eleição de 4 de outubro ou sobre a crise do Supremo nas últimas 24 horas, e a relista do ministro Alexandre de Moraes na Lei Magnitsky, a legislação americana de sanções, segue como deliberação pendurada, pedida formalmente em Washington na semana passada por um deputado brasileiro licenciado e sem ato nem desmentido desde então, como a série vem registrando. O que se moveu foi o material sobre o qual a pressão externa trabalha: o ministro André Mendonça afastou o diretor-geral da Polícia Federal alegando monitoramento ilegal, a Segunda Turma formou maioria para referendar com um pedido de vista pendente, pelo Poder360, e a BTG/Nexus pôs o senador Flávio Bolsonaro à frente do presidente por 46% a 45% num eventual segundo turno, dentro da margem, a primeira vez na série, pela Gazeta do Povo. É fato que tudo isso é doméstico e institucional; é inferência, e deve ser lida como tal, que uma corte publicamente dividida e uma corrida empatada compõem exatamente o cenário em que uma intervenção externa custaria menos para quem a fizesse.

Dimensão militar e de segurança

Sem movimento registrado hoje.

A resposta brasileira

A linha do governo permaneceu a do feriado: soberania como plataforma, com o pronunciamento presidencial da véspera afirmando que o país não será colônia de ninguém, pela CartaCapital, e a trilha negociadora intacta, com a ministerial de 30 de setembro de pé e rodadas técnicas acertadas no meio do caminho, pelo Metrópoles. Não houve retaliação nem sinal dela: enquanto Ottawa espelha tarifas dólar por dólar, Brasília segue processando o tarifaço como custo setorial a negociar, não como ameaça à nação a responder, e o contraste entre as duas mesas ficou, a partir desta terça, mensurável.

O termômetro

O dia alimentou o primeiro cenário do especial, o da coerção contínua: régua parada, mesa marcada, sanções ativas em outros alvos e mudas sobre o Brasil. Mas o ponteiro do segundo cenário, o da intervenção política no ciclo eleitoral, subiu mais um degrau sem que Washington precisasse tocá-lo: a corte que seria o alvo preferencial de futuras sanções passou o dia se afastando de si mesma, e a pesquisa que mede a corrida entregou o primeiro líder numérico da oposição. É fato que não há digital americana em nenhum dos dois eventos; é inferência da casa que esse é precisamente o estado do tabuleiro em que a determinação de fora rende mais ficando quieta. Nada no dia aponta para os cenários de ação militar ou da resposta que reorganiza.

Amanhã, observar

Quarta-feira 9: o desfecho do pedido de vista na Segunda Turma do Supremo sobre o afastamento na Polícia Federal, sem data fixada, e a reação de Washington, se vier, ao primeiro dia das contratarifas canadenses. Sexta-feira 11, 9h: o IPCA de agosto pelo calendário do IBGE, com deflação de 0,26% esperada pelo mercado, e o fim do prazo fixado pelo presidente do Supremo para as manifestações no caso das mensagens, pelo Poder360. Depois do dia 14: a possível pauta do plenário. Dias 15 e 16: Copom e Federal Reserve no mesmo calendário. Dia 24: a visita de Xi Jinping a Washington. Dia 30: a ministerial do tarifaço em Milwaukee. E 4 de outubro: o primeiro turno, o relógio que disciplina todos os outros.

Fontes

OFAC (Washington falando: as ações recentes, sem o Brasil) · AP via The Hill (a corte dividida vista de fora) · Reuters via Daily Maverick (a corrida apertada na leitura internacional) · Poder360 (a maioria na Segunda Turma) · Gazeta do Povo (a margem da oposição: a BTG/Nexus) · CartaCapital (a margem governista: o pronunciamento da soberania) · Metrópoles (a ministerial de 30 de setembro) · La Nación (a vizinhança lendo o empate) · Globe and Mail (Ottawa falando: o primeiro dia das contratarifas)

Os outros lances do dia: Potências · Global · Economia Política das IAs · Brasil. O placar anterior: A hipótese Brasil: o Sete de Setembro vira teste de rua. O especial que ancora esta série: Depois de Caracas: a hipótese Brasil.

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