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Arquitetura de segurança · Análise

A hipótese Brasil: a OFAC age duas vezes e não olha para cá

O placar de quinta-feira: o escritório de sanções do Tesouro americano publicou ações em dois dias seguidos, sobre Cuba e Rússia, sem tocar no Brasil, enquanto a pressão sobre Alexandre de Moraes ganhou capítulos inteiramente domésticos, com o prazo do Senado vencido, um pedido de prisão do presidente da Casa e o plenário do Supremo convocado para a semana que vem. O PoderData mostrou o segundo turno em 45 a 44, a régua tarifária não se moveu e a trilha militar ficou muda. O texto separa, trilha por trilha, o fato da inferência.

Por COMPASSO3 de setembro de 20265 min de leituraTabuleiro: Arquitetura de segurança

Leituras

  1. Duas ações da OFAC em dois dias, nenhuma sobre o Brasil, valem como dado e não como alívio: com a guerra no Golfo consumindo Washington e a orientação reportada de conter escaladas antes das eleições legislativas americanas, o silêncio sobre o Brasil é compatível tanto com desinteresse quanto com fila de espera.
  2. A pressão sobre Moraes mudou de endereço sem mudar de natureza: prazo vencido no Senado, pedido de prisão do presidente da Casa e plenário televisionado à vista são engrenagem doméstica girando sozinha, e é exatamente esse material que a narrativa americana da emergência consome sem precisar assinar nada.
  3. Um segundo turno em 45 a 44 com o desafiante numericamente à frente pela primeira vez muda o cálculo de quem pressiona de fora: quanto mais crível a alternância pelo voto, menor o incentivo americano para atos que uniriam o eleitorado contra a interferência, e maior o valor de apenas esperar.

O dia em uma linha: o escritório de controle de ativos do Tesouro americano agiu pelo segundo dia seguido sem mencionar o Brasil, a pressão sobre Alexandre de Moraes ganhou um pedido de prisão do presidente do Senado e um plenário televisionado à vista, e o PoderData pôs o desafiante numericamente à frente no segundo turno pela primeira vez. Este é o placar de quinta-feira da série que acompanha o eixo do especial Depois de Caracas: a hipótese Brasil, na sequência do placar de quarta.

Coerção econômica

A varredura do dia na página oficial da OFAC, o jogador falando, registra ação publicada nesta quinta, com designações sobre Cuba e a remoção de uma designação ligada à Rússia, e nada sobre o Brasil, Moraes ou a Lei Magnitsky; a ação da véspera tampouco tocava o país. A régua tarifária seguiu parada: 25% pela Seção 301, a lei comercial americana, com sobretaxa de 12,5%, e a próxima reunião ministerial marcada para 30 de setembro, em Milwaukee, à margem da ministerial de comércio do G20, pelo Metrópoles. O aperto comercial do dia veio de outra margem: entrou em vigor a suspensão europeia às carnes brasileiras, tratada em detalhe na diária do Brasil, fora do eixo americano mas dentro da mesma conta do exportador.

Pressão eleitoral e institucional

Nenhum gesto americano novo nesta quinta: sem declaração de Casa Branca, Departamento de Estado ou Tesouro sobre a eleição ou o Supremo localizada até o fechamento. O enquadramento seguiu sendo construído pela imprensa conservadora americana, com o Washington Times descrevendo na véspera o ministro que prendeu o ex-presidente agora sob fogo por ligações com um banqueiro caído em desgraça, pelo Washington Times. O movimento do dia foi doméstico e intenso: venceu ao meio-dia o prazo dado pelo senador Carlos Viana para que o presidente do Senado pautasse um dos pedidos de impeachment de Moraes, pelo Correio Braziliense, e advogados protocolaram no gabinete do primeiro vice-presidente da Casa pedido de andamento do impeachment e até de prisão de Davi Alcolumbre por omissão, pela Revista Oeste. No Supremo, o cronograma ficou visível: relatório final do relator na segunda ou terça e sessão plenária aberta, com transmissão pela TV Justiça, já na próxima semana, pelo Poder360. Na urna, o PoderData divulgado nesta quinta mostrou 37% a 34% no primeiro turno e 45% a 44% no segundo, empate técnico com o desafiante numericamente à frente, pela Gazeta do Povo; a Datafolha da noite dirá se é ruído ou tendência. É fato que a engrenagem institucional girou sozinha nesta quinta; é inferência, e deve ser lida como tal, que ela gira na direção que a narrativa americana da emergência aproveita.

Dimensão militar e de segurança

Sem movimento registrado hoje.

A resposta brasileira

A resposta institucional do dia veio do Banco Central, que decretou a liquidação extrajudicial de duas distribuidoras ligadas ao ecossistema do caso Banco Master, a Trustee e a Banvox, registrada no acompanhamento do InfoMoney: o sistema processando a própria crise, sem ato externo no meio. O governo manteve agenda administrativa, com anúncio sobre a fila do INSS no Planalto, pelo Poder360, e a linha negociadora sobre as tarifas seguiu a da semana: mesa marcada, sem prazo para alívio. O mercado processou o dia como realização de lucros depois do rali de quarta, com a bolsa batendo máxima histórica intradiária pela manhã antes de devolver o ganho, pelo mesmo InfoMoney: a pressão externa segue precificada como cenário de investimento, não como ameaça à nação.

O termômetro

Os sinais desta quinta seguem alimentando o primeiro cenário do especial, o da coerção contínua: tarifas paradas, mesa marcada, OFAC ativa mas muda sobre o Brasil, nenhum vetor militar. Dois ponteiros, porém, seguem se movendo na direção que o segundo cenário, o da intervenção política no ciclo eleitoral, monitora: a eleição ficou estatisticamente indefinida pelo segundo dia seguido, agora com o desafiante à frente num dos institutos, e a crise em torno de Moraes ganhou um plenário televisionado com data na semana que vem. É fato que nenhuma autoridade americana se pronunciou nesta quinta; é inferência que, com a urna assim, a opção racional de Washington é não gastar munição onde a gravidade já trabalha de graça. O placar registra o deslocamento e a distinção.

Amanhã, observar

Ainda nesta quinta à noite, a Datafolha, pela NSC Total. Na sexta, às 15h, a balança comercial de agosto, primeira leitura mensal cheia sob o tarifaço, pela agenda do investidor da ADVFN, e o relatório de emprego americano, que calibra o banco central americano de 16 de setembro. Na segunda ou terça, o relatório final do relator do caso Master, e na semana, a sessão plenária do Supremo com transmissão pela TV Justiça, pelo Poder360. Na terça, a vigência das contratarifas canadenses, pela lista oficial do governo canadense, e o prazo final da medida provisória das compras internacionais. Em 30 de setembro, a ministerial Brasil e Estados Unidos em Milwaukee.

Fontes

OFAC, o jogador falando (as ações de 02 e 03/09, sem o Brasil) · Correio Braziliense (o prazo de Viana) · Revista Oeste, 03/09 (a petição ao vice-presidente do Senado) · Poder360 (o cronograma do Supremo) · Gazeta do Povo, 03/09 (o PoderData) · Washington Times, 02/09 (a margem conservadora americana) · Just Security, 03/09 (a Reuters sobre a contenção pré-eleitoral em Washington) · InfoMoney, 03/09 (o Banco Central e o pregão) · Infobae, 29/08 (a leitura latino-americana da campanha) · Metrópoles (a mesa de 30/09)

Os lances do dia: Potências · Global · Economia Política das IAs · Brasil.

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